Maranhense de São Luís, surfista desde a adolescência e inquieto por natureza, Luiz Faray cresceu unindo curiosidade intelectual a uma vocação prática para criar pontes entre tecnologia e negócios.
Viveu em dez cidades pelo Brasil, formou-se engenheiro, tornou-se mestre em telecomunicações e, ao longo de mais de duas décadas e meia, migrou da engenharia de campo para posições de liderança, inovação e, também, para a mentoria. Hoje, atua no Google ajudando empresas a desenhar e executar jornadas de transformação com impacto real.
Ainda adolescente, começou a trabalhar no escritório de advocacia da família. A rotina de office boy, o convívio com gente de todas as realidades e a autonomia precoce o moldaram. Na universidade, escolheu cursar Engenharia Elétrica na Universidade Federal da Paraíba e emendou o mestrado em Telecomunicações na Unicamp, em Campinas.
Mudou-se para São Paulo e iniciou sua carreira na Alcatel, em 1999, num momento de expansão da telefonia móvel no Brasil. Em menos de dois anos, veio um convite da Embratel, no Rio de Janeiro, para trabalhar com soluções de dados via satélite – experiência técnica que mais tarde lhe daria gabarito para conversar de igual para igual com especialistas e executivos.
A solidificação da carreira
Seu ciclo mais longo numa empresa começou em 2002, na Oi, onde ele ficaria os 17 anos seguintes. Começou como engenheiro de pré-vendas no Rio, assumiu a gerência de pré e pós-vendas no Nordeste, passou pelo marketing em São Paulo e, por fim, dirigiu a área de TI para clientes B2B durante a recuperação judicial da companhia. “Eu cheguei a ter, em quatro anos, seis presidentes”, lembra.
Foi também ali que descobriu sua vantagem competitiva: a combinação de profundidade técnica com presença comercial. “O cliente não me via como alguém que estava querendo empurrar um produto. Ele confiava em mim”, conta.
Na fase final, já como diretor, liderou uma equipe de 72 pessoas e virou porta-voz público de novos negócios em meio à turbulência. Mas nem tudo deu certo. Após liderar o lançamento de um produto que vendeu zero unidades, foi estudar lean startup, design sprint e prototipação – conceitos que aplicaria em gigantes da tecnologia, nos anos seguintes.
Novos papéis
Esgotado pelo ambiente que demandava sempre resultados de curto prazo, Luiz decidiu sair da Oi em 2018. Virou professor de várias faculdades, incluindo a FGV, onde leciona até hoje Inovação Digital. Acumulou também experiências como mentor e recebeu um convite para trabalhar na IBM.
Ao longo de cinco anos, transitou entre desenvolvimento de negócios multissetor, telecom e entretenimento, até fundar uma “garagem tecnológica” na companhia, onde passou a estruturar processos para cocriar produtos com clientes e testá-los no mercado, usando técnicas de sprint e validação rápida.
Em 2023, surgiu uma oportunidade única: trabalhar no Google como consultor de inovação. “Estou no paraíso, porque todas as práticas sagradas do mercado nasceram ali. E eu sou o cara que leva para os clientes os processos mais inovadores, pensados a partir das práticas do Google”, resume.
Mentoria: desconforto com propósito
A filosofia de Luiz como mentor nasce de dois pilares: primeiro, a busca consciente pelo desconforto, que “gera inovação e nos faz crescer”; segundo, provocar-se até elevar a qualidade das perguntas. “Eu adoro quando um mentorado diz: ‘Nossa, eu não tinha pensado nisso antes’. Quer dizer que, da conversa, estão surgindo novas hipóteses e possíveis soluções para os problemas da pessoa”, conta.
Outro princípio recorrente que ele busca levar aos mentorados é o “protagonismo de carreira”. Para Luiz, é preciso existir um equilíbrio entre fazer o “pão com manteiga” pedido pela empresa e criar espaço na agenda para experimentar, inovar e ser dono da própria carreira.
Mentoria inesquecível
Luiz faz questão de destacar uma mentoria que ficou na sua memória pelo desdobramentos que teve na vida do mentorado. Era um líder de uma empresa do Sul do Brasil que o procurou para discutir tecnologia e inovação. “Ele estava estruturando o laboratório de inovação da empresa. O desafio extra é que era uma companhia enorme, mas de cunho familiar”, conta. Logo no início das sessões, o mentorado lançou inúmeras perguntas sobre o tema. Aos poucos, Luiz foi mostrando o que nem sempre é visto ao se falar de adoção tecnológica, como cultura da organização, liderança e, até, a própria estrutura da organização. “Ele percebeu que o trabalho dele não era só sobre tecnologia, era muito mais sobre o que está ao redor”, acrescenta. Tempos depois, o mentorado mandou relatos das conquistas que teve depois que investiu em sensibilizar os líderes e mudar a cultura da empresa. “O impacto foi prático da mentoria, fiquei muito feliz”, completa.



