Formado em Engenharia de Alimentos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Keyvan Macedo poderia imaginar que iria construir a sua carreira em uma série de segmentos, menos um: cosméticos. Isso, contudo, foi exatamente o que aconteceu, com ele chegando a cargos de liderança na Natura.
Outra surpresa para Keyvan foi o tipo de atuação que teria. Depois de uma década trabalhando com desenvolvimento de produtos em setores que vão de indústria a alimentos, ele se viu no comando do departamento de sustentabilidade e cuidando de pesquisa e desenvolvimento.
O começo da sua trajetória, no entanto, foi bem comum, mas já indicava como a mudança seria constante na sua carreira. Ele competia por uma vaga na RMB Refinações de Milho Brasil, em 1999, no setor de embalagens. Keyvan e uma outra candidata foram escolhidos.
Sem intenção de perder os dois candidatos depois de cinco rodadas de entrevistas, a empresa optou por deixar o gerente escolher quem iria para embalagens e quem seria enviado para outro departamento. Keyvan acabou ficando em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Ele atuou nessa área por quase uma década. Primeiro na Unilever, como assistente de desenvolvimento de produtos, depois como engenheiro e analista até chegar à posição de coordenador em 2003.
Mudanças constantes
Keyvan muda para a Natura em 2005, contratado para implementar uma nova área de negócios, a linha Frutífera, com alimentos funcionais, como sopas, chás e cereais.
Estava há cerca de três ou quatro meses na empresa em um cargo de coordenador quando a sua gerente foi promovida. Ele se interessou pelo cargo recém-vago e deixou isso claro. A resposta o deixou decepcionado. “Eu falava: ‘Calma? Mas você também acabou de chegar e já foi promovida. Por que eu preciso ter calma e você não?’”, conta.
A antiga chefe explicou que sabia que ele era a pessoa certa para vaga, mas precisava que os seus colegas também percebessem para evitar questionamentos. E foi isso que Keyvan fez: continuou trabalhando e esperou. Em menos de um ano, ele foi promovido para gerente de pesquisa e desenvolvimento, cargo que ocupou entre 2006 e 2008. Sem nenhuma manifestação dos seus pares de ter furado a fila ou infringido alguma regra. “Aquilo foi uma lição”, afirma.
Em busca da sustentabilidade
Nem tudo foi positivo, contudo. A área nova não deu certo, mas como ele tinha experiência em implantar novos negócios e conhecia os processos da empresa, Keyvan foi chamado para uma área nova: sustentabilidade. Ele se tornou gerente de segmento em 2010. “Foi uma transição de carreira bem pouco planejada, mas muito assertiva. Era para eu ficar 18 meses, acabei ficando mais de 15 anos em sustentabilidade”, afirma.
A sua principal missão era integrar o relatório de sustentabilidade da empresa com o modelo de negócios. Keyvan entendeu, rapidamente, que não haveria sustentabilidade se ela não entrasse por todas as áreas e fizesse parte do planejamento estratégico. Sem ser uma preocupação de toda a corporação, as metas nunca seriam batidas. “E era interessante como várias vezes você dava exemplos e as pessoas começavam a ver que a área delas tinha processos diretamente ligados às metas e aos compromissos de sustentabilidade da empresa, mas não conseguiam fazer a associação”, diz.
A atuação em sustentabilidade dentro da Natura, como gerente, gerente sênior e depois diretor, atraía a curiosidade de profissionais, tanto internos quanto externos, interessados no assunto. Foi assim que ele começou a praticar mentorias. Como costuma acontecer nesses casos, as mentorias começaram informais, com bate-papos em meios a cafés ou depois do almoço, mas já indicaram para Keyvan que as mentorias estariam em seu futuro.
Para fora, o LinkedIn era a principal ferramenta para entrar em contato com pessoas que, por exemplo, estavam fazendo mestrados ou doutorados no tema e queriam usar a Natura como exemplo.
Quando deixou a Natura para ser diretor de sustentabilidade da Nemady, em 2024, e depois head de negócios globais da WayCarbon, no ano seguinte, passou a atuar com mais ênfase com as mentorias. Keyvan destaca o caráter único das mentorias, algo bem diferente das aulas que ele dá na Escola de Negócios Trevisan, no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e no Instituto Mauá de Tecnologia. “Na aula, você necessariamente precisa passar conteúdo técnico, mas nas mentorias está tentando transferir uma vivência que sirva como aprendizado para a pessoa”, explica.
Mentoria inesquecível
Keyvan teve uma mentorada que estava no setor de calçados e queria fazer uma transição de carreira. Por coincidência, ele estava fazendo um projeto dentro dessa mesma empresa como consultor e conhecia o time inteiro de sustentabilidade. Sugeriu que ela conversasse com uma pessoa da área para tentar a transferência. A conversa aconteceu, mas a vaga pedia alguém mais sênior do que ela. Na sessão de mentoria seguinte, Keyvan achou que a conversa seria sobre os caminhos dentro da empresa de calçados, mas teve uma surpresa. “Ela tinha trocado de empresa e eu não tinha tanto conhecimento sobre a companhia nova como tinha da antiga. De qualquer jeito, dei as dicas que tinha e fiquei feliz por ter ajudado o momento de mudança de carreira dela”, conta.



