Brasileiro naturalizado, Philip Carruthers nasceu em 1946 em uma pequena cidade no norte da Inglaterra, próxima a Manchester.
Veio para o Brasil com 4 anos, quando seu pai foi contratado para trabalhar em uma empresa em Recife. Ele morou cerca de dois anos no interior de Pernambuco, antes de voltar para a Inglaterra aos 7 anos. Quando tinha 14 anos, a família de Philip retornou para o Brasil. Ele estudou no Rio de Janeiro por dois anos e meio, finalizou o colegial na Inglaterra e, depois, decidiu ficar definitivamente no Brasil.
Por aqui, ingressou como trainee nos Hotéis Othon, na época a maior cadeia de hotéis no Brasil. O programa consistia em passar dois anos transitando por todos os departamentos do hotel e mais um ano no escritório central. Após o período, ele também atuou no departamento de auditoria interna e foi nomeado subgerente do Hotel Trocadero em Copacabana (hoje, Hotel Arena Copacabana).
Na sequência, e com apenas 23 anos de idade, foi nomeado gerente do Hotel Castro Alves (atual Copa Mar), tornando-se o gerente mais jovem da história da organização. Permaneceu por dois anos e sete meses no hotel, que tinha três estrelas, 78 apartamentos e 48 funcionários. “Foi um período muito importante pois eu tinha que aprender a comandar uma equipe, além de me envolver em todos os detalhes da operação do hotel”, detalha.
Philip foi transferido para São Paulo para assumir o cargo de gerente residente no Hotel Othon Palace, um grande hotel de cinco estrelas considerado um dos melhores de São Paulo. “Foi nesse hotel, com sua estrutura organizacional, serviço sofisticado e refinado, e profissionais altamente qualificados, que aprendi muito sobre a hotelaria de luxo de nível internacional”, explica.
Passados alguns anos, Philip foi promovido ao cargo de gerente-geral e exerceu essa mesma função no Bahia Othon Palace, em Salvador, e no Belo Horizonte Othon Palace. Em 1981, Philip assumiu o cargo de superintendente de operações do grupo, baseado no escritório central no Rio de Janeiro.
Após um ano, ele sentiu falta da dinâmica intensa de trabalho dos hotéis de grande porte. Quando surgiu um convite para assumir a direção geral do Hotel Quatro Rodas em Olinda, Pernambuco, decidiu aceitar. “Muitas pessoas pensavam que eu estava dando um passo para trás. Mas a ida para o Hotel Quatro Rodas, e principalmente o sucesso alcançado na parte comercial, acabou projetando meu nome no cenário nacional, e o resultado foi o convite para ser diretor-geral do Rio Palace (hoje, Fairmont Copacabana), que era o mais destacado do Rio de Janeiro.”
De volta ao Rio
O Rio Palace fazia parte de uma associação de grandes hotéis de luxo ao redor do mundo, chamado de Leading Hotels of the World, e sua atuação junto a essa organização deu-lhe um networking invejável no mundo do turismo. Ao todo, ele passou seis anos no Rio Palace.
Em 1989, quando o grupo inglês Orient-Express comprou o Copacabana Palace, Philip recebeu o convite para comandar a sua revitalização. Inicialmente, ele não demonstrou grande interesse, mas a promessa de abrir oportunidades futuras para uma carreira internacional acabou por influenciar sua decisão.
E foi assim que ele chegou ao Copacabana Palace, para iniciar uma jornada que duraria 23 anos e resultaria na maior realização profissional de sua carreira: a completa reforma das instalações físicas, a modernização dos processos de gestão e a implantação de uma cultura de qualidade de serviços excepcionais.
Ao longo do processo, Philip ainda transformou um hotel tradicionalmente deficitário no mais lucrativo entre os 50 estabelecimentos do grupo Orient-Express, sendo responsável, em 2010, por 20% do lucro total da companhia. “Quando cheguei ao Copacabana Palace, eu me senti preparado para o desafio que teria pela frente. Afinal de contas, era o quinto hotel de cinco estrelas no Brasil que eu iria comandar. Mesmo assim, os desafios que encontramos foram muito além dos esperados”, lembra.
Ele conta que o CEO do Orient-Express havia dito que reformaria o hotel em três anos e gastaria 10 milhões de dólares. No final, levou 20 anos para concluir e os gastos foram superiores a 100 milhões de dólares. “Acabou dando certo, mas eu teria que escrever um livro para contar as muitas histórias dessa jornada”, brinca.
Fase atual
A partir de 2012, Philip se aposentou do mundo corporativo, mas decidiu abrir uma consultoria e continuar prestando serviços consultivos para a indústria hoteleira. Aproveitou o momento para concluir sua formação em Administração de Empresas e fez cursos de pós-graduação em coaching e liderança e consultoria empresarial. Philip continua praticando seu esporte favorito, que é golfe, e torcendo por seu time do coração, que é o Flamengo. Ao refletir sobre a sua carreira, ele afirma que “minha melhor qualidade foi a inteligência emocional. Isso permitiu que eu conseguisse formar equipes coesas e motivadas, que superavam os objetivos. Soube contratar pessoas competentes e consegui extrair o que cada um tinha de melhor, minimizando suas deficiências. Foram sempre as equipes que conquistaram as vitórias”, conclui.



