Jacques Rosio, 62 anos, nasceu em Paris, na França, mas ele sempre quis buscar algo diferente e fazer a sua carreira fora da sua terra natal. Foi com esse espírito que ele passou pela China, pela Suíça, pela antiga Iugoslávia e assumiu a presidência da multinacional de alimentos Mondelez International na América Latina em 2015. Na época, o Brasil vivia uma grande crise econômica, mas ele driblou as dificuldades e conseguiu fazer a empresa crescer. Foi aí que ele finalmente decidiu criar raízes e morar no país.
O interesse de Jacques por conhecer países diferentes foi cultivado desde a infância por sua família, em inúmeras viagens para o exterior. Essas experiências deixaram claro o caminho que ele gostaria de seguir. “Quando cheguei ao Brasil, em 2015, foi uma consequência da minha infância. Não pensava nisso na hora, mas era a conclusão lógica da minha trajetória”, afirma.
Tudo isso porque, aos 22 anos, ele havia visitado o Brasil como turista e ficou seis semanas. A profunda impressão que o país deixou nele em visita a Búzios (RJ), Porto Seguro (BA) e Canoa Quebrada (CE), além da Amazônia, só pôde ser sentida em sua plenitude tantos anos depois, quando já tinha carreira profissional consolidada. “Senti uma conexão muito forte como o país e com sua cultura”, lembra.
Mas Jacques não imaginava isso quando decidiu cursar Finanças e Marketing na Universidade Paris Dauphine – PSL. Em paralelo à graduação, ele também se dedicava a corridas, como a disputa de 450 quilômetros pela Costa Rica. Nessa prova, ele tinha que dormir três horas por noite e enfrentar todos os quilômetros. Apesar da dificuldade, ele conseguiu concluir o trajeto. No ano seguinte, correu a maratona de Nova York. Deixou de lado os esportes radicais anos mais tarde, depois de quebrar o fêmur duas vezes esquiando na Suíça.
Diferentes culturas
Jacques começou a sua carreira na subsidiária francesa da Kraft Foods, uma multinacional de alimentos com sede nos Estados Unidos. Trabalhou na área de marketing e, depois, em vendas. Ficou lá por nove anos.
Em seguida foi para a Nestlé, uma multinacional suíça, e experimentou uma cultura completamente diferente. Tornou-se diretor de marketing na França e começou a sua jornada internacional. Ficou pouco mais de uma década na empresa e atuou durante um período na China. Também trabalhou como diretor da Nestlé na antiga Iugoslávia, hoje dividida em sete países. E trabalhou também na sede da empresa, na Suíça.
Em 2010, recebeu um convite para voltar para a Kraft Foods, como diretor de negócios, e permaneceu em Zurique. A divisão de snacking tornou-se a Mondelez International em 2012, e Rosio continuou na empresa. Três anos depois viria o seu maior desafio: assumir a presidência da Mondelez na América Latina e se mudar para o Brasil. “Foi uma experiência fenomenal. O mais desafiador para mim, no contexto de uma nova cultura, é motivar, engajar, entender, ouvir pessoas que são diferentes de você”, afirma.
Em 2015, o país entrava em uma grande crise econômica, o que tornou o desafio ainda mais complexo. Foram quatro anos no comando da divisão latino-americana da multinacional, na qual o Brasil representava 50% dos negócios na região. Jacques aprendeu a lidar com imprevistos e a sempre ter um plano B, além de incentivar uma cultura de planejamento. A empresa conseguiu driblar a crise e trazer bons resultados.
Em 2019, houve uma mudança na organização da Mondelez e ele teria que gerir um projeto de aquisição na Europa, que acabou sendo replanejado para 2021. Jacques escolheu ficar no Brasil e sair da Mondelez. Abriu uma consultoria e também se tornou conselheiro sênior da consultoria Bain & Company.
Em 2022, fez ainda um curso para ser coach na HEC Business School, em Paris, e hoje se divide entre essas várias atividades e as mentorias.
Estilo de trabalho
O método adotado por Jacques em suas mentorias é dividido em etapas. Em primeiro lugar, ele procura entender o objetivo da pessoa. Depois, ocorre uma conversa em que ele compartilha suas experiências com o mentorado e apresenta algumas soluções práticas. No final do encontro, ele procura entender qual foi a compreensão da pessoa sobre o que foi falado e também ajuda a definir um plano de ação. “Meu objetivo é oferecer algo concreto para ser implementado e verificar se isso vai ajudá-lo a resolver um problema”, diz. Segundo ele, a estratégia tem dado certo e é comum serem agendadas novas sessões para conferir os resultados e planejar novos passos.
Mentoria inesquecível
Um caso que marcou Jacques em suas mentorias foi o de um gerente de obras de uma construtora, de 40 anos, que se tornou responsável por um projeto do principal cliente da empresa. Muito exigente, esse cliente queria atualizações semanais sobre o andamento da obra – um ritmo com o qual a equipe do mentorado não estava acostumada. Jacques deu sugestões para que ele pudesse atender à demanda e também manter a equipe motivada. Foi o que aconteceu – as atualizações foram feitas e sem ninguém ficar irritado.



