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Top2You | Mentoria de alto impacto

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Mentores Fora de Série: Flávia Tavernari 

Por top2you

Mudar de trajetória é algo que Flávia Tavernari precisou aprender a lidar. Filha de engenheiros civis e nascida no Rio de Janeiro, ela decidiu seguir um caminho diferente ao cursar Arquitetura.

O interesse na graduação surgiu pela curiosidade que tinha nos espaços ocupados, despertado, em parte, nas viagens que fazia para visitar os avós paternos no interior do Rio. “As casas não tinham piso e muitas delas nem tinham portas. As pessoas costuravam saquinhos de leite para fazer cortinas “, lembra. Já a avó materna era descendente de escravos e teve uma origem pobre. “Eu não vivia essa realidade, mas a via cotidianamente”, conta.

Flávia acreditava que poderia ajudar usando a arquitetura para o desenvolvimento de comunidades carentes. Com isso em mente, ela fez o curso na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em paralelo, ela também cursou Desenho Industrial na Faculdade da Cidade. 

Uma nova perspectiva

Ao terminar o curso, foi efetivada no escritório Pontual Arquitetura, onde fazia estágio, tornando-se coordenadora de projetos. Flávia notou, contudo, que o cenário seria mais ou menos aquele por muito tempo. Foi quando, sete anos depois de ser contratada, ela decidiu fazer uma guinada profissional: atuar como gestora.

Na época, a Ancar Ivanhoe Shopping Centers procurava uma arquiteta para liderar o reposicionamento do Rio Design, um centro comercial dedicado ao Design de móveis e decoração, localizado no Leblon. A ideia era transformá-lo em um shopping de varejo com marcas convencionais e restaurantes. Ela passou no processo seletivo e abraçou a nova função, como coordenadora de facilities e operações e arquitetura e ambiente.

Quando entrou na Ancar, a empresa ainda era pequena. Mas foi crescendo, e Flávia cresceu junto. O trabalho no Rio Design levou um ano e ela assumiu também o Rio Design Barra. Logo foi convidada para trabalhar no escritório central da Ancar e se tornou gerente corporativa de facilities e operações. “Cuidava de toda a equipe de segurança, limpeza, manutenção, estacionamento e atendimento ao cliente de todos os shoppings. Tudo equipe própria. Eu tinha 3 mil funcionários embaixo de mim”, lembra.

Apesar do sucesso, Flávia sentia falta de causar impactos concretos na vida das pessoas. “Eu pensava: ‘Cadê aquela pessoa que queria mudar o mundo?’”, pergunta. Mesmo se sentindo orgulhosa pelo cargo de liderança que conseguiu, algo raro 15 anos atrás para mulheres no setor, ela sentia que algo deveria mudar.

Em 2012, a Ancar já tinha saltado de três shoppings para quase 20. Foi então que seu esposo, Cicero Andrade, líder de RH da empresa, foi para o hospital por duas vezes com suspeita de infarto. A possibilidade de uma fatalidade fez os dois repensarem a vida que levavam. Decidiram investir um ano sabático na Irlanda para pensar nos próximos passos.

Cicero achou que ainda voltaria ao trabalho, mas Flávia pediu demissão, porque já sabia que tinha entrado em uma nova fase. Ela se recolocou como gerente internacional de marketing no National College of Business Administration e os dois começaram a pensar no projeto da própria empresa, O Sabático. “O nosso desejo era montar uma consultoria 100% online que pudesse ajudar as pessoas a fazerem grandes mudanças nas suas vidas”, conta.

Em 2015, a iniciativa saiu do papel e eles passaram a se dedicar a ela. Continuaram a morar na Irlanda e, em 2020, mudaram-se para Portugal.

Para Flávia, cada mentoria era um encontro de transformação — uma maneira real de tocar vidas e fazer diferença. E quando a arquitetura voltou ao seu caminho, veio como um presente, a cereja no bolo que completava sua jornada. 

Conversas direcionadas

Nas suas sessões, Flávia primeiro pede para que a pessoa fale sobre si mesma e sobre seu plano de carreira. Isso serve como ponto de partida. Depois, ela investiga a insatisfação para tentar entender a raiz disso. “A mentoria é sobre clareza e autoconhecimento, porque cada um de nós é diferente.

Mesmo que as pessoas tenham objetivos semelhantes, os projetos são diferentes”, afirma. “Eu quero um plano de carreira para quê? Para ser promovido, para me mudar ou para empreender?”, questiona.

Além de trazer um pouco da sua experiência de guinada radical de vida, Flávia procura mostrar que há diferentes caminhos e que só o profissional pode entender o que realmente deseja. “Muitas pessoas nunca olharam a carreira delas pensando aonde querem chegar, por que querem chegar e o que isso vai trazer para as suas vidas”, explica. É como se a maioria das pessoas tivesse entrado em um táxi desgovernado ao escolher a carreira aos 17 anos. “Difícil ser feliz assim”, diz. 

Mentoria inesquecível

Uma profissional da área de recursos humanos de uma empresa de saúde, de pouco mais de 40 anos, escolheu Flávia para uma mentoria porque estava muito infeliz com o trabalho. Uma reestruturação a colocou em outro setor e ela chegou à conclusão de que queria sair da empresa. Flávia mostrou que era possível mudar, desde que ela se planejasse, se permitisse e tivesse coragem. Meses depois, recebeu uma mensagem da profissional. Ela tinha pedido demissão, decidiu tirar um ano sabático e estava no Peru, viajando por toda a América Latina. E já estava planejando voltar para o mercado de trabalho, mas agora dirigindo a sua carreira.