Garantir a melhor educação aos filhos sempre foi a prioridade para os pais de Gaspar Carreira Júnior. Vindo de uma família de classe média baixa em Ramos, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, Gaspar sempre estudou em escolas particulares na capital fluminense. Foi graças a isso que ele conseguiu cursar a faculdade de Economia na Universidade Candido Mendes entre 1986 e 1989. Foi esse o primeiro passo da carreira, sempre em finanças, de um profissional que atuou sete anos pela Coca-Cola Andina do Brasil e quase 20 anos na operadora Oi – em que entrou como coordenador e saiu como diretor de Serviços Financeiros da companhia.
Carreira diversificada
Em 1992, pouco depois de concluída a graduação, Gaspar foi contratado pela Rio de Janeiro Refrescos, responsável pela fabricação, engarrafamento e distribuição da Coca Cola no estado fluminense. Dois anos depois, a empresa foi comprada pela Embotelladora Andina, do Chile, que mais tarde se tornou a Coca-Cola Andina. Foi ali que ele deu os seus primeiros passos – entrando como analista e saindo como coordenador da área de orçamento. “Foi minha primeira grande escola”, relembra.
Depois de sete anos na área, Gaspar sabia que estava na hora de buscar novos ares. Era o momento do boom da telecom no país, após a privatização de várias estatais do setor, e, em 1999, ele recebeu a proposta para trabalhar na Telenorte Leste, uma holding de telefonia fixa com empresas de 16 estados do Norte, Nordeste e Sudeste brasileiros – incluída a Telerj. “Ninguém entendeu, todo mundo me chamava de maluco. Mas foi a melhor decisão”, afirma.
O principal atrativo era o desafio profissional, além da melhora financeira, já que as estatais, agora empresas privadas, precisariam se reestruturar para acabar com a ineficiência na empresa que seria rebatizada como Telemar. Um dos primeiros desafios que enfrentou foi a centralização de toda a operação financeira, que estava espalhada por 16 estados, com uma cultura muito defasada e com variações regionais profundas. O trabalho foi árduo, mas recompensador e cumpriu as expectativas do profissional.
Surge a Oi
A Oi surgiu em 2002, a partir do leilão das frequências das bandas D e E promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 2009, a empresa adquiriu a Brasil Telecom e passou a ter atuação nacional. Foi exatamente nesse período que Gaspar finalmente chegou ao cargo de diretor.
Na época, seu diretor tornou-se vice-presidente e defendeu o nome dele para a posição anterior. Foi aprovado. Com o novo cargo, ele precisava trazer toda a operação financeira da Brasil Telecom para o Rio de Janeiro em seis meses. Mais uma vez, o desafio era cultural e técnico. As empresas tinham processos diferentes e formas de atuar distintas. “Preservei muito as duas culturas”, diz. “Tentei ter dentro da minha diretoria financeira as duas visões, mesclando equipes e gerentes”.
Outro momento importante na trajetória de Gaspar foi a terceirização de processos. Na proa da movimentação, ele definiu o que seria terceirizado e quem ficaria na Oi. “Foi um grande desafio. É preciso cuidado para não enfraquecer a companhia e ainda reduzir custos”, destaca. ele chegou a ter mais de 1.000 pessoas sob sua gestão, entre funcionários próprios e terceiros, comandando cinco gerentes diretos e doze indiretos.
O seu ciclo terminou na fase de recuperação judicial da Oi. Ele resolveu sair quando percebeu que questões fora de seu controle e intransponíveis o impediam de ser escolhido para uma posição mais alta.
Mudança de rota
Em 2019, mesmo em seu período sabático, ele decidiu que era a hora de empreender. Gaspar criou a GC Experts, focada na melhoria da gestão de pequenas e médias empresas, e passou a ser sócio do Celint ‒ Centro de Estudos em Liderança e Governança Integrais, uma empresa de desenvolvimento de governança corporativa e formação de conselheiros. E a isso se somaram a sua própria atuação em conselhos e as mentorias, tanto na Top2You como no grupo Mulheres do Brasil. “Tenho prazer imenso em ajudar as pessoas a terem aquilo que não tive formalmente na minha carreira, para que elas possam atingir mais rápido os seus objetivos”, diz. Para ele, a mentoria é um processo fundamental que exige muito de quem ouve e dá conselhos. “Se você não for um pouco de psicólogo, de filósofo e tudo o mais, você não ajuda ninguém”, afirma.
Mentoria inesquecível
Uma das mentorias que Gaspar destaca foi a de um contador de 32 anos, que trabalhava em uma empresa do varejo. Humilde, o rapaz tinha vontade de crescer, mas tinha vergonha de se expor. Nesse caso, o caminho foi focar na sua postura pessoal. “Era um rapaz que não olhava nos olhos, só para baixo. Assim não tem como”, conta. Após muitas conversas, o jovem mudou de postura, melhorou o modo de se vestir e praticou oratória. “Com essa nova personalidade, ele começou a fazer alianças com seus colegas e participar de comitês de governança. Aos poucos, ele aumentou o seu networking e ficou mais reconhecido na empresa. Foi da água para o vinho”, conta.



