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Mentores Fora de Série: Antonio Kriegel 

Por top2you

No primeiro passo da sua vida profissional, Antonio Luiz Silva Kriegel, 70 anos, se viu com um problema. Ele conquistou a sonhada vaga no curso de Administração na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, mas seu pai, mecânico de carros, não iria conseguir pagar toda a mensalidade nem a estadia na capital.

Por isso, ele teria que viajar diariamente de Campinas, sua cidade natal, para a capital paulista. Nesse percurso, que levava duas horas e meia de trem, ele aproveitava para estudar. O caminho foi arrumar um emprego em uma agência de publicidade pela manhã, fazer seu curso de tarde e voltar tarde da noite para casa. O mentor vê essa decisão como algo fundamental que marcaria a sua carreira. “Essa experiência me deu uma tenacidade e uma vontade de vencer muito grandes”, diz.

Antonio teve uma carreira de destaque com passagens em várias empresas importantes. Ele foi gerente de marketing da Colgate/Palmolive, diretor de marketing e, depois, presidente da Pepsi no Brasil, vice-presidente de marketing e vendas do jornal O Dia, onde viveu uma experiência gratificante e que lhe deu sucesso em um mercado muito diferente.

Mais tarde, foi VP mundial de inovação da Unilever, o que lhe permitiu assumir uma posição de presidente na companhia para as regiões do Caribe e da América Central. Foram os últimos cargos até a retirada, em que ele planejou tudo cuidadosamente para continuar ativo. 

Começo difícil até engrenar

Só que a carreira bem-sucedida não se deu sem dificuldades. Logo depois de concluir a faculdade, ele conseguiu uma oportunidade para trabalhar na Ciba-Geigy, multinacional suíça dos setores químico e farmacêutico, para ser gerente de produto. Ocorre que a empresa adquiriu outra e, com a fusão, Antonio achou que tinha talento ‒ e mais capacidade ‒ para assumir as funções do novo chefe. “Fiquei sem emprego, com o casamento marcado. O jeito foi cancelar tudo”, relembra.

Conseguiu se recolocar quatro meses depois, na Brastemp. Sua experiência não foi muito positiva, uma vez que a empresa estava estruturando seu departamento de marketing e a necessidade de aprender e realizar de Antonio pouco poderia agregar naquele momento. Com medo de perder tempo e ficar estagnado, ele decidiu mudar.

Antonio aceitou uma proposta da Colgate/ Palmolive com um salário 15% menor, mas a empresa tinha tudo o que ele procurava: gestão mais aberta, oportunidade de aprendizado e de crescimento. A decisão não podia ter sido mais correta. Kriegel ficou na empresa por nove anos e passou por praticamente todas as linhas de produtos da multinacional, do creme dental ao desodorante.

Foi aí que surgiu outra grande oportunidade, na Pepsi. Na fabricante, ele encontrou uma empresa que não tinha medo de arriscar para ganhar mercado e inovar. Uma das ações que Antonio tem particular orgulho foi a de trazer a cantora Tina Turner para o Brasil, em 1988.

Na época, contratar uma estrela desse calibre era inimaginável ‒ a inflação naquele ano foi de 1.037,56%. Para conseguir arcar com os custos, Antonio viajou para os Estados Unidos para negociar diretamente com o agente da cantora. Ele fechou um acordo também com a HBO, que transmitiu a apresentação para dezenas de países. O evento lotou o Maracanã, juntando 182 mil pessoas no estádio, e entrou para o livro de recordes Guinness Book.

Outra vitória foi o lançamento da Diet Pepsi antes que a Coca-Cola tivesse um refrigerante do mesmo tipo. Antonio já se via, contudo, além do marketing. Tempos depois de ser promovido a vice-presidente de marketing da Pepsi na América Latina, ele afirmou em uma avaliação de desempenho que queria ser presidente da empresa no Brasil. Sabia que tinha áreas em que precisava melhorar ‒ foi se aprofundar na área de operações, assumindo um cargo na área, e passou a estudar finanças em um curso.

Dois anos depois de ter externado a ambição, voltou ao Brasil no cargo máximo da subsidiária da Pepsi. Anos depois, foi para o jornal O Dia, onde atuou como vice-presidente de marketing e vendas e ajudou a tiragem a subir de 80 mil para 500 mil exemplares por dia. Depois, atuou na Unilever, chegando à presidência no Caribe e na América Central. 

Contato com os jovens

Durante suas mentorias, Antonio procura lembrar que é necessário que o profissional se foque em corrigir as suas debilidades, mas não se esqueça de analisar e melhorar os seus pontos fortes. Isso pode ser feito, por exemplo, com a criação de uma equipe que complemente suas características. “É importante ser capaz de usar o seu tempo para entender a si próprio, seus subordinados e colaboradores. A maioria das nossas conquistas acontecem por meio da conexão com pessoas. É assim que você cresce na organização e na vida”, diz. Outro segredo do seu estilo é se apoiar nas histórias do seu passado para inspirar o mentorado a encontrar seu próprio caminho.

Mentoria inesquecível

Em uma de suas mentorias, Antonio foi procurado por um gerente de vendas de uma empresa de telecomunicações. Ele trabalhava em Belém, no Pará, e queria ser promovido. Foi aconselhado a procurar uma posição nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde teria mais visibilidade. “Se você quiser crescer, você tem que aparecer”, diz. Dois meses depois, ele procurou Antonio para uma nova mentoria. O profissional contou que a dica tinha dado certo e que agora estava atuando em São Paulo, mais perto da diretoria da empresa – e também mais próximo de dar um novo passo na carreira.