Qual é o seu propósito?
Para algumas pessoas, a resposta está na ponta da língua. Para outras, só a pergunta gera um imenso desconforto.
Etimologicamente, “propósito” vem do latim propositum: aquilo que se coloca adiante, um objetivo posto diante dos olhos.
Ouvimos com frequência que esse “alvo” é o que dá sentido à vida e que, no trabalho, seria o combustível para resiliência, produtividade, realização pessoal e impacto.
O problema é quando quem não consegue definir seu propósito com clareza começa a questionar o valor do que faz e do que vive.
Lara Yumi Tsuji Bezerra, executiva multinacional, Chief Purpose Officer e fundadora da WorkCoherence, traz esse ponto ao lembrar uma conversa com um colaborador: “Essa pessoa me disse: ‘Lara, você fala tanto de propósito, eu fico com vergonha porque eu não acho que tenho um propósito de vida’. Eu respondi que todo mundo tem um propósito, mas pode não ter descoberto ou conversado com alguém que ajudasse a entendê-lo.”
Os enganos mais comuns sobre propósito
Grande parte da angústia em torno do tema vem de dois equívocos recorrentes.
O primeiro é tratar propósito como uma resposta que precisa ser descoberta, e não construída.
O segundo é acreditar que ele precisa ser obrigatoriamente grandioso.
Essas duas premissas, combinadas, criam uma barreira difícil de sustentar na prática.
É por isso que Hugo Bethlem, executivo com mais de 40 anos de experiência, cofundador e presidente do Conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, é direto ao desconstruir essas crenças.
“Os dois dias mais importantes da nossa vida são o dia que a gente nasce e o dia que a gente descobre o que veio fazer aqui. Mas esse dia não é um só. Ele é dinâmico, é evolutivo”, ele diz.
Essa leitura muda a discussão.
Se o propósito evolui, então a falta de clareza não é um problema a ser corrigido, mas um estágio natural.
Mais do que isso: diferentes momentos da vida demandam respostas diferentes. Um propósito que faz sentido no início da carreira pode não fazer algumas décadas depois.
“E você não precisa fazer algo gigantesco para ter propósito. Você pode começar pelo principal propósito do ser humano, que é servir o outro. Estar disponível para contribuir, colaborar”, explica Hugo.
Lara complementa: “Propósito é aquilo que tem significado real para você. Pode ser ligado à família, educação, justiça… é saber que o que você está fazendo tem um significado.”
Um dos caminhos que Hugo traz ao refletir sobre propósito é o conceito japonês de ikigai, que organiza essa busca a partir da interseção entre quatro dimensões: o que você ama fazer, o que o mundo precisa, aquilo pelo qual você pode ser remunerado e o que você faz bem.
Mas o executivo faz uma ressalva importante: “Nem sempre vai ser possível combinar todos os fatores em todos os momentos da vida, mas você vai ajustando isso e, com o tempo, chega lá.”
Essa visão tira o peso de encontrar uma resposta perfeita e definitiva. No lugar da pressão por um encaixe ideal, entra a possibilidade de construção contínua, mais realista e sustentável ao longo da trajetória.
Propósito e o trabalho
Relacionar propósito e trabalho não significa dizer que o trabalho é o centro da existência humana. Mas ignorá-lo nessa equação também não faz sentido.
Se o trabalho ocupa uma parte relevante da vida — em tempo, energia e decisões — é natural que ele se torne um dos espaços onde o propósito pode ganhar forma.
Lara Bezerra traduz: “Eu uso a minha empresa como uma ferramenta para entrega do meu propósito individual e, ao mesmo tempo, os líderes da organização encontram uma estratégia onde esse propósito se alinha com o propósito da empresa.”
Esse alinhamento depende de um nível de clareza que ainda é raro: organizações que sabem qual é o seu propósito (não apenas como discurso, mas como direção real) e lideranças capazes de traduzir isso para o dia a dia.
Essa é, inclusive, uma das ideias centrais do livro Rehumanizing Leadership, de Sudhanshu Palsule e Michael Chavez.
Os autores defendem que propósito e empatia precisam deixar de ser conceitos periféricos e passar a estruturar a forma como as organizações operam. Isso inclui decisões, relações e, principalmente, a forma como os líderes se comunicam e dão contexto para o trabalho.
Eles sugerem que o propósito seja trabalhado a partir de duas direções: de fora para dentro — considerando o impacto da organização no mundo — e de dentro para fora — conectando isso com o que mobiliza as pessoas.
Quando elas se encontram, as pessoas se mantêm mais engajadas porque enxergam direção. São mais produtivas porque reconhecem o impacto. E encontram mais satisfação porque conseguem conectar o que fazem com o que acreditam.
Hugo reforça: “A união entre o propósito do negócio e o propósito das pessoas ajuda os colaboradores a encontrarem sentido e significado no fazer”.
O papel das conversas na construção do propósito
Lara e Hugo não tratam propósito como uma resposta que se encontra, mas como algo que se constrói, com ajustes, revisões e, principalmente, reflexão.
E esse tipo de reflexão dificilmente acontece no isolamento.
Ela surge em conversas qualificadas com quem já percorreu caminhos diferentes, enfrentou dilemas parecidos e consegue ampliar a forma como você enxerga o que está vivendo.
É esse o papel da mentoria. Não trazer respostas prontas, mas ajudar a dar clareza ao que ainda está sendo criado.
Se você quer levar esse tipo de discussão para a sua empresa e criar espaço para que seus talentos e lideranças tenham conversas sobre propósito, liderança, cultura e outros temas, Lara Bezerra e Hugo Bethlem são mentores da Top2You e estão disponíveis para apoiar o desenvolvimento de líderes por meio de mentorias estruturadas e conversas de alto nível.
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