Visualize o seguinte cenário: você tem um bom emprego, entrega resultados e é reconhecido por isso.
À primeira vista, essa parece ser a situação que qualquer profissional almeja. Mas, por trás dela, cresce o sentimento de que a atividade exercida com maestria todos os dias deixou de fazer sentido. O cenário “ideal” pode camuflar questões que merecem atenção.
De repente, o que parecia certo revela apenas que você entrou no piloto automático, seguindo um caminho que parece correto, mas talvez não faça sentido para você.
Como seguir a partir daí? Como liderar outras pessoas quando não há coerência entre entrega e presença consciente?
Essa pergunta é o ponto de partida da reflexão que o mentor da Top2You Ricardo Ramos propõe em seu novo livro, Presença Sob Pressão.
A obra reúne reflexões de quatro décadas de um profissional que esteve no centro de decisões envolvendo organizações, carreiras e recursos públicos e percebeu que ser competente nem sempre basta.
A clareza de pensamento exige tempo e espaço para ser desenvolvida – algo que a rotina raramente oferece.
Como reconhecer os sinais
O cenário apresentado no início parece simples de identificar, mas a tomada de consciência nem sempre acontece de forma tão clara no dia a dia.
Reconhecer que se está vivendo e liderando de forma mecânica pode se tornar ainda mais complexo em meio a uma rotina exaustiva, liderando equipes grandes ou conciliando as demandas do trabalho com a vida pessoal e familiar.
Mas isso não significa que não haja sinais.
Entre os mais comuns, Ricardo destaca os internos, quando o corpo fica mais tenso, a fala acelera, a escuta fica mais curta e o humor muda de repente.
Há também os sintomas que aparecem na relação com a equipe: uma liderança menos disponível para ouvir, que adia conversas difíceis, posterga decisões e aumenta a necessidade de controle, comportamento que pode se manifestar até em microagressões.
E existe ainda um comportamento que o mentor identifica como o principal ponto de atenção: “Tem uma forma sutil, mas é a mais perigosa. A pessoa ouve, mas seleciona. Convoca todo mundo para debater, só que já limitou, sem perceber, o espaço do que pode ser dito. Valoriza a colaboração, desde que ela não mexa demais na própria posição”.
Esses comportamentos não vêm acompanhados de um alerta. Muitas vezes, aparecem antes mesmo de a pessoa conseguir identificá-los, e aí está o perigo.
Enquanto a liderança passa por esse processo sem perceber, as pessoas da equipe constroem a sensação de que não vale a pena buscar diálogo ou se expor. E, aos poucos, um ambiente dinâmico se transforma em um espaço contido.
“Se o erro sempre é tratado como ameaça, todo mundo aprende a esconder o que sabe. Se discordar incomoda o chefe, todo mundo aprende uma prudência defensiva”, finaliza.
Autoconhecimento como ferramenta de evolução
Se uma das propostas da obra é identificar os sintomas, outra é entender por que eles acontecem e, com isso, traçar um plano prático de mudança.
É aí que chegamos a um dos processos-chave dessa mudança: o autoconhecimento.
Ricardo Ramos parte de um método altamente conhecido e aplicado no desenvolvimento de lideranças, a mentalidade 70-20-10.
Na leitura que o mentor faz desse modelo, a proposta é que 70% do aprendizado venha da própria experiência, por meio de desafios, decisões difíceis e conversas que se escolhe adiar diariamente.
Os outros 20% vêm do contato com outras pessoas, por meio de mentorias, conversas que geram reflexão e feedbacks bem conduzidos. Os 10% restantes ficam com o estudo e a pausa formal para reflexão.
“Pode não parecer impressionante, mas é a disciplina e a repetição, sustentadas nos três pilares, que realmente deslocam um padrão”.
Nesse modelo, nenhum dos três pilares é acessório. Todos são necessários para criar espaço de aprendizado, seja pela experiência, pela troca com o outro ou pela reflexão.
“A gente vive numa cultura organizacional que trata conversa e a pausa como perda de tempo. Mas só viver não ensina sozinho. Você pode acumular anos de experiência e repetir o mesmo erro se nunca abrir espaço para alguém te devolver um olhar de fora”.
Esses hábitos se tornam motores de mudança quando deixam de ser conceitos e passam a orientar as ações do dia a dia, em uma decisão ponderada, na abertura para pedir e ouvir um feedback e na capacidade de reconhecer, ao fim de um dia difícil, que se agiu no automático.
O segundo que pode mudar uma decisão
As experiências que influenciaram a construção de Presença Sob Pressão surgiram de vivências pessoais em que Ricardo se viu diante de momentos delicados, profissionais e pessoais, e percebeu que desenvolver consciência é um processo sem atalhos, respostas rápidas ou zona de conforto.
A partir dessas situações, ele chegou a uma das principais reflexões do livro: a importância da pausa antes da reação. Esse instante permite que uma decisão seja tomada de forma mais intencional, em vez de apenas responder ao impulso do momento.
“É a ideia mais simples do livro e a mais desafiadora, porque não exige nenhum conhecimento novo, só um segundo de atraso entre o impulso e a resposta”.
Para Ricardo, essa pausa representa uma forma de romper com o padrão comum de decisões tomadas rápido demais, sem consciência sobre o que realmente está conduzindo a resposta. É um comportamento que ele identificou em si mesmo e que hoje consegue reconhecer e orientar em outros líderes.
“Um executivo que sustenta essa pausa já começa a decidir com outro tipo de presença. No fim, o livro defende exatamente isso, que conhecer-se não serve para admirar a própria interioridade, mas para viver e liderar com mais verdade”.
Presença Sob Pressão acaba de entrar em pré-venda e é um convite ao autoconhecimento como prática de aperfeiçoamento, não como algo glamourizado para autopromoção.
Você pode adquirir seu exemplar na Editora Brasport: https://go.top2you.net/re63th ou na Amazon: https://go.top2you.net/b2kn9r
O lançamento acontece no dia 10 de agosto às 19h, na Livraria Argumento – Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon, Rio de Janeiro.



