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Mentores Fora de Série: José Renato Domingues

Por top2you

Nem todas as carreiras de sucesso começam com tudo dando certo. José Renato Domingues, 54 anos, viu a sua se iniciar com uma grande decepção. Ele sonhava em fazer Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), mas não conseguiu passar no concorridíssimo vestibular. Não desistiu depois do primeiro fracasso e tentou de novo, com um ano de cursinho nas costas. “Fiquei em 122º de 120 vagas. Chorei a tarde inteira”, lembra.

A sua segunda opção era Engenharia Mecatrônica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Foi aprovado nesse curso e decidiu arriscar. E foi por essas linhas tortuosas que ele construiu a sua carreira bem-sucedida.

Em 30 anos, José Renato fundou uma consultoria que criou com amigos da faculdade e atuou como executivo de grandes empresas, como Novelis, Tigre e Eletrobrás – tudo isso sem nem concluir a graduação. Mais recentemente, ele começou a atuar em conselhos e como mentor.

Não desenhou aviões, de fato, mas encontrou o seu caminho ao ensinar as empresas a funcionarem melhor e aprendeu a montar equipes de alto desempenho. Filho caçula de uma família com sete filhos, ele aprendeu desde pequeno a dividir o espaço e a respeitar as diferenças. “Todo mundo tinha uma história para contar e opiniões de todo tipo”, diz. “Isso sempre foi um estímulo muito grande para me interessar pelo que diziam, para ser curioso”. 

Estudar e empreender

No primeiro ano da faculdade, José teve aulas com o professor Clemente Greco, que levava profissionais da área para que os estudantes conhecessem as diversas áreas. Depois de conseguir um estágio no escritório dele, ele descobriu que o seu caminho não era ser engenheiro, mas que adoraria trabalhar com consultoria.

Mais tarde, mudou para o curso de Engenharia Química e começou a trabalhar na empresa júnior da Poli. A experiência foi tão boa que, depois que terminou, ele e mais quatro amigos decidiram criar a própria empresa antes mesmo da graduação. Nascia a Zumble, uma consultoria em educação organizacional.

O método adotado era o descrito no livro A Quinta Disciplina, de Peter Senge, que acabava de ser publicado, no início da década de 1990. Para aprender a implementar as mudanças propostas da melhor forma possível, o grupo se dividiu e cada um passou três meses em Boston, nos Estados Unidos, para ficarem próximos de Senge e do Organizational Learning Center do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

A ideia decolou e José abandonou a faculdade para se dedicar exclusivamente à Zumble. “Já tinha o exemplo do Bill Gates, que nunca tinha se formado, e falei: ‘Vamos ser Bill Gates! Ele não precisa do diploma’”, brinca. José ainda chegou a cursar administração na ESPM por um tempo, mas acabou abandonando a faculdade também, já que o poder de atração do mercado foi maior.

A Zumble cresceu e, 11 anos depois de criada, os sócios receberam uma proposta e decidiram vendê-la para a DBM (hoje LHH). José ficou depois da aquisição por mais três anos, ajudando a empresa a ampliar o seu portfólio de serviços. Foi então que um dos clientes da DBM, a International Paper, o convidou para trabalhar como diretor de recursos humanos da empresa para a América Latina. Foi o seu salto para se tornar executivo.

Depois de quatro anos, se tornou vice-presidente de RH da Novelis, do setor de alumínio. O passo seguinte foi assumir a área de inovação do grupo Tigre e a Tigre Água e Efluentes. Ocupou depois a vice-presidência da CTG Brasil, uma empresa de energia de capital chinês. E em seguida ele ficou por dois anos como vice-presidente da Eletrobrás, logo após a privatização da empresa. Paralelamente, começou a atuar em conselhos de administração e a realizar mentorias. 

Sem medo de pedir ajuda

Ao longo da sua carreira, José sempre se inspirou em lideranças que admirava e nunca deixou de procurá-las para se aconselhar. Ele teve uma série de mentores informais que o ajudaram a dar os passos seguintes em sua trajetória, como Vicky Bloch, Otto von Sothen e José Augusto Figueiredo. “Eu nunca tive medo de ir atrás de alguém e falar assim: ‘Me ajuda aqui, como eu faço isso?’”, garante. É essa combinação da curiosidade com disponibilidade que é o motor das suas mentorias. “Eu me interesso pela história das pessoas. Gosto de saber quem elas são, de onde vêm e quais são os seus valores”, explica. Com isso, consegue entender qual é a situação em que o mentorado se encontra e por que precisa de ajuda naquele momento. Tudo isso ajuda a dar um direcionamento caso a caso. 

Mentoria inesquecível

Uma das mentorias mais especiais de José ocorreu com um diretor de uma empresa de telecomunicações de 39 anos. Ele queria falar da sua carreira, mas acabou contando sobre como usava seu celular para fazer a gestão de mais de 120 mil terceirizados, garantindo que eles fizessem os cursos necessários. A abordagem surpreendeu José, que nunca tinha visto algo tão inovador. Quando entrou na Eletrobrás, ele contratou o mentorado para cuidar dessa área na empresa.