Márcia Baena acredita na força de transformação que o trabalho tem na vida de uma pessoa. Isso porque ela viu sua vida se transformar a partir do trabalho. Foi por meio dele que ela viveu diversas coisas pela primeira vez, como ficar hospedada em um hotel, viajar de avião e conhecer outros países.
Formada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná, em 1995, Márcia nunca cogitou trocar o mundo corporativo pelo trabalho em clínica. “Nas empresas, eu poderia ajudar em muitas transformações pessoais ao mesmo tempo”, afirma.
Natural de Santo Antônio da Platina, uma cidadezinha no norte do Paraná, ela começou a trabalhar aos 17 anos como professora, enquanto fazia a graduação.
Concluído o curso, fez especialização em Administração pela PUC-PR. Conheceu a área da psicologia organizacional durante um estágio no Sesc Paraná, onde foi efetivada e teve seu primeiro trabalho na área. Depois, foi contratada pela América Latina Logística, em 2000. “Chegue aonde eu chegar, chegarei apenas porque trabalhei na ALL. Foi uma grande escola”, diz.
Ficou quatro anos na empresa de logística, quando recebeu um convite para ser gerente de desenvolvimento organizacional da subsidiária de proteína da Cargill, a Seara Alimentos, em Santa Catarina. Ajudou a reposicionar a companhia, que não tinha muita infraestrutura quando Márcia chegou. “A área de RH ficava literalmente no porão”, conta.
No fim de 2009, a Cargill vendeu a Seara Alimentos para a Marfrig e Márcia entendeu que era a hora de sair. Recebeu dois convites: um para voltar para Curitiba, perto da família, e o outro era ir a São Paulo para trabalhar no Grupo Pão de Açúcar. Escolheu o desconhecido. “Eu entendi que, para a minha carreira, era importante conhecer o mercado de São Paulo, e achava importante também que São Paulo me conhecesse”, acrescenta.
Construindo o Burger King
Márcia ficou um ano como gerente de cultura do GPA, antes de receber a proposta para tocar o maior projeto da sua carreira: ajudar a construir o Burger King no Brasil. A master franquia foi criada em julho de 2011 para expandir a operação no país além das lojas franqueadas que já existiam.
Márcia foi contratada como gerente de gente em 2011, e era a funcionária número 20. “Eu saí 12 anos depois, deixando 15 mil colaboradores, mais de mil lojas e uma empresa listada no novo mercado que valia mais de 3 bilhões”, conta.
Lá teve uma carreira sólida, sendo promovida a diretora e depois vice-presidente de gente & gestão, mas o início foi desafiador. Faltava, por exemplo, um lugar para treinar os funcionários antes da abertura da primeira loja própria.
Foi firmada, então, uma parceria com uma Mentores Fora de Série 27 empresa que fornecia a cozinha industrial. “Os colaboradores foram trabalhar nessa cozinha adaptada dentro da fábrica. Lá eram treinados em todos os temas da operação. Na hora do almoço, ganhavam dinheirinho falso para simular a operação dos caixas”, lembra.
Márcia se orgulha de ter participado de todas as fases da operação e, principalmente, por ter ajudado a criar a cultura e as práticas de gestão do zero. “Sou uma arquiteta de cultura. O que eu sei fazer de melhor é ajudar as organizações a construir culturas fortes”, diz. Foi pelo trabalho no Burger King que foi escolhida a executiva de RH mais admirada do Brasil em 2020.
A joia do Paraná
Márcia saiu no final de 2023 e usou o momento para refletir e decidir qual seria o seu próximo passo. Aceitou ser diretora-executiva de gente, gestão e sustentabilidade da Cruzeiro do Sul Educação em 2024, mas a experiência foi curta porque, em setembro do mesmo ano, foi convidada para ser VP de gente e gestão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), recentemente privatizada. “Foi um convite irresistível. Será o projeto mais complexo e significativo da minha carreira. É a maior empresa do Estado, com mais de 70 anos de existência. A empresa tem um compromisso muito grande de mostrar que uma privatização, se bem conduzida, gera muito valor”, afirma.
Em paralelo, Márcia se descobriu mentora. Ela acredita que, ao comunicar a sua experiência, você já está mentorando outras pessoas. “Se você não mentorar o seu time, ele não cresce”, explica. Formalmente, entrou em seu primeiro programa durante a pandemia, em 2020.
Gostou bastante da experiência, porque percebeu que conseguiu ajudar a sua mentorada e também pelo que recebeu em troca. “A pessoa pode nem se dar conta, mas ela também me ajuda, porque faz com que me reconecte com coisas que vivi, com dilemas que passei, com conquistas que tive. E isso me alimenta”, diz.
Foi também a partir de um programa de mentoria que ela se viu convidada a participar de duas reuniões na ONU, uma grande emoção na sua carreira.
Mentoria inesquecível
Márcia teve três ou quatro sessões com um mentorado que estava há nove meses em uma liderança interina. “Em nove meses, você já sabe se a pessoa vai dar certo ou não”, diz. O conselho foi ele assumir o protagonismo da decisão sem colocar ninguém contra a parede, deixando que o profissional buscasse uma definição. “Isso também me fez olhar no espelho. Estou deixando casos parecidos acontecerem nas empresas em que trabalho? A mentoria é sempre uma troca”, acrescenta.



