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Mentores Fora de Série: Ricardo Rodrigues

Por top2you

Ricardo Rodrigues teve a sua trajetória profissional marcada por passagens em empresas como Souza Cruz, BASF e Magazine Luiza, mas ele precisou se reinventar algumas vezes. Os seus primeiros passos foram na indústria, sempre focado em logística e supply chain.

Aos poucos, contudo, ele foi desafiado a assumir outras áreas ‒ com sucesso. Depois, se viu tendo que deixar as quase duas décadas na indústria para atuar no varejo. Atualmente, a sua jornada está naquilo que definiu como o seu terceiro ciclo: a atuação como consultor, professor e, mais recentemente, como mentor.

Primeiros passos

Formado em Engenharia Mecatrônica pela Universidade de São Paulo, Ricardo começou a sua carreira na área de manufatura, pouco a pouco se apaixonando por cadeia de suprimentos e logística. A sua primeira experiência foi como supervisor de produção na Souza Cruz.

Chegou, nos anos 2000, na Gradiente como gerente de compras. Na empresa brasileira, ele passou por diversos cargos até chegar a gerente-geral de operações e assumir a responsabilidade pela fábrica de Manaus entre 2005 e 2006. Na sequência, Ricardo vai trabalhar na Alpargatas como gerente-geral de suprimentos e logística. A sua carreira teria sido a de um especialista em logística e cadeia de suprimentos senão fosse a BASF.

Quando foi chamado para trabalhar na multinacional alemã do setor químico, como gerente divisional para América Latina de operações, compras e supply chain, em 2009, viu a sua carreira tendo uma atuação mais plural, abarcando outras áreas.

Esse processo de ampliação culminou com a mudança de setor, quando, em 2012, ele é contratado como diretor de logística da rede varejista Magazine Luiza, depois de 19 anos na indústria. Ricardo fica na empresa por mais de oito anos e contribui ativamente para a transformação digital omnicanal da empresa, à frente das operações logísticas.

Sua última atuação no mundo corporativo foi como diretor executivo de supply chain no DIA Supermercados, cargo que ocupou por quase três anos. Com o fim da sua jornada executiva, ele passou a se focar exclusivamente na carreira como professor e oferecendo mentorias, além de atuar como diretor de projetos da Andersen Consulting. “Depois das empresas, aproveitei para fazer uma transição para o meu terceiro ciclo: consultor, professor e mentor”, diz.

Subsídios para pensar

A passagem pela Alpargatas foi curta. Cerca de um ano. Chegou à empresa em um momento difícil, o projeto para o qual foi contratado acabou não acontecendo, e, de repente, se viu em um processo de recolocação.

Depois de uma evolução progressiva ao longo de 15 anos, atuando em diversas áreas da manufatura e do supply chain em três indústrias diferentes, a saída da Alpargatas marcou a primeira vez em que pôde fazer uma pausa para refletir sobre os próximos passos da carreira.

Com o apoio de um trabalho estruturado de coaching, esse período foi fundamental para definir a trajetória dos 15 anos seguintes. “A gente segue uma trajetória X, passa pelos desafios Y e Z e, quando estamos com 15 anos de carreira, é possível que não paramos para pensar. É legal ter alguém que ajuda você a se conhecer primeiro e depois fazer as melhores escolhas”, afirma. Essa experiência o marcou.

Pouco tempo depois, Ricardo decidiu fazer uma “automentoria” para decidir o que viria depois da vida executiva. E o passo escolhido foi atuar como mentor e como professor. Ricardo tinha conexões nessas áreas e identificou uma ineficiência. “As empresas hoje em dia estão despreparadas para dialogar com o profissional com tempo e dedicação e até com as ferramentas necessárias para orientá-lo. Tem muito espaço para um trabalho bem feito”, diz.

Ele gostaria de ter tido acesso a essas ferramentas ao longo da sua carreira. Em sua experiência, as empresas estão mais voltadas a discutir a relação específica entre o profissional e o desafio, “e ainda de forma muito superficial”. Os departamentos de recursos humanos, mais preocupados em garantir que determinada cadeira esteja bem ocupada, nem sempre estão interessados em conversar sobre a trajetória do profissional.

Com a quantidade de opções de caminhos para seguir hoje em dia e de situações de incompatibilidade entre o que o profissional deseja e o que está tendo na vida profissional, surgem muitas perguntas, dúvidas e motivos para conversar. “É bastante proveitosa a oportunidade de conversar com profissionais que já passaram por dúvidas similares e já aprenderam com acertos e erros. Não para passar verdades, mas para dar subsídios para pensar”, afirma.

Mentoria inesquecível

De todas as suas 80 mentorias até agora, Ricardo lembra um caso em que encontrou alguém muito perdido, a ponto de tomar decisões precipitadas, fazer investimentos grandes ou desnecessários, ou gastar tempo precioso em cursos de formação inúteis. Ricardo afirma que é comum que o “bombardeio” de histórias de carreiras de outras pessoas levem o profissional a ficar constantemente se questionando se tem que fazer alguma coisa, se precisa se mexer. “Às vezes precisa mesmo, está estagnado. E às vezes não. Precisa dar tempo ao tempo e analisar com cuidado”, afirma. Ricardo lembra que depois de acalmar o mentorado, ele conseguiu pensar com calma e dar o passo certo para a sua carreira. “Conseguir fazer alguém pensar com calma e trazer alívio é gratificante”, diz.