Eduardo Lopes começou a sua carreira como muitos jovens em São Paulo: trabalhando como office boy. A partir daí, foram 14 anos até chegar a uma posição de liderança, com um cargo C-level. A maior parte de toda a sua trajetória profissional, que também incluiu duas presidências interinas, foi na área de recursos humanos. E de pensar que, no começo da sua carreira, ele foi desencorajado e recebeu o conselho de procurar algo que desse mais dinheiro.
Tudo começou quando Eduardo, ainda no terceiro ano da faculdade, foi fazer um curso com um executivo de uma empresa da indústria química. Segundo esse profissional, o melhor era fugir de RH, já que, defendia ele, em pouco tempo toda a área seria tomada pela tecnologia. “Se a vontade dele com o conselho era me afastar de RH, o resultado foi oposto. Saí daquele curso com mais vontade de trabalhar com gente”, lembra.
Começando a jornada
Eduardo foi analista financeiro da brMalls, empresa de administração de shoppings centers, entre 1996 e 1999, quando estava no curso de Administração de Empresas da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Luzwell. Continuou na brMalls depois de tirar o diploma, como coordenador de desenvolvimento de negócios.
A sua primeira experiência em RH foi dois anos depois, em 2001, quando foi contratado pela Alstom, como analista. Ficou nessa posição até 2005. O primeiro segmento da sua carreira foi na indústria de engenharia pesada. Além da Alstom, que atua na área de infraestrutura de energia e transporte, foi coordenador de recursos humanos da Skanska, uma companhia sueca de construção, entre 2005 e 2008.
Foi promovido para gerente de recursos humanos para a América Latina, atuando da Argentina: a sua primeira experiência como expatriado, ainda perto do Brasil. Nesse intervalo, concluiu um mestrado em Liderança pela Universidade Santo Amaro e começou a dar aulas, algo que buscava desde os tempos de faculdade.
Jornada farmacêutica
A segunda vertical da sua trajetória profissional começou em 2010, quando ele se tornou gerente de recursos humanos da farmacêutica francesa Sanofi. Passou os próximos 14 anos trabalhando no segmento farmacêutico e de dispositivos médicos.
Pela Sanofi, ficou nesse cargo até 2011, quando começou a fazer o seu segundo mestrado, em Administração, pela Universidade Metodista de Piracicaba, e mudou para Hospira como diretor associado de recursos humanos. Migrou para a área comercial em 2015, quando a Hospira foi adquirida pela Pfizer e ele se tornou diretor de marketing e comunicação, mas trabalhando, agora, da Flórida, nos Estados Unidos.
Depois de dois anos nesse cargo, retornou à Argentina, mas em um cargo mais alto. Foi presidente interino da operação por cerca de um ano. Um momento de ansiedade e preocupação. “Um profissional de recursos humanos assumir a presidência interina de uma empresa não é comum. Então, eu pensava: tenho que fazer isso dar certo”, afirma.
Liderando na pandemia
Depois dessa experiência, mudou de empresa e voltou a estudar. Começou o seu doutorado em Administração pela Fundação Getulio Vargas e se tornou diretor de recursos humanos da Novartis, em 2017. Foi uma experiência de dois anos, antes de Eduardo chegar a outra farmacêutica, a Ferring, em 2019.
Começou como diretor de recursos humanos, mas, em 2020, bem no meio da pandemia de coronavírus, precisou mais uma vez atuar como presidente interino. A empresa, uma farmacêutica especializada em reprodução humana, não tinha ligação com as pesquisas relacionadas à Covid-19, mas ele foi convocado para reestruturar a operação no Brasil. “Esse é um trabalho basicamente de recursos humanos. Foi uma responsabilidade muito grande, mas também um privilégio liderar a empresa durante o momento mais crítico da pandemia”, conta.
Agora, Eduardo é diretor executivo de recursos humanos em um grupo hospitalar dos Estados Unidos chamado Advent Health e voltou a morar na Flórida. Não era a sua ideia passar tanto tempo fora do Brasil, mas acabou acontecendo. “Nós construímos nossos planos, mas, durante a jornada, conforme o vento sopra, vamos aproveitando as oportunidades”, explica.
Com a experiência de professor e certificação de coach, a chegada à mentoria foi natural. Ele gosta de compartilhar a sua jornada de quase 30 anos. “Nós temos que ter um sonho. Como que chegamos lá? Como vai ser o processo? Não temos certeza, mas é preciso andar mesmo sem saber como chegar”, diz.
Mentoria inesquecível
Um dos seus mentorados mais recentes estava em um momento de tomar uma decisão entre duas áreas dentro da sua empresa. Como Eduardo, ele vinha de recursos humanos e estava tendo uma oportunidade em negócios. “Então, criamos uma conexão”, conta. Depois da segunda das quatro sessões agendadas, o profissional conseguiu escolher qual caminho queria seguir, ou, como disse na sessão, “virou a chave”. “Ele tomou a decisão e não olhou para trás. Fiquei feliz porque depois recebi o feedback da empresa: ‘O que que você fez com ele? Está muito mais decidido’”, conta.



