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Mentores Fora de Série: Marisa Salgado Pereira

Por top2you

Marisa Salgado Pereira decidiu, ainda jovem, que não queria seguir o mesmo caminho de seus pais. Os dois estudaram até a 5a série e passavam por dificuldades financeiras constantes. Sua mãe teve vários tipos de profissão para conseguir sustentar a família, trabalhando de costureira a manicure, sempre no mercado informal.

O pai, que era alcoolista, não conseguia se fixar como pedreiro em lugar nenhum e ganhava pouco. “Estudei em colégio público a minha vida inteira e vi boa parte da minha família sem dinheiro, sem perspectiva. Não aceitava aquilo como padrão e passei a pensar diferente. A ser diferente. A educação seria a minha transformação”, diz.

Foi assim que, com dificuldades, Marisa conseguiu concluir o curso de Administração de Empresas e, aos poucos, passou a atuar em recursos humanos, em que teve uma carreira muito bem-sucedida. Em 28 anos de profissão, passou por empresas como Coca-Cola, Grupo Globo e Fast Shop. A sua trajetória foi coroada em 2020, quando ela foi eleita como uma das dez profissionais mais admiradas do país em pesquisa do Grupo Gestão RH.

Só que, mesmo com os bons resultados, a vida corporativa estava sendo demais para Marisa e ela tinha decidido mudar. Depois de enfrentar dois cânceres de mama e de ter atravessado parte do tratamento em São Paulo, no meio da pandemia de Covid-19, distante da família no Rio de Janeiro, ela decidiu que era a hora de empreender.

Ela abriu uma consultoria e mergulhou em uma jornada de autoconhecimento e novos estudos em terapias integrativas. Recentemente, fez uma pós-graduação na área e deve concluir em breve uma formação em expansão da consciência. Tudo, com objetivo de encontrar novas formas de ajudar pessoas. “Eu falo que saí do RH, mas o RH não saiu de mim”, brinca. 

De analista a executiva

A entrada em RH aconteceu antes mesmo da faculdade, em um dos seus primeiros empregos, como analista nas Minerações Brasileiras Reunidas. “Minha carreira em RH começou meio por acaso. Mas, desde o início, passei a me identificar muito”, ressalta.

Marisa cursou Administração de Empresas na Faculdade Moraes Júnior, no Rio de Janeiro. “Já naquele momento eu acreditava em um RH conectado ao negócio. Busquei esse caminho para conseguir fazer essa conexão com mais facilidade”, explica. Depois de formada, ela recebeu um convite para trabalhar no jornal O Dia.

Rapidamente, foi promovida para coordenação e liderou a sua primeira equipe. Ela aproveitou esse momento e usou como oportunidade para continuar a estudar: fez um MBA em Gestão de RH, na Fundação Getulio Vargas, e outro em Administração, no Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Depois de passar pelo recém-privatizado Metrô Rio, como gerente de RH, ela teve a oportunidade profissional que acredita ter mudado a sua carreira: gerente sênior da Coca-Cola. “Na minha visão, a empresa era o estado da arte em RH, com ferramentas e sofisticação em gestão. Foi um divisor de águas”, diz. Depois disso, estava pronta para dar o passo seguinte.

O primeiro cargo executivo veio no Grupo Globo, quando assumiu a diretoria de RH no Infoglobo, empresa responsável pelos jornais O Globo, Extra e Valor, em 2009. Foi diretora executiva de RH na Brasil Pharma, na Cetelem e na Fast Shop, onde encerrou a carreira corporativa para abrir sua própria consultoria. Também passou a atuar como mentora e conselheira de iniciativas voltadas à igualdade de gênero.

O papel dos mentores

Ela destaca que vários dos gestores diretos mantiveram uma relação próxima com ela e continuaram a dar conselhos mesmo quando ela estava em uma outra empresa. Esse tipo de mentoria informal, garante, foi fundamental para ela atingir o seu potencial. “Sempre deixei muitas portas abertas. É como você estabelece as suas conexões, alianças e traz isso para a vida, independentemente das relações corporativas”, diz.

Ela também participou de programas formais de mentoria. Um deles, na Coca-Cola, por exemplo, ajudou Marisa a entender onde nasce a estratégia global de uma empresa multinacional. “Ter tido essas experiências me ajudou a ganhar repertório. Como mentorada, acelerou minha curva de aprendizado, mas foi além. Deu as bases para absorver essas boas práticas e usá-las com os meus mentorados”, destaca.

Hoje, ela combina os dois tipos de experiência para criar o seu próprio modelo de mentoria, baseado em uma escuta ativa e em uma troca constante. “O maior desafio da mentoria é entender que esse tempo não é seu, é deles. E, sendo um tempo deles, a demanda vem deles”, afirma.

Mentoria inesquecível

Uma das experiências mais marcantes de Marisa como mentora foi ajudar uma engenheira de 32 anos a aceitar uma posição de liderança na empresa onde trabalhava, no ramo da mineração. Mesmo tendo recebido vários convites para ser promovida, ela se recusava a aceitá-los. Ao fazer um assessment, a jovem descobriu que tinha todas as qualificações que a permitiriam ocupar esse cargo. O que a impedia, de fato, era a baixa autoestima. “Quando ela percebeu, foi uma virada de chave”, diz Marisa. Depois da mentoria, em menos de seis meses, a profissional foi promovida. Tornou-se coordenadora e já ambiciona voos mais altos.