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Top2You | Mentoria de alto impacto

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Mentores Fora de Série: Claudia Werneck 

Por top2you

Ainda como estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Claudia Werneck, por pressão da mãe, prestou concurso público para o BNDES. Passou e se tornou secretária executiva. Ficou por 11 anos no BNDES, o tempo todo exercendo o jornalismo como freelancer e escrevendo para o jornal O Globo e para as revistas da editora Bloch, principalmente a Pais&Filhos.

Enquanto se desdobrava nessa vida dupla, tornou-se mãe do Diego e da Talita. Até que, em 1990, frustrada por ser jornalista apenas parte do seu tempo, pediu demissão do BNDES e aceitou o convite para se tornar chefe de reportagem da Pais&Filhos.

Foi ao sugerir uma reportagem sobre síndrome de Down para a revista que a vida de Claudia mudaria. Ao pesquisar sobre o tema, teve uma epifania: “Percebi que eu não era uma jornalista tão boa quanto eu imaginava. Escrevia matérias dando dicas sobre como amamentar um bebê, mas nunca pensava que esse bebê pudesse ser cego ou que a mãe pudesse não ter uma mão”.

A reportagem foi premiada pela Associação Médica Brasileira e ficou claro para ela que deveria divulgar mais informações sobre o tema. Foi assim que, em 1991, ela escreveu e publicou o livro Muito Prazer, Eu Existo, o primeiro sobre síndrome de Down para leigos editado no Brasil.

Como resultado desse livro, ela recebeu, e respondeu à mão, cerca de 3 mil cartas e passou a ser convidada a falar sobre o assunto em congressos nacionais e internacionais, além de programas de televisão, como o da Xuxa, do Clodovil e do Jô Soares. “Minha maior contribuição foi ter levado o tema deficiência intelectual a espaços comuns, como assunto de interesse universal. Era tanta informação nova, que eu comecei a me abrir de um jeito tão amplo, que mudei para sempre”, conta. 

Escola de Gente

Claudia escreveu mais 14 livros sobre inclusão, quase todos já traduzidos para o espanhol e o inglês, e tornou-se a única escritora brasileira recomendada pela UNESCO e UNICEF. Todos os livros foram editados pela WVA, editora que ela fundou junto com seu marido e parceiro incondicional da causa, em 1993.

Durante esse percurso, Claudia lidava com a sensação de trabalhar muito, mas, como queria aumentar o impacto de suas ações, criou uma ONG para formar jovens aptos a não discriminar em função de desigualdades e diferenças de quaisquer naturezas. Nascia a Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, hoje com mais de 100 premiações, sendo seis da ONU, por inovação.

A Escola de Gente tem por objetivo colocar a comunicação a serviço da inclusão na sociedade, e atua em três frentes: influenciar políticas públicas; prestar serviços em acessibilidade e inclusão, com foco na empregabilidade; e ser um centro de inovação em metodologias e projetos, que a própria ONG desenvolve.

Em 2008, por exemplo, quando o Brasil ocupava a presidência rotativa do Mercosul, o Ministério Público estava preocupado com a possibilidade de outros países não considerarem que crimes de direitos humanos fossem “crimes de verdade, que mereciam punição”. Foi quando a Escola de Gente trouxe para o Brasil representantes dos Ministérios Públicos, da Fiscalia e da sociedade civil dos países da América Latina para quatro dias de diálogo. “Escrevemos conjuntamente a carta ‘É Criminoso Discriminar’, que foi levada ao Mercosul e inspirou várias mudanças na região”, lembra. 

Participação na ONU

Claudia participou de reuniões organizadas pelo governo brasileiro durante a elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, assinada em 2006, o primeiro tratado de direitos humanos internacional a ter status de constituição no Brasil. O foco em políticas públicas continua, mas agora a missão é mais abrangente, focada em disseminar conteúdos sobre não discriminação e inclusão, principalmente nas empresas, para que o ambiente de trabalho se torne inclusivo.

Claudia conta que a mentoria foi uma oportunidade para entender melhor as dificuldades das empresas e também de oferecer os seus conteúdos e reflexões. Para ela, o ambiente de trabalho é um espaço sagrado. “Quem sofre discriminação a vida inteira ou não teve oportunidades de educação e formação, conseguirá no trabalho, talvez, uma última chance de se reintegrar à sociedade, graças a um plano de cargos e salários digno, por exemplo. É uma chance de recuperar a autoestima social perdida durante uma vida de humilhação, escassez ou repleta de estigma”, explica.

Até recentemente, ela ainda escrevia colunas para a revista Pais e Filhos, mas parou por falta de tempo. Em nenhum momento, porém, considera que abandonou o jornalismo. “Eu estou cada vez mais envolvida em um tipo de jornalismo que é pouco comum no Brasil: dedicado a uma causa.”

Mentoria inesquecível

Claudia se lembra de uma gerente de RH que ficou perplexa quando ela contou que é comum que pessoas com deficiência desistam de tentar ocupar as vagas disponíveis porque elas não são oferecidas com acessibilidade – além de nem sempre deixarem claro que as suas necessidades específicas de comunicação serão contempladas. “Expliquei como fazer isso e ela me agradeceu muito, dizendo que tomaria as providências imediatamente, o que resultou em mudanças na contratação de pessoas com deficiência”, afirma.