O caminho de Patrícia Coimbra não foi dos mais comuns. Ela se formou em Tecnologia da Informação, depois em Economia, trabalhou em diversos setores e, depois da pós-graduação em Marketing e Educação Executiva em Cultura Digital, conseguiu chegar até head de pessoas, cultura e ESG. Mas nenhum desses passos aconteceu por acaso.
Ao contar sua história, Patrícia celebra com entusiasmo o ambiente plural em que cresceu. Nascida em uma tradicional família carioca, ela conviveu dentro de casa com perfis variados: professor, geógrafa, doutora em bioquímica, piloto de caça, dentista e professor de ioga. A tudo isso, soma-se o fato de que a maioria das mulheres da família sempre trabalhou fora de casa. Para ela, isso foi um fator decisivo para buscar a independência profissional desde cedo.
O início na TI
Patrícia escolheu cursar Tecnologia da Informação na PUC-Rio não apenas por interesse, mas também por estratégia: as aulas noturnas permitiriam que ela trabalhasse durante o dia e tivesse independência financeira.
O seu primeiro emprego foi na Shell, em 1989, atuando em TI como assistente de planejamento. Rapidamente, se interessou por temas ligados à estratégia de negócios. De olho nas perspectivas de carreira e interessada no tema, ela começou a sua segunda graduação: Economia.
Com a nova graduação, a sua ascensão foi rápida. Em cinco anos, Patrícia já ocupava o cargo de head de planejamento financeiro na empresa. A familiaridade com diferentes áreas da organização a levou a novos desafios e ela foi convidada a atuar com capacitação, reestruturação organizacional e consultoria em recursos humanos. Foi o momento em que Patrícia achou a sua vocação: “Gosto do RH porque a matéria-prima dessa área é gente, e seres humanos são sempre muito complexos. É algo que traz situações novas e contextos desafiadores”.
Após nove anos na Shell, Patrícia foi para a Ceras Johnson, empresa do setor de higiene e limpeza, onde permaneceu por 13 anos, sendo dez como diretora de recursos humanos. Em 2010, contudo, ela se viu em um dilema. Patrícia poderia crescer na organização, mas precisaria mudar para o exterior. Com duas filhas pequenas e o marido no Brasil, ela preferiu permanecer no país. Assim, topou se reinventar e começou a atuação em um outro segmento: telecom.
Na Oi, assumiu a diretoria de desenvolvimento de talentos, conectada ao RH. Dois anos e meio depois, seguiu para a SulAmérica, onde atuou por uma década e chegou à posição de vice-presidente. Mais recentemente, teve uma breve passagem pela vice-presidência da Cielo e, em seguida, aceitou seu atual desafio: a diretoria de gente e cultura da porto.
Sem medo de mudar
Ao longo da carreira, Patrícia transitou por diferentes setores: petróleo, indústria química, telecomunicações, seguros, tecnologia… As mudanças não a intimidaram. Pelo contrário, ela vê nas mudanças oportunidades de aprendizado. “Acredito que fiz boas escolhas. E, em geral, eram organizações com estruturas sólidas e visão de longo prazo: Shell, Ceras Johnson, SulAmérica, Porto… São empresas com uma agenda estratégica robusta em pessoas”, afirma.
Patrícia destaca que, mesmo que a sua carreira não tenha tido um desenvolvimento linear, com cada passo milimetricamente planejado, ela acredita que os recorrentes encontros com o inesperado a ajudaram a ser uma gestora melhor. Quanto ao futuro, ela admite não fazer muitas projeções: “Vivo de acordo com uma frase que acho ótima: a gente não se preocupa com a colheita se está sempre plantando”.
Mentoria com troca
No papel de mentora, Patrícia se define como prática e direta: “As pessoas geralmente querem ouvir minhas experiências reais. Então, evito falar em teorias ou autores – prefiro compartilhar situações do dia a dia, o que vivi e aprendi”. Ela conta que não segue um método fixo, monolítico.
A cada mentoria, Patrícia diz que começa como uma tela em branco. “Gosto de ouvir atentamente, fazer perguntas, refletir junto com a pessoa”, conta. Depois disso, ela compartilha histórias que podem ajudar na elaboração de soluções. “Às vezes, sugiro possibilidades, mas nunca dou respostas prontas. Nem nas mentorias, nem em casa com as minhas filhas. As escolhas, e as consequências delas, são de cada indivíduo”, afirma.
Mentoria inesquecível
Patrícia relembra da série de mentorias que fez para mulheres em uma grande mineradora. “Algumas dessas lideranças femininas trabalhavam nos setores de máquinas pesadas, em equipes muito masculinas e experientes”, relembra. Além disso, havia um desafio cultural, já que a atuação não era nas grandes metrópoles brasileiras, mas em cidades menores, em regiões com muito menos diversidade e abertura para mulheres nesse tipo de cargo. “Essas mentorias me marcaram muito pela coragem dessas mulheres. A maioria delas estava em momentos de ascensão na carreira, muito preocupadas se dariam conta da responsabilidade”, relembra. Patrícia afirma que, depois de ouvir e dar o apoio, ela adorou ver essas profissionais tendo sucesso.



