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Mentores Fora de Série: Talita Porto

Por top2you

A carioca Talita Porto estudou Engenharia Elétrica pela PUC do Rio de Janeiro e fez, também, um mestrado pela mesma instituição em Engenharia de Sistemas e uma especialização em Direito na área de regulação de energia elétrica pela Universidade Cândido Mendes.

A sua carreira se manteve firme no setor elétrico durante 35 anos, atuando tanto em consultorias quanto em empresas públicas, e tendo como principal destaque o chamado para construir uma estatal praticamente do zero.

O seu primeiro estágio foi na Eletrobrás em 1989, quando a estatal era a grande empresa do setor de energia, controlado pelo governo. Quatro anos depois, em 1993, ela foi trabalhar em Furnas, onde ficou por mais quatro anos, até voltar para assumir o cargo de engenheira na Eletrobrás, entre 1997 e 1999.

Nesse momento, Talita tem a sua primeira experiência em consultoria, na PSR. Para ela, foi algo importante por ter lhe dado uma visão mais ampla da indústria. “Quando você vai para consultoria, você vê de tudo. E, na época, eu inclusive via a América do Sul, porque vendíamos muitos modelos para o continente todo”, conta.

Talita fica um ano e vai para outra consultoria, a Andrade & Canellas, o que culmina com uma mudança para São Paulo. Ela ficou cinco anos nessa empresa e saiu dela apenas porque recebeu um convite que não poderia recusar. “Era irresistível. Não financeiramente, mas em termos de desafio. Eu ia montar uma estatal”, conta.

Como montar uma estatal?

Ela estava na lista dos 50 funcionários iniciais convidados para trabalhar na Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Hoje, se trata de uma empresa de fato, mas, no início, a situação era diferente. “A estrutura era muito pequena e tínhamos dificuldades. No primeiro mês, eu paguei a minha passagem para Brasília com o meu próprio cartão”, conta.

Como superintendente de geração de energia, Talita ficou responsável por organizar leilões que ajudaram a mudar a matriz elétrica do Brasil. Ela explica que um dos diagnósticos da crise hídrica de 2001 foi a falta de investimentos em geração de energia, até então concentrados pela Eletrobrás.

O governo abriu leilões para trazer mais dinheiro e, por meio deles, obrigou as distribuidoras a comprar energias novas. Novas hidrelétricas, mas também usinas de energia eólica, solar, biomassa, etc. “Isso mudou a matriz. Ela já era muito renovável porque tinha muita energia hidráulica, mas agora, além de renovável, era diversa”, conta.

Depois de quatro anos na EPE, Talita retornou para São Paulo para a consultoria Andrade & Canellas, mas com horas reduzidas para se dedicar mais aos filhos. Retornou à ativa depois de pouco menos de dois anos como especialista da parte regulatória da AES Tietê, entre 2010 e 2012, e depois como gerente regulatória da Renova Energia. “Os leilões que havíamos desenhado estavam se concretizando e eu estava em uma organização que tinha energia eólica e solar. Era um outro perfil”.

Com um cargo mais executivo, ela tinha um olhar de empreendedora e precisava influenciar órgãos reguladores como a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Preço-horário X semanal

Em 2016, Talita partiu para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, responsável por viabilizar a compra e venda de energia.

Nos três primeiros anos, ela atuou na diretoria de recursos humanos e no financeiro, momento em que ajudou a implementar um trabalho de mentoria feminina no CCEE. Foi o seu primeiro contato com a prática.

Durante os cinco anos seguintes, entre 2019 e 2024, foi diretora de gestão de mercado e vice-presidente do conselho de administração. Entre os seus feitos, está a implementação do preço-horário para comercialização de energia elétrica em vez de semanal. “Quando o sol está bombando, o preço deveria estar zero, mas não mudava porque o preço era único para toda a semana”, explica. “Eu estava justamente nessa área de gestão de mercado quando fizemos isso. É um legado que eu deixo. Tenho o maior prazer de ter isso no currículo.”

Desde fevereiro de 2025, é diretora técnica-regulatória da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e, novamente, tem a responsabilidade de influenciar os órgãos reguladores para defender os pleitos dos seus associados ‒ empresas que produzem energia solar.

Talita começou a dar mentorias por meio daquele programa para mulheres na CCEE e gostou da oportunidade. Ela oferece mentorias para todos os interessados. “Ninguém nasce sabendo. Nenhum líder nasceu líder. Todos tiveram aulas, mesmo para se desenvolver e se capacitar”, afirma. “Eu gosto de contribuir com a carreira da pessoa e a pessoa contribui com a minha também. Às vezes, vejo alguns exemplos pelos quais eu nunca passei e fico pensando: como seria se eu estivesse no lugar dessa pessoa?”, questiona. 

Mentoria inesquecível

Talita se lembra de uma mentorada que estava muito angustiada. Havia conflitos com a equipe e problemas fortes de gestão. Conduziu a conversa tentando entender o que estava acontecendo e dando sugestões de coisas que ela poderia fazer. Trocaram números de telefone e, cerca de seis meses depois, ela mandou uma mensagem dizendo o quanto aquela mentoria havia sido fundamental. Soava como outra pessoa. “Fiquei feliz com a troca que tivemos”, diz.