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Mentores Fora de Série: Ana Paula Malvestio 

Por top2you

De secretária a sócia global de uma das maiores consultorias do mundo, de executiva no coração do agronegócio a conselheira e mentora de líderes de grandes organizações, Ana Paula Malvestio construiu uma carreira marcada por coragem, resiliência e propósito. Sua trajetória passa por escolhas ousadas, superação de barreiras em um ambiente corporativo masculino e uma dedicação incansável para abrir caminhos para a diversidade e a inclusão.

A história de Ana começa em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde cresceu em uma família simples, mas que valorizava a educação acima de tudo. Seu pai, tendo apenas o ensino fundamental, conseguiu entrar na Polícia Militar e estudou até chegar a subtenente. Sua mãe, formada em Contabilidade, abriu mão da carreira para cuidar dos filhos.

Nesse contexto, Ana sempre brilhou como aluna dedicada, colecionando notas 10 inclusive na faculdade de Direito que cursou. Foi ainda na faculdade que sua trajetória profissional ganhou rumo inesperado. Ao descobrir que a Price Waterhouse (hoje PwC) procurava uma secretária, decidiu se candidatar, mesmo sem conhecer a consultoria.

O que parecia apenas uma oportunidade modesta virou um marco: em seis meses, passou de secretária a primeira trainee mulher do escritório. “Sempre gostei de aprender e de ouvir pessoas que se tornaram relevantes em suas áreas e, desde criança, eu também queria ter voz, queria ser alguém que as pessoas quisessem ouvir”, relembra.

Para isso, Ana teve que aprender a ter resiliência e a conquistar espaço de escuta e respeito no setor de agronegócio, que não tinha muito espaço para mulheres. Os desafios foram motores para ela seguir em frente e conquistar respeito com os resultados apresentados e a postura colaborativa. “Sempre procurei ver o lado bom das pessoas. Isso me permitiu crescer sem ficar amarga”, conta.

Promovida rapidamente, em 2003 tornou-se sócia da PwC, um marco para uma mulher em um setor à época tão resistente à presença feminina. 

Diversidade e inclusão: um chamado pessoal

Em 2013, ela assumiu a liderança global de diversidade e inclusão na empresa. Foi pioneira na implantação de políticas inovadoras, defendendo a presença de mulheres em cargos de liderança e a inclusão de pessoas com deficiência. Para Ana, diversidade não é apenas justiça social, é também condição essencial para gerar inovação e fortalecer a cultura das organizações. “Não é só o certo a se fazer; são práticas transformadoras que geram resultados”, explica. Políticas concretas de apoio a mães, pais e pessoas com deficiência foram algumas das iniciativas que ela ajudou a implantar nessa cadeira. Cinco anos depois, mudou-se para Nova York com suas duas filhas e 12 malas. Longe da rede de apoio que tinha no Brasil, precisou se reinventar. “Sou uma pessoa bem melhor depois disso”, resume. Durante a pandemia, em 2020, enfrentou a Covid-19 isolada em casa para proteger a filha diabética – experiência que a levou a repensar suas prioridades.

O novo ciclo: governança e mentoria

De volta ao Brasil, iniciou um novo capítulo, pediu sua aposentadoria antecipada, pois entendeu que seu ciclo como executiva tinha se encerrado. Hoje, atua em conselhos e comitês de empresas que entendem o valor da governança corporativa e dedica-se à mentoria de executivos.

Para ela, mentoria é também compartilhar vulnerabilidades e experiências reais: “Eu quero me conectar verdadeiramente com as pessoas, e isso só acontece se souberem quem eu sou, de onde eu vim e como tracei a minha trajetória de vida. É preciso também compartilhar nossas dores”, explica.

Ao longo de mais de três décadas, Ana aprendeu que a liderança não está em ter todas as respostas, mas em sustentar decisões com coragem, mesmo na incerteza. Para ela, legado é preparar sucessores e crescer junto com o time.

Hoje, resume sua trajetória em uma palavra: coragem. Ou, como gosta de dizer, nas palavras de Cora Coralina: “Fiz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores”. No papel de mentora e consultora, ela continua a plantar sementes de diversidade, de governança e de confiança, ajudando empresas e pessoas a florescer em meio às constantes transformações do mundo.

Sua contribuição, no entanto, vai além da esfera corporativa: ela inspira novas lideranças e, ao compartilhar suas experiências, mostra que a verdadeira liderança nasce quando coragem e propósito se encontram. 

Mentoria inesquecível

Uma das mentorias mais marcantes feitas por Ana foi a de um homem de cerca de 40 anos que tinha um cargo mediano na empresa onde trabalhava, desproporcional à sua experiência, às suas realizações e ao seu preparo. “Ele tinha uma formação intelectual sólida”, lembra. Poderia já ter se tornado diretor de sua área, mas dizia que não queria isso e que queria atuar com sustentabilidade. Durante a mentoria, Ana percebeu que o problema era outro. “O pai mostrou a ele que era pecado ter ambição”, diz. Ela explicou para o mentorado que o poder, quando bem exercido, é um instrumento de transformação e que ele poderia mudar a vida de outras pessoas e fazer o bem. “Ele entendeu a confusão em que havia se metido e saiu convencido de que não tinha de mudar de área e que tinha que se apropriar daquilo que era dele, a diretoria de sua área”, salienta.