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Mentores Fora de Série: Alessandra Cavalcante

Por top2you

Crescer em uma família com mulheres fortes ensinou Alessandra Cavalcante, 53 anos, a não ter medo de trilhar o seu próprio caminho. A sua avó materna sempre foi uma referência por ser uma mulher à frente de seu tempo. Alessandra acredita ter seguido seus passos, pois desde cedo buscou independência.

Na adolescência, ela decidiu que queria fazer Psicologia e suportou as críticas de familiares. “Diziam ‘você vai morrer de fome’, mas eles estavam errados”, conta. Iniciou o curso de Psicologia em 1990, e logo redirecionou o sonho de atender em clínica para trabalhar em empresas. “E foi na disciplina de Psicologia Organizacional que descobri a área de RH, na qual logo comecei a estagiar e vi que era o meu caminho”, afirma. 

Vida no exterior

Começava ali uma carreira de três décadas em RH que culminaria na criação de sua própria consultoria, a GoHuman, em 2020. O início da trajetória de Alessandra ocorreu em empresas de telecomunicações, a GTech Brasil e a Victori Comunicações, do Rio de Janeiro, mas foi só o primeiro passo. Ela descobriu a vertical em que ia crescer na sua terceira experiência profissional: a construção civil.

Durante 21 anos, Alessandra trabalhou na multinacional Lafarge, fabricante francesa de materiais de construção. Entrou como analista e subiu na carreira até se tornar executiva, passando por duas temporadas em cargos de liderança em Paris, na França, como vice-presidente global de aprendizagem e desenvolvimento, cargo que ocupou por quatro anos.

Ao todo, foram sete anos vivendo no exterior, uma experiência transformadora. “Foi um divisor de águas. Aprendi muita coisa, sobre mim, sobre liderar e sobre diversidade. É preciso saber lidar com diferentes culturas e expectativas”, destaca.

Sendo mulher em uma indústria predominantemente masculina, ela teve de lutar pelo seu espaço. Muitas vezes, experimentou sexismo por se sentar à mesa e se posicionar. Mas, mesmo assim, conseguiu chegar aos cargos de liderança. Entre os pontos altos do seu período na Lafarge, ela destaca, em 2015, a fusão com a suíça Holcim, que transformou a empresa em LafargeHolcim.

Foi exatamente nesse período que, ao voltar ao Brasil, Alessandra se tornou diretora de integração (reporte ao CEO), função longe do RH. “Foi a experiência mais intensa e desafiadora da minha carreira: em apenas 11 meses, mudei de residência, de área e, depois de montar a equipe e conduzir a fusão, a missão estava, enfim, cumprida. Tinha a expectativa de migrar para a cadeira de RH no Brasil, mas isso não aconteceu. Então aceitei o convite de voltar para RH no Global.”

Alessandra retornou para a Europa para dirigir a área global de talentos e performance. Ficou por quase três anos em Paris, quando decidiu que era hora de voltar. “A carreira internacional para sempre não era algo que fazia parte do nosso plano, meu e do meu marido”, explica.

No Brasil, Alessandra trabalhou por um ano e meio na consultoria de capital humano Korn Ferry. Mas, em 2020, a pandemia trouxe novos desafios e mais mudanças. Foi logo depois disso que montou a GoHuman, uma consultoria com foco em desenvolver culturas humanizadas nas organizações. “Criamos espaços de diálogo que viabilizem um ambiente psicologicamente seguro”, destaca. Nesse período, ela começou a realizar mentorias.

Contato próximo e escuta ativa

Uma das primeiras coisas que Alessandra faz quando começa uma mentoria é perguntar por que ela foi a escolhida. Isso serve como ponto de partida para entender a expectativa do profissional e seguir um caminho que tenha a ver com as suas necessidades. Ela costuma se preparar também com sugestões de artigos, vídeos ou livros que podem ajudar a pessoa a lidar com as questões apresentadas.

O contato com o mentorado gera uma conexão e permite a Alessandra acompanhar o impacto que a sessão teve, algo que considera muito positivo. Sua formação como psicóloga e suas certificações internacionais em Coaching Executivo, Coaching Organizacional e Segurança Psicológica também contribuíram para que ela identifique problemas que apenas a mentoria não seria capaz de resolver e indicar ajuda, em alguns casos. “A mentoria nada mais é do que a gente ir mostrando o espelho para a pessoa poder se reconhecer, porque às vezes precisamos de ajuda para nos reconhecermos”, diz.

Mentoria inesquecível

Uma das mentorias que marcaram Alessandra foi a de um supervisor de 40 anos de uma empresa do setor industrial. Ele a procurou dizendo que queria ser um chefe mais humano. Na conversa, ela perguntou sobre várias de suas atitudes com seus subordinados. “Ele era um líder super humano”, conta. “Ouvia todo mundo, as pessoas gostavam dele, mas ele não se reconhecia nesse lugar, porque dentro da organização isso não era valorizado. Ele só era recompensado por atingir metas, não pela sua relação com a equipe.” Alessandra trabalhou a autoconfiança e autovalorização do mentorado, mostrando a ele que é um mito pensar que líderes humanizados não geram resultados e não desenvolvem pessoas. Ele saiu do processo mais confiante e ciente de estar no caminho certo.