Henrique Vailati se considera um profissional de recursos humanos plural. Formado em Administração de Empresas pela FAAP em 1997, ele trabalhou em diversos segmentos e acumulou inúmeras experiências, e cadeiras.
A sua história profissional começa como estagiário de vendas e marketing da Pirelli, ainda na época da faculdade. Depois, ele foi estagiário e trainee da Reckitt, SulAmerica Seguros e Banco Itaú enquanto terminava a sua formação acadêmica. Concluído o curso, ele se tornou coordenador de programa de inovação do banco holandês ABN AMRO – no momento em que ele havia acabado de comprar o Banco Real. “Participei da primeira grande fusão de um banco privado no Brasil. Foi um momento importante e eu aprendi muito”, lembra.
Em 2001, concluiu um MBA em marketing pelo IBMEC. “A formação com um MBA em marketing é fundamental para ganhar mais profundidade e falar de igual para igual com a área de negócios”, afirma.
Um importante mentor
Pouco depois disso, quando tinha cerca de 28 anos, Henrique passou por um momento decisivo em sua carreira. Queria ter um novo desafio e trocar de emprego, mas o processo de entrevistas não ia bem. Ele não conseguia se encaixar e projetar o seu futuro, sofrendo para entender quais seriam suas perspectivas de carreira.
Naquele momento, conta Henrique, ele sabia que gostava de trabalhar com recursos humanos, mas tinha uma abordagem muito diferente da maior parte do setor. Ele se via como alguém mais pragmático, mais direto ao assunto, o que poderia ser entendido como um sintoma de falta de elaboração. “Acho que essa abordagem mais direta e menos conceitual me colocava um pouco fora da caixinha dos executivos de recursos humanos”, diz. A orientação de um outro executivo de RH, que já era coach e mentor naquela época, foi essencial para orientá-lo. “Ele foi um cara que me ajudou muito a pensar e encontrar caminhos. Um conselho importante que ele me deu foi encontrar uma área em que essa abordagem fosse valorizada”, conta.
Henrique, então, trocou o setor bancário pela indústria farmacêutica em 2003 como coordenador de desenvolvimento organizacional da Novartis. Lá, fez a sua carreira desde “gerente de RH de fábrica”, como diz, a diretor de remuneração e benefícios para a América Latina e Canadá, passando por gerente de RH e comunicação interna da unidade de produção química da empresa e parceiro de negócios sênior de recursos humanos. Após 12 anos na Novartis, Henrique se tornou diretor corporativo de RH e comunicação interna da Becton Dickinson. Voltou ao segmento farmacêutico como diretor de RH, de comunicação corporativa e de compliance da Roche durante cinco anos e diretor de RH por mais um.
Momento de transição
Após uma experiência na Caldic, multinacional holandesa de produtos químicos, passou por private equity e afirma que o seu atual momento é de transição de carreira. Na sua nova fase, atua como consultor de empresas e carreira, apoiando pessoas e modelos de negócio. “A minha carreira culminou com aquilo que eu sei fazer de melhor, que é ajudar as pessoas a pensarem sobre a carreira delas”, afirma. Henrique conta que isso sempre aconteceu organicamente com ele dentro das empresas em que trabalhou e, agora, vai se dedicar a essa atuação.
Henrique destaca que a sua nova fase o ajuda a se conectar com pessoas de outros mercados e a ganhar acesso a experiências diferentes, aprendendo com profissionais de outras verticais. “É uma via de mão dupla. Os desafios têm muito em comum, mas cada experiência é única. também para o meu próprio trabalho”, explica. Para ele, a função de um bom profissional de recursos humanos não é “passar a mão na cabeça” dos funcionários. Quando necessário, é preciso ser direto, mas sem perder o respeito.
Lembra uma vez em que estava terminando o contrato de um colaborador que fez alusão a nunca ter tido discussões dentro da empresa. “E eu pensei naquele momento: então você nunca teve relações humanas. Discordar é importante, trazer pontos de vista diferentes é importante e eventualmente criar algum tipo de conflito é importante. Faz parte do processo de aprendizado”, afirma.
Mentoria inesquecível
Henrique foi mentor de um jovem executivo financeiro de uma gigante farmacêutica que tinha muitas perspectivas de carreira. Ele tinha acabado de ser promovido para uma posição sênior e queria comemorar. No momento da sessão, o pai havia saído para comprar um carro com o dinheiro do novo emprego. “De repente, ele recebe uma ligação: o pai havia sofrido um infarto e morrido. Foi um choque, foi um daqueles momentos que fazem você repensar sua vida”, diz. O maior medo do mentorado era perder os pais, e agora que isso havia acontecido, o que o impedia de correr atrás das coisas que queria? “O luto dele também era o meu luto e eu também me coloquei a pensar. As coisas são muito perecíveis. Nós somos perecíveis”, afirma. Depois de alguns meses, ele foi morar no exterior pela empresa, mas depois optou por empreender e hoje mora na Alemanha.



