A carreira de Patricia Bobbato parecia estar decidida desde a infância. Aos 10 anos, ela queria ser pediatra. Como sempre foi boa aluna em Curitiba (PR), o caminho não parecia impossível. “As minhas médias eram altas, achei que dava pra passar no vestibular”, lembra.
O vestibular, contudo, se mostrou um enorme desafio e, depois de quatro tentativas, ela não conseguiu passar. Na última, ela também prestou Psicologia e entrou na Universidade Tuiuti do Paraná. E aí começava a sua jornada. “Me apaixonei pela psicologia. Entendi que o que eu precisava fazer era cuidar da alma das pessoas, não do corpo”, destaca.
Em busca de um objetivo
Patricia começou a estagiar na Volkswagen no quarto ano. O período na montadora foi uma escola, conta. Já no primeiro ano de companhia, Patrícia passou a trabalhar no desenvolvimento de lideranças. “Ali eu falei: é isso que eu quero fazer na minha vida”, conta, ao se lembrar como se descobriu na área, em recursos humanos.
No segundo ano de casa, a chefe que a contratou deixou a empresa e, no seu lugar, entrou uma profissional que vinha da Alemanha. Em pouco tempo, ela montou uma empresa de talentos dentro da montadora com abrangência nacional, o que, segundo Patrícia, era impressionante não só pelo tamanho do projeto em si, como, também, pelo desafio extra que representava para a própria equipe de recursos humanos. “A gente fazia os processos seletivos e de desenvolvimento para todas as unidades do Brasil. Com isso, tive a experiência de trabalhar em processos seletivos de 10 mil pessoas ‒ e contratar cerca de 1 mil”, diz.
Depois de cinco anos na Volkswagen, ela foi para a Sadia, ainda em Curitiba, como analista de recursos humanos. Mas, no mesmo ano, apareceu a chance de se mudar para São Paulo para ser consultora de RH no Banco Ibi. Ela foi.
Dois anos depois, ela migrou para a C&A, que passava por uma grande transformação na época. Na varejista, ela começou como consultora de RH e terminou como gerente de desenvolvimento e treinamento. Nesse período, tornou-se mãe de Maria. Ao deixar a C&A, foi contratada pela Pernambucanas para atuar em uma posição semelhante e ficou menos de um ano na empresa.
Patricia, então, decidiu voltar para Curitiba para ficar mais próxima da família. No meio do caminho, contudo, ela conseguiu um emprego em Joinville (SC), para trabalhar no Grupo Tigre. Era o início de uma jornada de uma década na empresa, começando como gerente de desenvolvimento organizacional, depois como gerente de liderança, cultura e comunicação interna e, por fim, como diretora de pessoas, comunicação interna e sustentabilidade. “A gente ficou entre as dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil, fomos a quinta melhor na Bolívia e a quarta melhor na Argentina”, conta.
Foi no decorrer desse período que Patricia começou a atuar como mentora. Quando ela saiu da Tigre, em 2024, foi contratada pela Natura como diretora de cultura, desenvolvimento, bem-estar e DE&I. “É uma empresa que tem resultados financeiros impressionantes, mas é muito focada no desenvolvimento de pessoas”, afirma. Além disso, Patricia também atua como conselheira consultiva e participa de um podcast sobre RH.
Questionamentos direcionados
A formação como psicóloga está presente nas mentorias de Patricia, especialmente nas provocações que ela faz aos profissionais. “Gosto de provocar para que a pessoa saia da zona de conforto”, explica. No final do encontro, ela também tem o hábito de montar um plano de ação. Ela pergunta para o profissional o que pode ser feito em um determinado período, a partir do que foi conversado na mentoria. Muitas mulheres procuram sua ajuda por ela ter conseguido tocar sua carreira com equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Com mais de 170 mentorias feitas, Patricia afirma que existem alguns temas predominantes. Entre os mais jovens, na faixa de 20 a 30 anos, a questão recorrente costuma ser como trabalhar com um time, construir confiança e ser líder.
Nesses casos, ela recomenda livros que considera indispensáveis, como Os Cinco Desafios das Equipes, de Patrick Lencioni, Great Leader to Work, de Cauê Oliveira, e Pipeline de Liderança, de Ram Charan. Já entre as lideranças, a maior dificuldade está em lidar com cargos superiores e com seus times.
Ao compartilhar experiências, indicar materiais de apoio e provocar reflexões, Patricia ajuda os mentorados a encontrarem soluções práticas para os seus questionamentos. “Meu propósito de vida é poder ajudar o desenvolvimento das pessoas”, destaca.
Mentoria inesquecível
Patricia foi mentora de uma médica, de cerca de 40 anos, que atuava em uma grande empresa de saúde. Ela estava passando por um difícil processo de mudança de gestão no trabalho e via a nova equipe como tóxica. “Ela estava a ponto de pedir demissão”, lembra. Mas, ao longo das mentorias, a profissional se surpreendeu ao perceber que poderia se recolocar dentro da mesma empresa, em outra função, sem precisar lidar com o time que a afligia. Em cinco sessões, as duas exploraram possibilidades e a mentorada conseguiu mudar de área. Agora, tem sucesso na nova função.



