Luiz Telles começou a produzir histórias em quadrinhos muito cedo. Foi com essa paixão infantil que ele decidiu a sua carreira e foi fazer o curso de Artes Plásticas na Universidade de São Paulo. Na faculdade, ele teve um momento inacreditável de descoberta e passou a ter vários horizontes novos ‒ em especial, a pintura.
O que Luiz fez, desde então, foi usar a sua formação artística para fazer a ponte e levar o que ele aprendeu para o mundo corporativo. A junção, que pode parecer inesperada inicialmente, é, segundo ele, muito proveitosa.
Primeiros passos
O seu primeiro emprego formal foi como líder de equipe no cargo de supervisor de Artes Plásticas do SESI. Depois desse passo, Luiz enveredou para o mundo corporativo e para a publicidade, em especial o marketing digital. Teve diversas passagens por empresas como Hipermídia, da qual foi diretor criativo por cerca de um ano, e a agência AlmapBBDO, na qual colaborou como diretor de arte por sete meses. Ele também ficou um ano como diretor interativo na Wunderman, para a qual voltaria anos depois.
Em 2000, tornou-se diretor criativo e de marketing do Submarino, mais ou menos na mesma época em que começou a dar aulas no Senac para o curso de Design de multimídia. Foi web manager do Deutsche Bank por aproximadamente um ano. Ocupou o cargo de diretor de Drive to Web na American Express, com a responsabilidade de migrar o máximo de serviços possíveis para os canais online. Depois, foi chamado para implementar a plataforma de e-commerce da operadora Sky.
Guinada para conteúdo
Depois de 15 anos de carreira, Luiz viu a sua atuação mudar um pouco de foco. Depois do longo período focado em tecnologia e web, ele viu os seus projetos e as suas responsabilidades lentamente indo para redes sociais e conteúdo. Esse foi o momento do seu retorno para a Wunderman, na qual ficou por cerca de oito anos responsável por diversas contas, como Nokia, Diageo, Microsoft e Catho.
Saiu, como diretor de contas, para chefiar a área de conteúdo e engajamento da agência Artplan, integrante do grupo Dreamers, um guarda-chuva para uma série de empresas de setores como comunicação, ciência e entretenimento. Ele liderava três escritórios, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, e o seu papel era ampliar a cultura do conteúdo dentro da publicidade. Quando esse trabalho estava em um estágio avançado, puxou uma conversa com o seu chefe.
Queria expandir a sua atuação dentro do grupo e propôs que se tornasse chief storytelling officer. O chefe não gostou do nome, mas gostou da ideia e fez uma contraproposta: que ele se tornasse diretor nacional de storytelling. “Eu consegui levar a importância da história para dentro de uma estrutura organizacional. Foi uma conquista importante”, conta. Luiz, então, passou a atuar em várias das 18 empresas que atualmente fazem parte do Dreamers, inclusive no A-Lab, um laboratório de conteúdo do qual foi cofundador em 2019. “Eu gosto de olhar para esses últimos dez anos como o fruto da transformação que a história pode causar em uma liderança. Eu faço outras coisas. Não sou apenas o cara das narrativas, mas sou chamado para olhar para isso”, afirma.
A importância da história
Em 2022, foi selecionado por participantes de um programa interno de mentoria. Fez parte da primeira turma de mentores do Grupo Dreamers. Encontrou mais uma ferramenta para promover a importância das pessoas estruturarem a sua própria história e entender quais são os pontos importantes que precisam ser ressaltados. Luiz destaca o papel multiplicador da mentoria. “À medida que eu consigo formar outros contadores de história, essa arte vai se preservando”, explica.
A autopromoção sempre fez parte da vida corporativa. A diferença que Luiz observou é que, antes, talvez acontecesse de forma mais restrita para cargos de alta liderança, não necessariamente com gerentes. Ele faz um paralelo com as próprias marcas.
No passado, bastava comunicar o mínimo necessário de uma maneira funcional: o que faz, o que vende, o que entrega. Agora, para ele, elas precisam ter postura de publishers. “E isso acontece nesse microuniverso do executivo”, diz.
Todo profissional precisa lidar com a expectativa de ser uma pessoa comunicadora, tanto para ser percebido, quanto para inspirar a sua equipe: quais são os assuntos sobre os quais falará, em quais plataformas os distribuirá e em quais formatos. Essas técnicas precisam ser adaptadas para a construção da sua marca pessoal. “Você precisa trabalhar a sua carreira como um canal de comunicação”, afirma.
Mentoria inesquecível
Luiz destaca que as mentorias com mais sucesso são aquelas em que os mentorados reencontram suas veias criativas. Às vezes alguém que escreveu textos no passado ou compôs letras de música e deixou essas produções de lado com o dia a dia volta a produzir. Ele se lembra especificamente de uma jovem liderança que passou justamente por isso. Durante a mentoria, ela não via a hora de a conversa acabar para poder escrever no seu blog sobre a experiência. “A pessoa fica tão empolgada com essa possibilidade. Houve uma minitransformação enquanto nós conversávamos. Ela voltou a se ver como uma pessoa criativa”, diz.



