Março chega e, com ele, as pautas sobre mulheres dominam.
Nós, aqui na Top2You, defendemos que diversidade, equidade de gênero, liderança feminina e parentalidade não podem ficar restritas a um mês do ano. Ainda assim, março amplia o holofote. Ele cria espaço na agenda e gera visibilidade.
Mas o que fica quando março acaba?
O diagnóstico não é animador.
A Todas Group, consultoria especializada em carreiras de mulheres, ouviu os RHs de 50 grandes empresas e apurou que mais de 65,5% discutem liderança feminina apenas no mês de março. Pior: para três em cada quatro companhias, as ações nunca ou raramente geram desdobramentos ao longo do ano.
O impacto dessa superficialidade é evidente. No Brasil, segundo levantamento da Diversitera, apenas 35% dos cargos de gerência executiva, diretoria e C-level são ocupados por mulheres.
Não é uma questão de competência, nem de vontade de chegar à alta liderança. O que falta é estrutura, continuidade, ferramentas de desenvolvimento e, muitas vezes, a figura de uma mulher líder que sirva de referência.
Onde uma mulher chega, outras podem chegar
Quando mulheres ocupam posições de gestão, não são apenas os números que mudam, mas a percepção do que é possível.
Isso é representatividade na prática: oferecer uma imagem concreta de futuro.
Conversamos com cinco mentoras Top2You e todas elas contam que tiveram outras mulheres que abriram caminhos e apoiaram suas jornadas.
Jac Lopes, Diretora de Marketing e mentora de marca pessoal, teve alguém na sua entrada no mercado digital que a ajudou a reconhecer o impacto que sua história de vida e experiência profissional poderiam gerar na vida de outras pessoas.
Micheline Torres, especialista em Liderança Consciente & Alta Performance Sustentável, lembrou de uma mentora que a marcou pela coragem e comprometimento em praticar o que propagava em discurso.
Margareth Cardoso, psicoterapeuta com mais de 25 anos de experiência no Brasil e no exterior, fala de Helena McDonnell e Shawna Kelly Shelor, líderes de RH em ambientes majoritariamente masculinos. A primeira a ajudou a aprender como se posicionar e a navegar em diferentes cenários. A segunda a encorajou a acreditar em sua capacidade de realizar e liderar sem medo.
Para Lara Bezerra, primeira mulher presidente da Bayer na América Latina e que conquistou o mesmo feito na Câmara de Comércio Alemanha-Venezuela, uma das referências mais fortes foi Christa Kreuzburg, executiva da Bayer da Alemanha, que a incentivou a praticar sua autenticidade e a continuar reforçando o papel das lideranças no cuidado com as pessoas.
Já a principal mentora de Patricia Mirilli, executiva com mais de 30 anos em RH, Finanças, Planejamento e Marketing, vem de casa. Sua mãe sempre valorizou a formação acadêmica, a profissão e a independência financeira. Isso moldou Patricia e a impulsionou como pessoa e profissional.
Por fim, Marisa Salgado, executiva de RH, conselheira de lideranças e embaixadora no Brasil do Pacto Global da ONU, cita Carla Kadomoto como alguém que a ajudou em seu caminho de autoconhecimento.
As experiências das nossas mentoras mostram que quando uma mulher ocupa um espaço de destaque e dá apoio para quem chega depois, ela reorganiza o imaginário e os desejos das outras.
“Eu não conseguiria me imaginar avançando tanto quanto avancei sem uma figura feminina tão destacada e competente, dizendo pra minha mente, coração e ambição: ‘se ela pode, eu também consigo’”, confirma Micheline.
Marisa Salgado complementa trazendo evidência: pesquisas em psicologia social mostram que modelos de referência influenciam diretamente a visão de futuro, desempenho e senso de pertencimento.
A conexão com outras mulheres também pode representar a oportunidade de dividir dilemas, medos e desafios.
Lara Bezerra observa que, muitas vezes, as mulheres têm mais facilidade para compartilhar vulnerabilidades, e isso é um caminho para se conectar em um nível mais profundo no ambiente de trabalho. Para a mentora, essa conexão pode mudar completamente a maneira como se enxerga o trabalho.
Patricia Mirilli traz como exemplo a chamada “hora certa” da maternidade. “Estar em contato com mulheres que conseguem conciliar bem a maternidade e a carreira traz alívio e segurança para muitas executivas”, explica.
Esse “alívio” reduz insegurança, amplia clareza e fortalece decisões.
Afinal, quando uma mulher mais experiente compartilha como atravessou um ambiente predominantemente masculino, como negociou uma promoção ou como estruturou sua vida pessoal e profissional, ela não está apenas contando uma história. Está oferecendo mapa. Está encurtando caminhos.
Bom para mulheres. Bom para negócios
Existe ainda uma percepção equivocada de que promover liderança feminina é uma agenda apenas social ou reputacional. As próprias mentoras desmontam essa visão.
Segundo Micheline, há impactos significativos para os negócios, sendo os principais a diversidade cognitiva, a visão sistêmica e a capacidade de regulação de estímulos — competências que contribuem para decisões mais equilibradas e sustentáveis.
Além disso, ela destaca que o desenvolvimento de lideranças femininas dialoga diretamente com o novo modelo de gestão corporativa exigido pela NR-1 e pela mitigação de riscos psicossociais.
Jac defende que a liderança feminina também eleva a escuta ativa e a capacidade de compreender o outro. Para ela, essa sensibilidade transforma relações, fortalece equipes e cria ambientes mais colaborativos. “Empresas que valorizam isso crescem de dentro para fora, com mais consciência, pertencimento e impacto real”, afirma.
E Margareth reforça a dimensão estrutural: “Geralmente, as mulheres trazem uma visão de mais longo prazo e de decisões mais sustentáveis ao longo do tempo.”
Liderança feminina = inteligência organizacional
Se a diversidade nas cadeiras de liderança traz tantos ganhos, o que falta para as empresas saírem da lógica que resume o investimento em equidade a painéis, eventos e comunicações pontuais?
Duas palavras ajudam a responder essa pergunta: intencionalidade e continuidade.
O que transforma carreiras de verdade é ter acesso a pessoas experientes ao longo da jornada. É poder dividir dúvidas com alguém capacitado antes de uma decisão crítica. É encontrar quem já percorreu parte do caminho e pode oferecer novos olhares. É poder trocar com alguém que já chegou onde você sonha em chegar.
A mentoria consolida esse processo.
E quando ela é tratada como infraestrutura de desenvolvimento — com espaço protegido, diversidade de perfis de mentores e acesso recorrente — deixa de ser evento e passa a ser alavanca.
Se queremos mais mulheres em posições estratégicas, precisamos de ações contínuas, referências e mecanismos de apoio.
Março pode abrir a conversa. Mas a liderança feminina exige permanência.
Na Top2You, contamos com uma curadoria diversa de mentores e mentoras C-level, todos preparados para apoiar profissionais com diferentes perfis, momentos da carreira e desafios.
Se a sua empresa quer que março seja o início — e não o fim — de um compromisso real com liderança feminina, estamos prontos para construir essa infraestrutura com você.



