Marina Viana começou a sua trajetória profissional com a graduação em Engenharia de Produção pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec). Depois de trabalhar no Banco do Brasil, entrou na multinacional americana General Electric como estagiária de qualidade de processos e saiu, quase 20 anos depois, como CEO da divisão de saúde do Brasil.
A ascensão, como conta Marina, foi muito rápida. Dois anos depois de ingressar na empresa, era especialista de produtos da GE Transportation, atuando no setor de locomotivas ferroviárias. Foi nesse período que Marina aproveitou para fazer uma pós-graduação em Gerenciamento Financeiro na Fundação Dom Cabral.
Depois, em um movimento lateral, ela foi trabalhar em perfuração de petróleo, participando de programas de liderança comercial, inclusive passando um ano em Houston, nos Estados Unidos. Depois desse período, conta Marina, ocorre a guinada mais importante da sua carreira: a entrada na área da saúde. Não foi algo escrito nas estrelas, mas uma mudança bem menos extraordinária.
Depois de passar pelo programa de liderança da GE, Marina poderia ocupar cadeiras em diferentes setores. A sua decisão foi com base na localização em que ficaria, afinal de contas, fazia tempo que ela via São Paulo como o motor do país. “Sempre achei que teria mais oportunidades de desenvolver a minha carreira na capital paulista. O mercado é maior”, conta. Além disso, a decisão envolveu um aspecto também pessoal. “Meu marido também foi para a cidade. Então, aproveitei o combo de vida pessoal e profissional, fazia sentido. Em pouco tempo, fui me apaixonando pelo mercado de saúde”, afirma.
Início difícil
Marina assumiu a diretoria de marketing de produtos da GE Healthcare em 2012. Ela ocupou o cargo por cinco anos até ser promovida em 2017. A nova posição, agora, era diretoria de crescimento de serviços, vendas, excelência de negócios e marketing de produtos. Marina conta que ficou outros quatro anos na vaga e gerenciou projetos importantes.
Ainda assim, Marina procurava por outras perspectivas. Ela ansiava por cargos de liderança ainda mais altos, mas não se sentia pronta. Ela, então, teve sessões com um coach que a ajudou a mudar o cenário. “Foi um impacto fenomenal. Depois do processo, eu consegui chegar à minha primeira cadeira C-level”, afirma, referindo-se à sua promoção para CMO na América Latina, em 2021. “Ter uma perspectiva de fora, de alguém que não faz parte do seu dia a dia, é muito importante. Faz a diferença”, conta.
Apenas um ano depois, ela assumiu o cargo de CEO da GE Healthcare no Brasil e liderou a subsidiária no momento em que ela estava se desmembrando da General Electric, coordenando a migração para uma estrutura independente. Ficou nesse cargo por dois anos e percebeu que estava no momento da sua jornada ter um novo passo internacional.
Como já tinha trabalhado fora do país, sentiu que o custo da mudança seria pesado demais naquele momento. “Depois de todas essas experiências, decidi que era a hora de abrir meu próprio negócio”, afirma. Marina abriu uma plataforma voltada para o tratamento de doenças raras e de alta complexidade que integra pacientes, profissionais de saúde e instituições, chamada Nova Health Journey.
Além da nova fase empreendedora, Marina aproveitou para começar a atuar como mentora. “Quero ter o impacto na vida de profissionais como eu recebi. Agora é o momento de devolver”, conta.
Experiência de mentoria
As mentorias são particularmente interessantes para Marina pela abrangência das experiências. “Fiquei 20 anos na mesma empresa. Então, as conversas ajudam os mentores a aprender um pouco mais sobre outras empresas e o contexto de diferentes mercados”, conta. Os assuntos vão desde o setor da saúde, no qual ela está atualmente e teve a sua experiência mais duradoura, a petróleo, aviação, mineração, energia renovável e até cosméticos.
Como a vida no mundo corporativo pode ser desafiadora, ela tenta ajudar as pessoas a encontrar um caminho mais suave em suas carreiras. Isso se aplica tanto a iniciantes quanto a outros mais experientes. Muitos de seus mentorados são gerentes e diretores. Ela própria procurou alguém para conversar em um estágio mais avançado da sua trajetória profissional. “A troca de ideias, quando você vai subindo na carreira, é muito importante porque as decisões vão ficando mais isoladas”, explica.
Quem está no começo da carreira busca um apoio para crescer, quem está mais à frente busca outras perspectivas. “A mentoria se aplica no início da carreira e em qualquer época, porque cada profissional pode complementar o outro de uma maneira diferente, com experiências diferentes”, afirma.
Mentoria inesquecível
Marina foi procurada por uma profissional por um motivo específico: ela estava há 20 anos na mesma empresa. “Ela não sabia se deveria sair ou não. Então, fizemos um checklist, apontando os pontos positivos e negativos”, conta. Juntas, avaliaram o alinhamento da profissional com a cultura da empresa, se se sentia reconhecida, se continuava aprendendo… A conclusão foi que não fazia sentido ela mudar de emprego. “Foi gostoso ver que existem realidades diferentes. A dela era diferente da minha. Eu consegui contribuir para um momento de carreira e vida dela muito crítico”, diz.



