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Mentores Fora de Série: Cátia Tokoro 

Por top2you

Ainda na infância, Cátia Tokoro, 54 anos, aprendeu a se destacar em ambientes predominantemente masculinos. Do colégio até a faculdade, na qual estudou engenharia, ela sempre era uma das poucas mulheres entre os homens.

Na sua carreira profissional, a cena se repetiu: a área em que trabalhou, tecnologia e telecomunicações, é um setor em que os colegas, os chefes e os clientes sempre foram, em sua maioria, homens. “Só fui me dar conta disso mais tarde. Aproveito minha experiência e vivência para explorar este tema nas mentorias”, conta. Cátia teve uma carreira de quase duas décadas na Oi.

Entrou como gerente e chegou à vice-presidência da unidade de negócios B2B. Neste momento de sua carreira, ela atua em conselhos de administração e consultivos de diversas empresas e setores, além de dar aulas em cursos de formação de conselheiros do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e da Exame Saint Paul Escola de Negócios. Também é investidora anjo de startups e é mentora.

Neta de japoneses que migraram para o Brasil na década de 1930, Cátia teve uma educação rigorosa, marcada pela disciplina oriental. Filha mais velha, ela se cobrava para ter um bom desempenho na escola e depois na faculdade.

Até hoje não se esqueceu da única vez em que tirou uma nota vermelha. Chegou em casa arrasada e, com a ajuda do pai, revisou a prova, descobriu onde estavam os erros e os dois estudaram juntos durante vários dias até que ela aprendesse de fato a matéria. Foi uma lição que levou para a vida: não ter medo de voltar atrás, analisar de novo os fundamentos para, de fato, aprender. 

Da engenharia para os negócios

Olhando para trás, não é improvável imaginar que, às vésperas do vestibular, Cátia estivesse cheia de dúvidas. Sem saber o que prestar, ela ouviu a sugestão do pai, e optou pela engenharia por ser muito abrangente e permitir trabalhar em diversas áreas e segmentos.

Ela cursou Engenharia Elétrica na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, mas nunca exerceu a profissão. “A engenharia me ajudou muito na minha vida profissional, mas nunca trabalhei como engenheira”, diz.

O seu primeiro passo foi na IBM. Ao longo de quase seis anos, foi especialista de marketing e chegou ao cargo de gerente de vendas. Foi contratada para a mesma função na Vésper, uma empresa de telefonia espelho, criada logo após a privatização do setor de telecomunicações, que depois foi adquirida pela Embratel.

Depois disso, entrou como gerente do segmento de pequenas e médias empresas na Telemar, que mais tarde viria a se tornar a Oi. Cátia exerceu diversas funções na companhia durante pouco mais de 17 anos. Ocupou diferentes gerências até 2010, quando se tornou diretora de vendas corporativas.

Em 2013, virou diretora de marketing B2B e, em 2016, vice-presidente da unidade de negócios B2B. Ficou cerca de dois anos neste cargo. Cátia começa a participar de conselhos a partir de 2019, quando entra na SulAmérica e passa por Chesf, Desktop, Petz e Imagem Sistemas.

Hoje, ela atua nos conselhos da Núclea, Safira e Tupy. “O ambiente de conselhos ainda é majoritariamente masculino. Então, quando alguém de um grupo sub-representado chega a essas posições, chega com uma boa carga de responsabilidade”, diz. 

Provocações e bom-senso

Durante a sua carreira em ambientes predominantemente masculinos, Cátia percebeu que, quanto mais crescia profissionalmente, menos mulheres via ao seu redor. Embora nunca tenha se sentido discriminada, ela sabe que trabalhou mais do que alguns pares para chegar às mesmas posições. Ela se lembra que, depois de uma de suas promoções a diretora, teve acesso ao contra-cheque de todos da equipe e descobriu que ganhava menos que os seus pares. “É triste quando vemos, na prática, esta disparidade de salários”, explica.

Além de ser muito procurada por mulheres para falar sobre trabalho e carreira em ambientes predominantemente masculinos, Cátia também costuma abordar transição de carreiras e como alcançar e evoluir em posições de liderança em suas mentorias. Esses foram os principais temas abordados pelas pessoas que a escolheram para aconselhamento nos últimos sete anos. “A gente divide um pouco da nossa história, da nossa experiência, e também aprende muito com essas conversas”, diz.

O objetivo e propósito de Cátia é ajudar cada pessoa a encontrar seu próprio caminho, dentro do seu estilo, com bom-senso, ética e leveza. 

Mentoria inesquecível

Um caso de mentoria que marcou Cátia Tokoro começou com o atendimento de um profissional que trabalhava em uma empresa de tecnologia. Ele precisava de aconselhamento porque tinha começado a trabalhar com B2B, área em que ela atuou. A conversa foi tão boa que a pessoa indicou Cátia para outro colega. O ciclo se repetiu, e ela acabou fazendo mentoria para seis funcionários da mesma empresa, todos com menos de 30 anos. Cátia gostou muito da experiência. Quando menos esperava, outra mentoria foi marcada. Era o CEO da empresa. Mais do que um aconselhamento, os dois puderam trocar suas experiências. “Ele ficou feliz com o feedback que recebeu das pessoas e quis me conhecer”, lembra.