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Mentores Fora de Série: Priscila Coelho

Por top2you

Quando uma empresa decide se juntar a outra, a incerteza avança sobre todos funcionários. Todo mundo já leu sobre as consequências de fusões e aquisições e, na companhia, as perguntas começam a aparecer: quais vão ser as sinergias? Teremos demissões em massa?

Ao longo de seus 40 anos de trajetória em recursos humanos, Priscila Coelho encontrou esse desafio repetidas vezes e se tornou uma especialista em conduzir fusões com técnica e sensibilidade. “Fusões costumam olhar mais para o lado financeiro e acabam esquecendo as pessoas. É sempre um desafio cuidar do lado humano no meio de todo esse processo”, relata. Para ela, contudo, não dá para pensar em um caminho mágico que resolva todos os problemas, é tudo caso a caso. “É preciso sentar com a liderança e conversar sobre para onde a empresa está caminhando”, afirma. 

Psicóloga de formação

Os primeiros passos profissionais de Priscila foram na sua graduação em Psicologia, pela PUC do Rio de Janeiro. No início, ela trabalhava em clínica, atendendo pacientes psiquiátricos com diversos tipos de doenças psíquicas. Segundo ela, a escuta terapêutica contribuiu para que ela desenvolvesse uma escuta ativa e empática que continua trabalhando para manter viva mesmo nas suas funções dentro das corporações.

Nos anos 1980, ela ingressou na então Companhia Vale do Rio Doce, onde teve seu primeiro contato com recursos humanos. Priscila foi contratada para trabalhar na construção de uma indústria no interior do Pará e teve a oportunidade de entrar em contato com uma cultura até então desconhecida por ela. “Esse foi um passo importante para desenvolver minha habilidade de navegar por culturas bastante diferentes, sem deixar de ouvir ninguém”, acredita.

Na sequência, ela foi para a Golden Cross e viveu o primeiro de muitos processos de fusão que encontraria. Na ocasião, a empresa estava em uma fase agressiva de aquisições, comprando diversos outros players menores do setor da saúde, além de hospitais de grande porte.

Foi nesse período que Priscila afirma que ganhou experiência não só em F&A, mas também nas reestruturações que viu em vários momentos da sua carreira. Segundo ela, diversos projetos criados ou apoiados por ela voltados à cultura corporativa, ao clima organizacional e programas de apoio à recolocação de profissionais foram fundamentais para diminuir o impacto de uma mudança desse tamanho. Quando foi contratada, Priscila entrou em uma Golden com 22 colaboradores; ao se desligar, no fim dos anos 1980, a empresa já tinha 23 mil.

No centro das fusões bancárias dos anos 90

Após esse período, Priscila passou a atuar no mercado financeiro, no início dos anos 1990. No Banco Nacional, ocupou a posição de gerente executiva de Recursos Humanos. Ela destaca que era um dos primeiros lugares a colocar os profissionais de RH dentro das áreas de negócio. “Isso criava uma integração muito mais efetiva, conectava pessoas e estratégias”, diz.

Seu grande desafio veio com a compra do Banco Nacional pelo Unibanco e a recolocação dos funcionários na estrutura de seu sucessor. Ela atuou no processo de fusão de culturas. No final da década, outra fusão complexa chegou nas mãos de Priscila, com a compra do Banco Real pelo grupo holandês ABN Amro.

Como diretora de RH do banco, ela liderou um dos primeiros projetos de coaching corporativo no Brasil, voltado especificamente aos cerca de 150 altos executivos da organização. “Encerrei a vida corporativa pela experiência no mercado de tecnologia, onde minha missão, bem-sucedida, foi realizar a mudança cultural da organização para uma cultura voltada para o mercado e seus clientes”, conta.

Mentora ou algo mais?

Atualmente trabalhando em sua própria consultoria, Priscila não se vê exclusivamente como consultora, mentora, coach ou psicóloga. Segundo ela, a sua função é de tudo um pouco. Ela é certificada como Executive Coach pelo ICI (Integrated Coaching Institute) e encontrou na mentoria um caminho natural de continuidade profissional. “A minha experiência me trouxe para a mentoria. Se não fosse essa trajetória, não teria condições de doar conhecimento e aproveitar a melhor experiência da minha vida”, revela. Em suas sessões de mentoria, Priscila não oferece fórmulas prontas sobre o que fazer ou deixar de fazer. Seu foco está em como fazer – na forma como as ações são executadas e nos caminhos possíveis. “Não adianta saber só o que fazer se você não souber como”, pontua.

Mentoria inesquecível

Priscila se lembra de uma jovem profissional que chegou na sessão bastante insegura. “Ela tinha medo de tudo. Apesar do seu conhecimento técnico, ela não conseguia se posicionar, falar em público, nada”, lembra. A mentora conta que o segredo foi notar que a insegurança não era só do ambiente profissional, mas era uma questão pessoal que estava invadindo todas as esferas da sua vida. “Em nossa conversa, tentei trazer segurança. Fiz com que ela entendesse que medo é algo totalmente normal”, conta. Depois de várias dicas práticas e diversas dicas, Priscila conta que o treinamento deu resultado e ela controlou seu nervosismo.