Desde pequeno, Sergio Domanico gostava de acompanhar a sua mãe ao supermercado. Muito mais do que comprar doces, o menino Sérgio era apaixonado pelas embalagens, logotipos, propagandas. “Eu me interessava demais pelos lançamentos de produtos, e não eram só doces ou brinquedos. Eu ficava de olho na televisão e prestava mais atenção nos comerciais do que nos programas”, relembra.
Foi com isso em mente que ele escolheu a sua carreira, marketing. Mas, além de gostar da área, Sergio percebeu que iria precisar de disciplina e resiliência para ter sucesso na sua futura vida corporativa. Essas habilidades, ele conta, foram tiradas do esporte. “Foi com a natação que eu aprendi a me dedicar e a lidar com a frustração ‒ porque, na maioria das vezes, a gente não chega no pódio.”
Uma carreira de transformações
Sergio se formou em Administração pela Fundação Getulio Vargas e iniciou sua trajetória corporativa na Johnson & Johnson, como estagiário. Pouco tempo depois, em 1992, ele assumiu seu primeiro cargo como gerente de produtos na Bombril, onde trabalhou com construção de marca e gestão de portfólio na empresa. Mas ele não iria ficar muito tempo nas mesmas posições e indústrias.
Em 1996, ingressou na HP, num momento em que a venda de computadores no varejo ainda estava começando e o mercado brasileiro era incipiente e dominado pela pirataria. Depois de um período de sucesso, por três anos,
Sergio migrou para a Danone, onde assumiu a gestão de produtos na área de iogurtes saudáveis. “Era uma oportunidade de consolidar tudo que eu havia aprendido em uma empresa que realmente investia em marketing”. Ali ficou por quatro anos, até se transferir para a Kraft Foods, como gerente de marketing na área de bebidas, cuidando de marcas como a Maguary, em que ficou por pouco mais de dois anos.
Logo em seguida, foi convidado por um ex-colega da Danone para trabalhar na Faber-Castell, onde atuou com produtos de escritório e presentes, por quase quatro anos ao todo. Em 2009, deu mais um salto de área ‒ agora para o setor de mídia ‒ e assumiu a diretoria de marketing da Warner Bros, na divisão de licenciamento.
A partir daí, mergulhou em um novo universo: passou pela Paramount, liderando a transição dos DVDs para o streaming, e, posteriormente, foi convidado pela Fox para ocupar o cargo de vice-presidente de marketing na televisão. Durante a pandemia, fundou uma consultoria de branding e marketing, que liderou por quase três anos.
Em 2022, retornou ao mercado executivo como CEO e diretor comercial da KidZania ‒ um parque infantil de profissões que existiu no Shopping Eldorado, em São Paulo. Desde então Sergio presta consultorias para empresas internacionais interessadas em entrar no Brasil, e também lidera a área de Parcerias e Patrocínios do LeaderX, uma rede de networking com mais de 5.000 C-level’s, baseada em economia colaborativa.
Mentoria: um espaço para fazer a diferença
Com uma carreira marcada por mudanças radicais e adaptações em série, Sergio se tornou um mentor procurado por profissionais em fase de crescimento ou que precisam aprender a lidar com um cenário corporativo em constante mudança. “As pessoas me procuram porque enxergam que transitei por vários setores e querem entender que movimentos podem fazer para crescer também.”
Para ele, o segredo da mentoria não é oferecer respostas prontas: elas são impossíveis. “É sobre abrir caixinhas mentais e buscar conexões que ajudem o mentorado a ver suas questões sob novas perspectivas”, explica. Pela experiência de Sergio, muitas vezes a pessoa está tão imersa na própria rotina e nos seus problemas que não consegue enxergar além. “Como passei por diversos mercados, atuei em várias posições, consigo trazer visões diferentes, o que enriquece a conversa”, afirma.
Sergio vê o processo de mentoria como uma troca enriquecedora. “Sinto que entro na empresa do mentorado, conheço um novo cenário, identifico as ferramentas disponíveis e ajudo a desenvolver as que ainda faltam. É um exercício de estratégia, escuta e construção conjunta”, acrescenta.
Mentoria inesquecível
Sergio relembra o caso de um jovem da área de marketing de uma empresa de telecomunicações que estava se sentindo estagnado. Ele notou logo que o profissional, ainda muito jovem, não sabia como buscar conhecimento por meio do networking. “Ele me contou que queria saber mais sobre mídias sociais. E eu perguntei: ‘Você já ligou para o Google, falou que trabalha em uma empresa líder de telecom e queria passar um dia lá aprendendo sobre mídia social?’ E ele nunca tinha pensado nisso”, conta. Sergio acredita que é comum as pessoas ficarem acomodadas ou congeladas nas suas situações e desistem de buscar soluções fora da empresa. “Poxa, sua companhia fatura bilhões, você acha que o Google não está interessado em você?”, reforçou. A mentoria, para Sergio, é fundamental para que os funcionários entendam que eles não precisam esperar pela empresa dar treinamento, oferecer uma nova tecnologia, ou algo assim. “Eu gosto de usar a mentoria para dar esse chacoalhão e mostrar que, muitas vezes, a solução para a sua carreira ou o seu negócio não está dentro da empresa, necessariamente”, conta. O jovem rapaz entrou em contato com empresas de mídias sociais e conseguiu aprender mais sobre o setor.



