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Mentores Fora de Série: Pedro Werneck

Por top2you

A história de Pedro Werneck é única em um sentido: nem sempre um empreendedor, com histórico de fundar empresas em série e desenvolver a área de vendas, acaba destinando boa parte da sua carreira a focar em um bem social.

Mas foi isso que aconteceu, quando Pedro colocou tudo o que sabia para criar o projeto de sua vida ‒ o Instituto da Criança, que fundou nos anos 1990. Filho mais velho de quatro irmãos, cresceu no Rio de Janeiro cercado por exemplos de presença e comprometimento. Do avô paterno, educador, herdou o gosto por contar histórias. Da avó, empreendedora, aprendeu que “tudo é possível quando há organização, determinação e união de pessoas”, nas palavras de Pedro.

Ainda na adolescência, teve a influência de figuras inspiradoras, como a do seu mestre e professor de jiu-jitsu Hélio Gracie, que lhe ensinou a importância da disciplina e do equilíbrio – físico, emocional e familiar – para encontrar a felicidade.

Um (jovem) empreendedor em série

A vocação empreendedora apareceu cedo para Pedro. “Aos 13 anos, eu já organizava informalmente a primeira pequena empresa e meus clientes costumavam ser meus amigos. Eu e meus irmãos reformávamos pranchas e skates, produzíamos luminárias e vendíamos, além de dar aulas de ginástica. Sempre tive essa necessidade de produzir”, conta.

Enquanto se graduava em Administração de Empresas na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, foi contratado como assistente comercial na SulAmérica. Tinha 18 anos, mas aproveitou a experiência para conhecer o funcionamento interno de uma grande corporação e os seus vários departamentos. A vocação de Pedro, contudo, não era a vida corporativa, pelo menos não como funcionário.

Dois anos depois, ele saiu da empresa ao decidir que era o momento de abrir uma loja de roupas, cofundando a loja Sandpiper. Apesar do desafio, ele teve sucesso empreendendo e se encontrou. Pedro começou, então, a desenvolver novos empreendimentos em série: imobiliária para administração de imóveis e venda de lotes, e, posteriormente, uma fábrica de camisetas promocionais. Antes de tudo isso, Pedro ainda encontrou tempo para fazer a gestão de lojas da marca feminina Nolaço.

Instituto da Criança

Uma preocupação que apareceu logo cedo para Pedro, além da vontade de empreender, foi com a questão social brasileira, em especial relacionada com a infância. Em 1994, a partir de um movimento com seus irmãos, Pedro toma a decisão de criar o Instituto da Criança. Inicialmente, a ideia era apenas realizar algumas ações sociais pontuais em temas que ele considerava importantes, fazendo a conexão de empresas e pessoas com empreendedores sociais.

Pedro levou para o terceiro setor as boas práticas de gestão que havia aprendido ao longo dos anos como empresário: organização de processos, planejamento estratégico e a capacidade de articular parcerias. A organização passou a oferecer consultoria estratégica de responsabilidade social e gestão de investimentos sociais privados para empresas.

Sob sua liderança, o Instituto firmou parcerias com organizações como Vale, TotalEnergies, NTS, TAG, Petrobras e XP, mobilizando centenas de milhões de reais em recursos. Projetos como a construção de 74 casas para famílias atingidas pelas chuvas de 2011 em Petrópolis, a gestão de recursos para ações de saúde na pandemia (por meio do movimento União Rio e União BR) e a distribuição de botijões de gás para 65 mil famílias em 2022 são algumas das ações realizadas pelo instituto.

Hoje, o Instituto da Criança conta com cerca de 50 colaboradores diretos, mais de 60 projetos sob gestão, além da presença em 24 estados, atuando em apoio a empreendedores sociais em suas comunidades.

Mentoria com escuta e articulação

Com o avanço da sua carreira, Pedro descobriu que outra coisa que gosta de fazer é compartilhar experiência. E, por isso, o universo das mentorias era o próximo passo lógico. Pedro gosta de se definir como “articulador social”: alguém que conecta pessoas, ideias e competências para criar soluções coletivas. “Não me vejo como especialista técnico, mas como um gestor de competências alheias. Consigo observar as qualidades dos outros e extrair o melhor resultado delas”, resume.

A escuta ativa é seu pilar para as mentorias: “O primeiro passo é ouvir com atenção de verdade e registrar o que o outro tem a dizer”, afirma. Suas mentorias partem da premissa de inspirar para a ação. “Todo mundo pode fazer algo a favor do próximo, mas nem todos param para pensar que podem”, diz.

Mentoria inesquecível

Pedro se recorda de um caso de um jovem empresário que o procurou após assistir a uma palestra do Instituto da Criança. O rapaz se dizia sensibilizado, mas, angustiado, não sabia por onde começar a contribuir socialmente. “Ouvi atentamente e apresentei formas concretas de engajar sua empresa e seus recursos em causas relevantes”, lembra. Meses depois, o mentorado voltou com resultados palpáveis: tinha implementado um programa de apoio a famílias em vulnerabilidade e mobilizado sua rede de contatos para ampliar o impacto. “Servir e ser útil ao próximo é um privilégio que expande o sentido da nossa própria existência. Quando ajudamos a transformar a vida de alguém, estamos também transformando a nossa”, acredita.