Ao longo de uma trajetória profissional que ultrapassa quatro décadas dedicadas à comunicação e ao marketing, uma característica sempre se destacou na caminhada de Marco Antonio Vieira Souto: a constante transformação.
Desde os primeiros passos em sua formação acadêmica, suas escolhas foram definidas pela sua inquietude intelectual e pela vontade de encarar novos desafios.
Antes mesmo de concluir a graduação, em 1980, Marco iniciou sua trajetória no mercado publicitário com um estágio na agência Salles/Interamericana. Lá, começou como revisor e posteriormente atuou como redator, tendo contato direto com importantes clientes, como Brahma, SulAmérica e Souza Cruz.
No ano seguinte, foi convidado a integrar o departamento de marketing da Souza Cruz, referência no setor tabagista e destaque em publicidade. Em 1983, retornou à agência Salles – que futuramente se tornaria a Publicis –, onde ampliou sua atuação para as áreas de atendimento e planejamento. Nessa fase, foi responsável pelo relacionamento com clientes como Brahma e Lojas Americanas.
Depois da Salles, fez sua primeira incursão como empreendedor na MeCo, uma agência focada em merchandising e ativação. Foram três meses de muito aprendizado, mas decidiu mudar novamente.
Coincidências à parte, no dia em que tomou a decisão de sair, foi convidado para ingressar na DPZ do Rio de Janeiro, que acabava de ganhar a conta da Kaiser. Sabe aquelas campanhas inesquecíveis da Kaiser, protagonizadas pelo famoso “Baixinho”? Marco acompanhou de perto todas elas.
Depois de 12 anos, ele subiu ao cargo de diretor executivo na DPZ. Marco liderou o atendimento de algumas das marcas mais relevantes do país, como Coca-Cola, Petrobras, Unimed e BNDES. Após encerrar seu ciclo na DPZ, ele passou a atuar como consultor ‒ função que desempenhou entre 1999 e 2007.
De volta ao mercado
Quase dez anos após sair do mercado para investir em consultoria, Marco voltou como diretor de planejamento da agência Artplan, com foco na conta do Banco do Brasil. Em 2018, virou CEO, e em 2019 foi transferido para o grupo Dreamers, onde virou Head de estratégia. Em 2025, se tornou CSO da Next, uma das agências do grupo.
Um dos motivos para ele querer voltar ao mercado foi o desejo de colocar em prática o que aprendeu sobre gestão de pessoas. “Quando me tornei executivo, eu não era o melhor gestor. Não tinha base teórica e não sabia coisas básicas, como fazer críticas no privado e elogios em público. Na minha volta, estava muito mais cuidadoso”, explica Marco. “Para mim, o que define um gestor é estar presente. A sua equipe tem que saber que você está perto e atento. Pode ter a melhor estrutura do mundo, se você não tiver a equipe unida, não consegue nada”, acrescentou.
O interesse pela mentoria
De personalidade direta e pensamento analítico, Marco desenvolveu, ao longo de sua carreira, uma abordagem única para as mentorias. Sua metodologia está ancorada na escuta ativa, que permite fazer perguntas precisas, e na capacidade de decodificar contextos com rapidez, características nascidas na sua experiência nas grandes agências de publicidade. Ele próprio descreve a base de sua estratégia: “Como bom diretor de planejamento, eu tenho muito de investigador. Então, meu método é tentar compreender rapidamente o briefing, perguntar como meu perfil atraiu a pessoa e entender qual é a dor dela no momento.”
Marco, no entanto, afirma que a sua abordagem exige manter uma postura humilde, sempre disposta a escutar. “Gosto de compartilhar aspectos da minha trajetória, mesmo os pouco glamourosos. Não tenho vergonha de contar que não fui um bom gestor em determinadas fases da minha carreira, que enfrentei demissões e momentos difíceis”, lembra. Ele acredita que esse voto de confiança funciona como um gesto de abertura. “Expor a sua própria vulnerabilidade ajuda a criar uma base de segurança psicológica para que a outra pessoa se sinta à vontade para também se expor”, conta.
Mentoria inesquecível
Nem toda história profissional termina com uma promoção. Marco lembra que, como fez em diversos momentos na sua carreira, às vezes é preciso buscar outros ares. Ele conta que conversou com uma executiva que o procurou porque se sentia sistematicamente marginalizada em seu ambiente de trabalho. Atuava em um grupo formado por quatro outros gerentes, todos homens, e relatava se sentir invisível. Não conseguia se expressar com liberdade nas reuniões, tampouco estabelecer vínculos significativos com os colegas. Sentia-se isolada e emocionalmente deslocada. A partir da escuta empática na mentoria, a executiva percebeu a possibilidade de estruturar uma conversa franca com seu superior, avaliar a conduta dos colegas sob a ótica das diretrizes de compliance da empresa e refletir, de forma madura, sobre os limites da situação em que se encontrava. Marco relata que o desfecho mais aberto, que poderia ser a permanência na organização ou a promoção, em qualquer das hipóteses seria transformador. “Ela entendeu que, diante de um ambiente hostil e pouco responsivo, a escolha mais saudável e estratégica poderia ser buscar uma nova oportunidade”, relembra.



