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Mentores Fora de Série: Jac Lopes

Por top2you

Sabe o sorriso da Neosaldina, o analgésico? Então, a inspiração para ele vem de Jac Lopes. Com uma carreira de quase três décadas em marketing, ela teve passagens nos setores farmacêutico, de shopping centers e educação, acumulando cargos de direção desde os 29 anos.

Jac explica que a sua carreira tem uma motivação central. Ela tinha que dar certo profissionalmente. “Quando meu pai foi assassinado, entendi que a educação era o meu único caminho. Não tinha grana e não era herdeira, precisava dar certo”, relembra.

O seu pai era sambista e dono de um bar em Citrolândia, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Quando fechava o estabelecimento, foi abordado por assaltantes que, revoltados pelo caixa estar sem dinheiro, cometeram o crime. “Entendia que tinha acontecido aquilo porque ele era preto, pobre e por não ter estudado muito. Botei isso na minha cabeça: eu preciso sempre correr atrás de educação, de aprender”, afirma.

Com isso em mente, Jac passou em nono lugar em Farmácia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A vontade de se tornar farmacêutica veio na infância, quando ela se encantava com os frascos de vidro nas prateleiras, os jalecos brancos. Depois de formada, contudo, o seu desafio era criar a sua carreira. 

Da farmácia para o shopping

Ao sair da faculdade, Jac decidiu seguir um caminho pouco convencional em busca de um bom salário. Ela escolheu trabalhar em farmácias de manipulação, entrando no mercado na década de 1990, atuando na Dermifarma e na Dermagen. Pensando em ser mais multifuncional, ela se interessou por marketing e fez uma pós-graduação em Marketing e Propaganda na ESPM e um MBA em Marketing no Ibmec.

Logo depois, ela trabalhou na farmacêutica Darrow e, mais tarde, virou gerente de produto da Knoll, na época fabricante da Neosaldina. Ao observar um grupo de estudo com consumidoras, ela notou que todas davam um sorriso de alívio entre 8 a 10 minutos depois de tomar o remédio. Fez esse apontamento para o publicitário Roberto Medina, da agência Artplan, e nasceu o sorrisinho desenhado no comprimido. “Ele é um gênio… Ele viu o produto e disse que ‘É feio, marrom, parece um M&M’s torto. Mas com um sorriso muda tudo. E mudou”, lembra. O produto estourou em vendas, e o sucesso levou Jac a ocupar vários cargos importantes na indústria farmacêutica.

Quando ela se tornou diretora para a América Latina da Schering-Plough, precisou se mudar para o Chile para assumir a posição. No entanto, a sua família não se adaptou e ela pediu demissão para voltar para o Brasil. Foi aí que ela teve que se reinventar. 

Novos ares

Jac recebeu a indicação para a vaga de diretora de marketing do grupo de shopping centers Multiplan. Ela ainda tinha dúvidas sobre uma mudança tão radical de área, mas já tinha sido escolhida pelo fundador da empresa, José Isaac Peres. Ele queria uma mulher para cuidar dos shoppings como se fossem um produto e a escolheu. Jac conta que ele se tornou, também, um mentor informal da sua carreira.

Depois de seis anos na Multiplan, ela ficou três anos no Grupo Trigo, especializado em franquias, onde ela reformulou a marca Spoleto. Jac passou ainda pela Universidade Anhembi Morumbi e pelo grupo Beleza Natural, e então voltou aos shoppings, agora como superintendente, com temporadas no Tenco Shopping Centers, Saga Malls, AD Shopping e Partage Shopping.

Nessas mudanças, Jac morou em 19 estados diferentes. Foi em 2020, contudo, com a pandemia, que ela decidiu dar uma pausa. Ela se aposentou e começou a atuar como mentora, além de criar o Movimento Idade é Potência, para ajudar mulheres com mais de 50 anos a se empoderarem e venderem produtos e serviços no meio digital. Jac conta que acaba sendo muito procurada por mulheres em busca de ajuda para se defender do machismo nas empresas.

Ela vê inúmeros problemas que enfrentou continuar a ocorrer. “Eu me vejo muito nelas, mas tenho a minha experiência para indicar o que devem fazer, o que devem melhorar, como se defender”, destaca. Jac trabalha muito com a marca pessoal dos mentorados, mostrando a eles o que isso significa e como devem agir para serem lembrados de uma forma positiva. Também trabalha a síndrome de impostor, que afeta mais mulheres do que homens, ajudando-as a reconhecer o seu próprio valor. “Você pode tudo, desde que tenha uma intenção, um plano bem-feito e seja determinada até o fim”, afirma. 

Mentoria inesquecível

Uma história de mentoria marcante para Jac foi a de um gerente de 32 anos de uma empresa de tecnologia, que estava prestes a ser promovido. Por ser negro, ele estava inseguro sobre se conseguiria essa mudança de cargo. Jac, que é filha de um pai negro e de uma mãe branca, contou sua história. “Não importa a cor. Importa o conhecimento que você tem. Se acreditar nisso, vai conseguir essa promoção”, disse ao mentorado. Ele internalizou essas palavras, conversou com os pais e, dias depois, entrou em contato para contar que tinha conseguido o cargo novo e hoje tem uma carreira de liderança de sucesso.