Fabiana Falcone cresceu em Olinda, Pernambuco, filha de um analista de sistemas que prestava serviços para o Banorte. Após a liquidação do banco em 1996, seu pai buscou uma oportunidade em Recife, mas a família acabou se mudando para o Rio de Janeiro em 1998.
Adolescente na época, Fabiana aproveitou o seu conhecimento em TI e começou a trabalhar como freelancer ‒ ou fazendo bicos, como se falava na época. Fabiana desenvolveu sites, ajudava as pessoas a fazer o imposto de renda pelo computador, uma novidade da época, enfim, de tudo. “Comecei a pegar gosto por essa história de usar computador para ganhar dinheiro”, conta. Foi então que, na época da faculdade, ela se decidiu por Engenharia da Computação.
Ocorre que, começado o curso na PUC-Rio, ela viu uma oportunidade de mercado que a fez repensar a carreira. “Era a época das privatizações das empresas de telecomunicação e as principais operadoras ficavam justamente no Rio de Janeiro. Eu estou aqui e o mercado está bombando. Como que eu vou fazer outra coisa que não seja isso?”, conta.
Fabiana, então, procurou especialização em Engenharia Elétrica com ênfase em telecomunicações e fez eletivas como marketing, gestão de pessoas e finanças, disciplinas que integravam o currículo de um programa de extensão em empreendedorismo, no qual se formou no mesmo ano em que concluiu a engenharia.
O seu estágio obrigatório foi como trainee de vendas na Avaya, empresa de infraestrutura para o mercado de call centers, em 2003. “Foi lá que eu me descobri como parte da área de negócios. Sempre soube que era uma vendedora que gostava de estratégia”, conta.
Ficou na Avaya até 2005, quando se tornou engenheira de vendas de tecnologia da multinacional chinesa Huawei, por dois anos. Depois, foi engenheira de vendas da Nortel, antes de se tornar gerente de contas da Cisco, em 2008. Em 2012, volta para a Avaya, agora na regional de vendas, cuidando das contas estratégicas.
Empreendendo
Fabiana comprou uma participação societária em uma startup sediada em Recife que havia desenvolvido um software de computação em nuvem. O início foi desafiador. “Eu não tinha dinheiro nem para pagar a conta de luz, mesmo trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas estava em um ponto sem volta”, lembra.
Tudo começa a mudar em 2018, quando ela e seus sócios fecharam um contrato com a Claro. “Era algo que ou você fazia na mão com 1 milhão de pessoas trabalhando ou pelo software. Para entregar a solução que eles precisavam, o nosso software era a melhor opção”, explica.
Esse foi o início da guinada que culminou, em 2019, com parte da empresa sendo vendida para a própria Claro. Fabiana continuou na companhia por mais três anos, executando o plano de negócios acordado no momento da venda.
No fim desse período, ela recebeu um desafio da operadora: ser diretora executiva e se reportar diretamente ao CEO da Embratel. “Quando iniciei minha carreira em telecomunicações, olhava para cima e não via outras mulheres no topo”, conta. Fabiana aceitou se tornar diretora de desenvolvimento de negócios de Cloud da Embratel em 2022 e os resultados foram positivos.
Construiu uma equipe do zero e sua área teve um forte crescimento. Depois de um ano e meio na função, ela decidiu mudar de ares. Fabiana conheceu o fundador do IT Forum, uma comunidade de relacionamento de TI. Ele idealizou um distrito de inovação dentro da Mata Atlântica, em São Paulo, e precisava de apoio e experiência de fora para avançar. “Eu me apaixonei por esse projeto e voltei a empreender junto com ele”, acrescenta.
Desde o fim de 2024, é a CEO do Distrito Itaqui. Ao longo dessa trajetória, Fabiana gostaria de ter tido a oportunidade de conversar com profissionais mais experientes, em especial, mulheres executivas. Ela conta que raramente teve profissionais de referência com as quais pudesse conversar em momentos difíceis. “Tem muita coisa que eu vivi que simplesmente da pessoa escutar e a gente trocar uma ideia ajuda demais… Funciona quase como uma terapia”, afirma.
Esse foi o caminho que se abriu para ela como mentora – oferecer o que não pôde contar na sua carreira. “Como eu posso, por meio das minhas experiências, contribuir com a pessoa e, ao mesmo tempo, aproveitar essa conexão para levar algo para mim também?”, questiona.
Mentoria inesquecível
Um dos seus mentorados estava dentro de uma empresa que estava passando por uma fusão. Novas equipes chegariam em pouco tempo e ele queria uma posição específica, mas não tinha certeza de como se relacionar com os executivos de mais alto escalão. “Essa me marcou bastante porque eu vi que tem coisas que parecem tão óbvias para quem está no dia a dia e você vê essa insegurança. Às vezes, a pessoa precisa apenas de um empurrão de coragem”, afirma. Ela tentou mostrar que era normal chamar uma reunião para falar sobre aquilo e o ajudou a fazê-lo de uma forma estruturada e profissional. “Hoje em dia nós nos seguimos no LinkedIn e eu fico muito orgulhosa de ver a carreira dele à distância”, diz.



