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Mentores Fora de Série: Érica Hatori

Por top2you

Quando se formou em Economia pela FMU, em São Paulo, Érica Hatori, 40 anos, não imaginava que a sua jornada profissional iria envolver gerenciar o setor de inteligência de suprimentos de uma grande empresa do segmento de celulose.

Depois de breves experiências na Deloitte e na Gazeta Mercantil, Érica chegou em seu primeiro cargo de mais peso: analista de procurement na Companhia Siderúrgica Nacional. Em quatro anos na CSN ela conseguiu a promoção de júnior para pleno. Foi um período bem-sucedido, sem dúvidas, mas que não a preparou para o que seria o grande desafio da sua carreira, quando foi contratada pela Eldorado Brasil Celulose. 

“Não se preocupe”

 O ano era 2013 e Érica tinha dez anos de formada. Ela chega para atuar como analista de inteligência sênior em uma área que estava sendo criada por uma executiva, sua superior direta.

Ansiosa com a falta de detalhamento sobre a criação da área em que ia atuar, Érica insistia nas perguntas. “Eu pedia detalhes, planos, essas coisas, e as respostas sempre eram: ‘fica tranquila, confia em mim, está tudo na minha cabeça’”.

Podia até estar, mas quando essa mesma executiva deixou a empresa meses depois, sem nenhum tipo de histórico dos seus planos, o desafio ficou nas mãos de Érica. “E aí eu tive que realmente me virar, porque o plano dela estava na cabeça, mas não tinha nada escrito”, afirma.

Pressionada, Érica viu que a única solução era procurar ajuda. E foi isso o que ela fez. Ela buscou mentores e profissionais de dentro e fora da empresa que pudessem lhe ajudar com o desafio em questão e, também, para se preparar como uma líder na sua própria carreira. “Não faz sentido ficar batendo cabeça sozinho se a gente pode ter o apoio de alguém que muda tudo”, conta.

Com o tempo, Érica conseguiu criar, e assumir a liderança, de um departamento de sucesso, mas um acontecimento inesperado fez ela repensar em tudo. Mãe de um filho de cinco anos, ela teve um aborto espontâneo do segundo e decidiu que precisava mudar a sua atuação, oferecendo o tipo de apoio que recebeu para novos profissionais. 

Momento crítico

“Nesse momento, ressignifiquei toda minha vida. Qual contribuição eu quero deixar para o mundo?”, questiona. Em paralelo à sua carreira, Érica entrou em uma rede de contatos de executivos e, ao contar esse acontecimento em uma das reuniões, foi convidada para se tornar mentora. A sua meta na função é mostrar a profissionais jovens que por algum motivo não acreditavam que conseguiriam subir na carreira que havia um caminho. “Se eu entrei na empresa como analista sênior e hoje sou gerente executiva, é porque eu tive que superar barreiras. É isso que eu gosto de mostrar para as pessoas: se eu consegui, qualquer um consegue”, afirma. 

O poder do subconsciente

A metodologia de Érica é fazer perguntas provocativas para saber se a pessoa sabe quais são os seus valores, o que aceita e não aceita. Depois, identifica qual o caminho que a pessoa se vê, podendo ser uma função mais técnica ou de liderança. Como ela gosta de dizer: nem todo mundo quer ser CEO. E, além da mentoria, encontrou outra forma de ser útil para quem precisa de ajuda: a hipnoterapia.

Quando se tornou mentora, optou por se certificar em Master em Programação Neurolinguística (PNL) e, na sequência, fundou uma empresa em que atua como palestrante, mentora e hipnoterapeuta. Segundo ela, ao oferecer mentoria com técnicas de hipnoterapia, executivos conseguem fazer um “reset mental” que elimina a sabotagem interna e ajuda a recuperar o foco.

Com foco especial para casos de ansiedade e esgotamento mental, Érica afirma que também atua ajudando mães que acreditam que não dão conta de tudo, adolescentes ou crianças com depressão e síndrome do pânico, e também atletas que haviam perdido a confiança em si mesmos.

Nesses casos, ela trabalha com recursos mentais que ajudam a resgatar o equilíbrio emocional e potencializar resultados. Coloca o paciente ou a paciente em um estado de meditação profunda e oferece sugestões de forma objetiva e direto ao ponto.

De acordo com a mentora, esse estado oferece uma sugestão mais poderosa. “Quando estamos nesse momento de relaxamento e recebemos essas sugestões positivas, a nossa mente aceita muito mais, porque 95% das nossas decisões, segundo a neurociência, são tomadas no nosso subconsciente”, explica. 

Mentoria inesquecível

Érica tinha uma mentorada recém-formada em Direito que tinha acabado de conseguir a carteira da OAB, mas ela tinha certeza que não conseguiria trabalho. Natural do interior de São Paulo, a mentorada estava morando na capital, longe da família, e tudo estava muito pesado para ela. A primeira coisa que Érica fez foi sugerir que ela refizesse o seu LinkedIn, de olho em oportunidades, e a se promover como profissional pela plataforma. Ela conseguiu uma entrevista em uma das maiores empresas de varejo do Brasil, marcada para duas horas depois de uma sessão de mentoria. “E eu falei para ela: vai confiante, você sabe o que faz e tem sangue nos olhos. Você vai fazer acontecer”, lembra. Ela passou no processo seletivo e está no emprego até hoje. “Para mim, foi muito gratificante. Eu não poderia ter recebido um presente melhor”, diz.