Top2You | Mentoria de alto impacto

Estamos de cara nova, mas se preferir a versão clássica, clique aqui   |   New interface, click here for classic version

Saúde mental e leveza digital

Por top2you

Existe um paradoxo no trabalho contemporâneo: nunca falamos tanto sobre saúde mental e nunca estivemos tão sobrecarregados.

As empresas investem em programas, campanhas e discursos bem-intencionados. Ao mesmo tempo, muitos dos comportamentos nocivos são socialmente aceitos. Em alguns contextos, são até valorizados

Carlos Eduardo Bretos, executivo global com mais de 25 anos de experiência, especialista em transformação digital com uso de IA e mentor Top2You, exemplifica: “A expectativa de resposta imediata, mesmo fora do horário de trabalho. A ideia de que estar sempre disponível é sinônimo de comprometimento. Reuniões em excesso, muitas vezes sem clareza de propósito. O consumo contínuo de notícias ruins, que é tratado como obrigação cívica”.

Não se trata apenas de excesso de trabalho, mas de excesso de estímulos. 

Fora do expediente, o cenário não muda muito. A comparação constante nas redes sociais, o hábito de preencher qualquer intervalo de silêncio com uma tela e a dificuldade de sustentar o ócio prolongam esse estado de alerta, mesmo nos momentos que deveriam ser de descanso.

“Vivemos imersos em fluxos constantes de informação, comparação e urgência. Isso gera sobrecarga cognitiva, ansiedade difusa e uma sensação permanente de atraso”, diz Carlos. 

Quando esse padrão se prolonga, ele deixa de ser apenas uma questão individual e passa a impactar diretamente o trabalho, as relações e os resultados das organizações.

O mito da produtividade

Há uma falácia profundamente enraizada no mundo corporativo: mais estímulo gera mais produtividade. Na prática, o efeito costuma ser o oposto.

A mente humana não foi desenhada para operar em múltiplas frentes o tempo todo, pulando de uma coisa para outra sem tempo para elaborar, integrar e decidir com clareza.

Cada interrupção tem um custo cognitivo. Toda troca de foco fragmenta o pensamento e exige energia adicional para retomar o raciocínio. Assim, a sobrecarga favorece erros, aumenta o retrabalho e fragiliza a qualidade das decisões

A longo prazo, isso afeta o clima organizacional, o engajamento e os resultados. Cuidar da atenção das pessoas hoje é uma decisão estratégica, não apenas um tema de bem-estar. Menos pressa e mais presença é o que está faltando”, explica Carlos. 

Nesse contexto, práticas como o detox digital costumam surgir como tentativa de correção. Mas o mentor faz um alerta importante: “Vejo o detox digital como um respiro, não como solução definitiva. Ele pode ser muito útil para recuperar sensibilidade, perceber excessos e lembrar como é estar presente sem mediação constante. Mas, se for vivido como algo radical e temporário, corre o risco de virar apenas uma pausa entre dois excessos.”

É por isso que Carlos propõe que o ponto central não esteja na pausa em si, mas em rever a forma como convivemos com a tecnologia.

A leveza digital aplicada ao dia a dia

Se falamos de sobrecarga, o caminho alternativo, naturalmente, é buscar mais leveza. 

Para o executivo, a leveza digital não tem a ver com rejeição à tecnologia, nem com uma tentativa ingênua de voltar a um mundo integralmente analógico. “O convite é recuperar a autoria sobre a nossa atenção, sobre o nosso tempo e sobre a nossa presença. É escolher quando, como e para quê nos conectamos. É perceber quando a tecnologia amplia a vida e quando começa a ocupá-la em excesso”, ele diz. 

E algumas mudanças simples já trazem efeito. Reservar momentos do dia sem tela, especialmente ao acordar e antes de dormir. Reduzir notificações ao essencial. Definir horários de resposta no trabalho. Fazer pausas reais, sem substituí-las por mais tempo de rolagem no celular.

Bretos destaca que o ponto central está em observar os efeitos do uso da tecnologia. Ela pode gerar presença ou dispersão, conexão ou vazio. “Cada pequeno ajuste, cada limite colocado com cuidado, é também um gesto de cuidado com a saúde mental, com as relações e com a qualidade do trabalho que entregamos ao mundo”, afirma.

E não existe leveza digital sustentável sem revisão de práticas de liderança

Não adianta falar de bem-estar no trabalho se o modelo implícito continua exigindo disponibilidade total, resposta imediata e falta de descanso.

No dia a dia, são as lideranças que ajudam a definir o que é aceitável. O discurso importa, mas o exemplo importa mais.

É no cotidiano que as pessoas aprendem se podem desligar quando tiram férias, silenciar notificações depois do trabalho ou tirar um tempo para pensar antes de responder uma pergunta do gestor. 

É nos gestos aparentemente pequenos que se estabelece se o descanso e o afastamento das telas é legítimo ou apenas tolerado

Por isso, o convite final do mentor da Top2You não é para culpar ou demonizar a tecnologia, mas para ampliar o olhar. “Observe seus próprios hábitos, sem culpa e sem rigidez. O que pode ser simplificado? O que pode ser silenciado? O que realmente merece a sua atenção?”, propõe. “Talvez aí comece não apenas uma relação mais saudável com a tecnologia, mas uma forma mais consciente de estar no mundo.”