Pular para o conteúdo principal

Top2You | Mentoria de alto impacto

Estamos de cara nova, mas se preferir a versão clássica, clique aqui   |   New interface, click here for classic version

Mentores Fora de Série: Ricardo Ramos

Por top2you

Os primeiros passos profissionais de Ricardo Ramos começaram com o curso de Mecânica Industrial em uma escola técnica. Foi assim que ele começou a trabalhar com carteira assinada, aos 18 anos.

Depois, ele decidiu cursar Engenharia Mecânica na Universidade Gama Filho, mas, ao chegar ao terceiro ano da faculdade, descobriu que a sua vida iria por outro caminho. “Com três anos de engenharia eu decidi que não queria ser engenheiro”, conta.

Ocorre que Ricardo já tinha cursado uma boa parte da graduação e, por conta disso, decidiu concluir o curso. Pegou o diploma de graduação e, imediatamente, começou um mestrado em Administração pela Coppead, instituto de pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com foco em cultura organizacional. Era essa a carreira que gostaria de ter, no mundo corporativo.

Em 1993, entrou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para uma carreira de quase três décadas.

Mundo financeiro

Ricardo chegou com formação básica de engenheiro, mas no fundo, virou financista. O seu primeiro cargo foi como analista de operações de crédito, atuando principalmente com setor de serviços.

Após três anos, foi promovido para gerente de financiamento à exportação e participou de seu primeiro grande projeto: financiar aeronaves da Embraer. “A Embraer tinha sido privatizada e passava por dificuldades financeiras. O governo brasileiro decidiu apoiar as exportações dela via BNDES e nós saímos de uma carteira de zero aeronaves financiadas para cinco bilhões de dólares em três anos”, conta.

Ficou nessa posição entre 1997 e 2004, quando se tornou chefe de departamento, responsável por propor parâmetros para todas as operações de financiamento do BNDES. Promovido a superintendente da área de crédito após um ano e meio, coordenou o Comitê de Crédito e a reformulação dos normativos de crédito do banco. “Vinte anos atrás, nós tínhamos uma norma que regia créditos desde a padaria do seu José até o projeto de Carajás. Não fazia sentido um normativo que tentasse abranger tanta coisa. Criamos, em dois anos, oito normativos que, até hoje, são a base da atuação”, diz. 

Especialista em generalidades

O cargo mais longevo que teve no BNDES foi como superintendente da área de infraestrutura social. Ficou mais de oito anos construindo e gerindo uma carteira de crédito de 28 bilhões de dólares em setores como mobilidade urbana, saneamento, educação e saúde.

Quando se tornou diretor estatutário em 2016, Ricardo afirma que a experiência ficou mais interessante e variada, já que passou a se envolver em uma gama muito mais ampla de assuntos e responsável por diversas áreas. “Você passa a ter que ser especialista em generalidades”, afirma. “Eu fui diretor da área corporativa do banco (RH, TI e estratégia), também fui diretor de agronegócio. Ser multifacetado é importante para a gestão”, acrescenta.

Na diretoria de estratégia, lançou uma aceleradora chamada Garagem BNDES em 2018. Era um ecossistema com 76 startups em um espaço no Rio de Janeiro com a ideia de promover a troca de experiências, financiamentos e levar profissionais veteranos, inclusive alguns do próprio banco, para mentorá-las. Essa foi uma das suas funções quando saiu da diretoria.

Deixou o banco em 2021, após quase três décadas de casa e quase toda uma carreira no setor público. “Eu não imaginava que isso aconteceria. Eu acabei ficando e fui crescendo lá dentro. O BNDES oferece muita coisa, bom salário, bons benefícios… Você nunca vai ficar rico, mas vai ter tempo com a família e participar de projetos relevantes para o país.”, conta.

Foco em liderança

Após deixar o BNDES, tornou-se conselheiro de algumas empresas, como a M. Dias Branco, do setor alimentício, e FAPES. Além disso, Ricardo passou a se dedicar a desenvolver novos profissionais , oferecendo mentoria a executivos, e ainda planeja escrever um livro. “Quero consolidar tudo que eu aprendi. Liderança não é um conhecimento que nem as Leis de Newton, que são sempre iguais. Vai mudando com o tempo”, diz.

A troca de experiências é o aspecto que mais o atrai na mentoria, e gostaria de ter tido acesso a essa ferramenta quando ainda era executivo. Infelizmente, a prática não era tão disseminada, mas ele ainda teve mentores informais que lhe deram oportunidades e direção. “A pessoa tem que entender que o mentor não dará soluções mágicas. Ele apontará caminhos que percorreu ou não percorreu. É como se ele estivesse olhando a estrada de cima”, afirma. 

Mentoria inesquecível

Uma empresa pagou para um dos seus profissionais fazer uma mentoria com Ricardo. O que a companhia não sabia é que o assunto que ele queria discutir era como poderia estruturar a sua saída. Talvez pela experiência com o Garagem BNDES, pediu que Ricardo passasse contatos do mundo das startups. Porque, além de tudo, a pessoa também queria abrir uma nova empresa para concorrer com a sua atual. Ao ver uma atualização da profissional no LinkedIn, tempos depois, Ricardo se surpreendeu com a reviravolta. “Ela tinha sido promovida. Não só não saiu, como continuou. Até agora não sei o que aconteceu ali, foi algo bem inusitado”, conta.