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Top2You | Mentoria de alto impacto

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Mentores Fora de Série: Flavio Pesiguelo 

Por top2you

Nascido na periferia de São Paulo, Flavio Pesiguelo começou a trabalhar muito cedo. Quando tinha 18 anos, entrou no curso de Administração das Faculdades Associadas de São Paulo com foco em análise de sistemas, e imediatamente conseguiu um estágio na Unilever em processamento de dados.

O que era um sonho, se mostrou diferente na realidade. Todas as linguagens de programação na empresa eram completamente diferentes. “Foi muito frustrante. Tudo que eu estudei não serviu para quase nada”, lembra. Ele fez questão de informar ao chefe que correria atrás para se atualizar, mas ouviu uma resposta que mudou os rumos da sua carreira. “Ele falou: ‘Não se preocupe. Somos nós que formamos as pessoas aqui’. Eu nunca tinha tido isso e me marcou para sempre. ‘Então quer dizer que é isso que a área de RH faz?’, pensei”, ele lembra.

Flavio concluiu a sua graduação, mas a experiência no estágio o fez reorientar a sua trajetória para recursos humanos. “Sistemas são legais. Se você der o comando certo, o resultado certo sai do outro lado. Com gente, era mais complexo”, diz.

De estagiário virou coordenador de RH da Unilever em 1990. Ficou nesse cargo até 1995, quando passou a exercer a função de gerente. Foram cinco anos gerenciando processos estratégicos de RH e coordenando fusões e aquisições até que, no meio do boom da telecom, ele aproveitou o momento para trocar de empresa. 

Novo cenário

Acabou se mudando para a Natura, ainda em processo de crescimento na época. Era grande, conta, mas nada comparável com a Unilever. Flavio resolveu apostar na nova função mesmo assim. “Fui para lá em 2000, liderando toda a área de desenvolvimento de gente. E aí foram 24 anos de Natura, crescendo junto com a empresa”, conta.

O seu primeiro cargo foi como gerente de RH, liderando as áreas corporativas de recursos humanos. Ocupou-o até 2006, quando foi promovido a diretor. Após três anos nessa posição, recebeu a oportunidade de morar fora do país, como diretor internacional de RH, tentando expandir os negócios internacionais da Natura a partir de Buenos Aires.

Foi uma experiência marcante. A operação se estendia por outros países, como Chile, Peru, Colômbia, México e até a França. A liderança à distância, ainda não tão comum, foi uma das coisas que aprendeu. Outras vieram quando ele migrou para a diretoria de desenvolvimento comercial em 2013.

Com uma infraestrutura muito menor, ele já estava envolvido com vários setores da empresa e sentiu o desejo de ficar mais próximo das consultoras da Natura ‒ as profissionais que compram produtos na fábrica e os revendem para o consumidor final. “A grande maioria era de pessoas mais humildes, mas todas líderes e empreendedoras. Isso me remete à minha infância, com a minha mãe batalhando no dia a dia. Fazer com que elas pudessem melhorar a renda era o que me motivava o tempo inteiro”, afirma.

Flávio aproveitou ao máximo a experiência na área comercial, colocando em prática todos os dias a proposta de valor da empresa, baseada nos três “pês”, que passou a adotar como guia: propósito, pertencimento e prosperidade.

Após três anos, decidiu retornar à sua verdadeira vocação. “Depois da área comercial, passei a ser um RH melhor, mais estratégico e com maior impacto no negócio”, explica. Ao mesmo tempo, a Natura estava passando por um momento mais crítico no Brasil, sem um vice-presidente. Aproveitando os dois cenários, Flavio foi convidado a retornar ao Brasil após seis anos em Buenos Aires para liderar a área de gente, gestão e cultura da Natura e das demais empresas do Grupo, exercendo o cargo de vice-presidente entre 2016 e 2024. 

Sendo um fator de soma

Depois de quase 35 anos de mundo corporativo, decidiu sair. Por dois motivos. O primeiro é que achou que a Natura, logo depois da fusão com a Avon, precisava de um executivo com um conjunto de habilidades diferente naquele momento. O outro foi pessoal. Estava passando por uma separação e queria ficar mais tempo com a filha.

Agora, Flavio está atuando como mentor, conselheiro e participando em comitês de pessoas. Inclusive no da Dengo, uma marca de chocolates criada por Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura. “Essa é uma maneira de seguir trabalhando com marcas que têm legado, cultura sólida e o desejo de gerar impacto positivo. Além disso, carrega o desafio de contribuir com todo o processo de crescimento, como já fiz na Natura”, diz. Nos conselhos, afirma, ele ajuda com a visão estratégica de longo prazo.

Na mentoria, pode fazer o caminho inverso, olhando o indivíduo. Parte da sua motivação também é por entender que o mundo corporativo está meio doente. “Todo mundo com quem eu converso está infeliz, insatisfeito, em crise”, afirma. Flavio tenta transmitir um pouco do aprendizado que acumulou ao longo da vida para apoiar empresas e executivos na transformação dessa realidade.

Seu propósito é fortalecer líderes e organizações, promovendo resultados sustentáveis e gerando um impacto positivo duradouro na sociedade.“Eu acho que mentoria é isso. Você ser um fator de soma na vida das pessoas”, completa.

Mentoria inesquecível

Flavio fez mentoria com uma jovem profissional batalhadora, com brilho nos olhos e cheia de potencial. Ela tinha ouvido de uma pessoa no passado que nunca chegaria a uma posição de destaque na sua carreira. O mentor ficou chocado e disse que esse é o tipo de feedback que nunca se dá para uma profissional jovem. “Eu falei: ‘Você pode ser o que você quiser com os talentos que tem. Só precisa ser intencional na sua escolha’. E aquilo foi tão marcante porque eu vi o potencial dela voltando a brilhar. Tenho certeza de que ela terá uma jornada brilhante”, diz.