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Mentores Fora de Série: Augusto Flores

Por top2you

Nascido em Porto Alegre, Augusto Flores conta com três décadas de carreira executiva, atuando especialmente em auditoria e em empresas do segmento automotivo. Durante a primeira metade, ele passou por empresas como Arthur Andersen e Deloitte. Já na segunda metade, ele vem atuando como executivo de multinacionais dos segmentos automotivo e do agronegócio.

A sua longa carreira começou, contudo, quando Augusto se formou em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele foi trainee em empresas de auditoria, trabalhando diretamente na área até se tornar sênior. Depois, transferiu-se para o setor tributário, passando a atuar como consultor na Arthur Andersen.

Permaneceu na Arthur Andersen até 2002, quando a empresa foi incorporada pela Deloitte, em decorrência dos escândalos contábeis envolvendo a gigante estadunidense Enron. A partir daí, Augusto seguiu na Deloitte até 2009, chegando ao cargo de gerente-sênior de consultoria tributária.

Experiência em inglês

No fim da experiência na Deloitte, recebeu o convite da Renault. Não foi uma decisão fácil aceitá-lo, ele gostava da carreira em consultoria.

A escolha foi, em parte, motivada pelo desejo de valorizar um investimento que havia feito para estudar inglês no Canadá, em cursos ESL – sigla para Inglês como Segunda Língua, em tradução livre, geralmente feitos por estrangeiros que optam por aprimorar o idioma no exterior. “O que a Renault me ofereceu quando o headhunter me procurou foi reportar diretamente à diretora tributária para a América Latina, que ficava em Paris. Eu faria toda a interlocução em inglês. Então resolvi mudar para, efetivamente, usar o inglês que aprendi, algo que acontecia menos na consultoria”, conta.

Uma vez na Renault, como gerente fiscal entre 2009 e 2012, o seu papel mudou. Quando ele estava na consultoria, a parte tributária era o negócio central. Na montadora, era apenas suporte para o negócio. “Foi uma experiência muito rica e, olhando para trás, eu percebi que consegui atingir aquilo que eu achava que poderia: me tornar um profissional mais completo”, diz.

Virada executiva

Augusto ficou três anos na Renault. Em 2012, foi contratado como diretor tributário da DAF Caminhões, que, na época, estava investindo fortemente no Paraná e queria alguém que pudesse ajudá-la a navegar os riscos tributários do Brasil. Foi para Ponta Grossa, a aproximadamente 100 kms de Curitiba.

O grande desafio na DAF Caminhões foi implementar um setup fiscal do zero. Augusto foi o primeiro executivo contratado pelo grupo no Brasil, tendo que desenhar toda a sorte de critérios tributários de cálculo por meio dos sistemas de gestão, e traduzir tudo isso para uma equipe de implementação que mesclava estadunidenses, holandeses e indianos. “Foi um grande desafio e valorizo muito os aprendizados adquiridos na época. Mas, de certa forma, fui sentindo saudade de morar numa capital, e isso me fez me movimentar mais uma vez”, relembra.

Augusto, então, se mudou para São Paulo para trabalhar como o chefe do departamento tributário da Biosev, um braço de cana-de-açúcar do grupo Louis Dreyfus, gigante das commodities agrícolas. Ficou por lá entre 2015 e 2017. A vida na capital paulista foi marcada por dois anos intensos de ponte aérea, o que levou Augusto a decidir retornar para perto da família.

Nesse contexto, optou por assumir o desafio de liderar a área tributária da Volvo, em 2017, em Curitiba. Após dois anos nessa função, surgiu a oportunidade de assumir a gestão tributária do Grupo Volvo como vice-presidente para a América Latina, cargo que ocupa até hoje.

Mais ou menos no começo da pandemia, entre 2019 e 2020, a Volvo comprou um pacote de mentorias para os seus executivos. Antes de se descobrir como mentor, Augusto viu as maravilhas de ser mentorado. “Eu estava excessivamente focado no trabalho, com sobrepeso, e precisei dessa ajuda para poder me reinventar e perceber que hoje o grande ativo que tenho é a experiência”, diz.

Em meados de 2021, além da carreira executiva, passou a realizar mentorias, escreveu dois livros, gravou cursos online, iniciou uma agenda de palestras e até criou um podcast. “Acho que talvez eu tenha chegado ao topo da minha trajetória tributária como vice-presidente, e o mercado me mostrou que é hora de me posicionar como alguém capaz de discutir negócios de forma mais generalista”, afirma.

Mentoria inesquecível

Augusto teve uma sessão de mentoria com uma profissional que estava crescendo como líder. Era coordenadora e reclamava bastante da incapacidade do seu gestor de delegar atividades. “Ela se sentia fazendo muita coisa operacional e eu questionei bastante se isso era por falta de confiança do gestor, se era centralização ou perfeccionismo”, explica. Ele contou para a mentorada que aquilo era um problema comum e que ela precisaria encontrar estratégias para navegar o cenário. O mentor ficou impressionado como certos temas são recorrentes na mentoria. “Eu tenho certeza de que existem centenas de assuntos, mas também tenho certeza de que deve haver cinco ou seis que concentram 90% dos problemas”, acrescenta.