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Mentores Fora de Série: Rubens Campos

Por top2you

Tanto na sua carreira quanto na sua vida pessoal, Rubens Campos descobriu que nem sempre o caminho mais óbvio é o que vale a pena ser seguido. Além disso, ele enfrentou momentos em que foi necessário mudar radicalmente de rumo, mesmo quando parecia que a sua vida profissional era um sucesso.

Tudo começa com a graduação em Estatística, em 1982, pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas, no Rio de Janeiro, na universidade vinculada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi no próprio IBGE, inclusive, que ele teve a sua primeira experiência de trabalho, algo que muitos estatísticos considerariam como o início ideal na carreira na área. Não foi o caso de Rubens.

Depois de dois anos por lá, ele decidiu ir para o mundo corporativo, entrando, em 1984, no programa trainee da Souza Cruz. Na empresa de tabaco, ele trabalhou por 14 anos na área de marketing e distribuição, e terminou como gerente nacional de trademarketing.

Até que, em 1997, teve uma dura conversa em família. Sua filha mais velha disse ter vergonha de contar aos amigos que o pai vendia cigarros e isso o fez decidir mudar. “Foi um choque de realidade. Eu tinha uma vida confortável em uma multinacional, mas as palavras dela ecoaram em mim. Percebi que era o momento de buscar algo com mais propósito”, conta.

Novos passos

Foi nesse momento que Rubens foi contratado para trabalhar nas Organizações Globo. Primeiro, na Fundação Roberto Marinho, onde colaborou na criação do Canal Futura, projeto voltado à educação e viabilizado por meio de parcerias estratégicas.

No ano seguinte, aceitou um convite para assumir a diretoria de marketing e vendas do Sistema Globo de Rádio, que vivia uma fase complicada. “Na primeira reunião, eu disse que estava ali para dar lucro em um ano. Muitos acharam impossível, mas nós conseguimos”, relembra. Três anos depois, tornou-se CEO do grupo, liderando mais de 70 emissoras e cerca de 700 profissionais.

Nesse período, reestruturou a CBN, elevou o valor de mercado da emissora de notícias (aumentando o preço dos anúncios para torná-los compatíveis com o alto valor da audiência qualificada da emissora), criou formatos comerciais inovadores e consolidou uma programação de referência. Ao mesmo tempo, ampliou a equipe em mais de 150 profissionais. “Sempre tive a convicção de que crescimento vem de qualidade e receita, não de cortes”, conta.

Para além dos números, Rubens conta orgulhoso sobre práticas de gestão pioneiras que adotou na época, como custear planos de saúde para casais homoafetivos e investir em educação para todos os funcionários, do ensino básico à universidade.

A reinvenção no empreendedorismo

Em 2012, o executivo sentiu que o rádio estava perdendo importância estratégica dentro da Globo e recebia cada vez menos investimentos. Foi quando ele decidiu mudar. “Eu chutei o balde. Fomos, família toda, para os Estados Unidos e eu fui fazer um MBA e decidir que tipo de negócio queria fazer dali para frente”, afirma.

Dentre os setores que considerava resistentes à crise, encontrou no mercado pet a oportunidade ideal. Ele abriu em 2014 sua primeira loja da franquia Woof Gang Bakery & Grooming e, paralelamente, estruturou uma fábrica para fornecer produtos a essa rede. Cinco anos depois, vendeu a operação industrial com lucro significativo e concentrou-se na expansão das lojas.

Hoje, é o maior franqueado da marca nos EUA, com dez unidades e 104 funcionários na Flórida Central.

A chegada da mentoria

Foi nessa fase que ele começou a atuar como mentor. A filosofia de Rubens na prática é evitar respostas prontas. “Quero ajudar pessoas a compreenderem seu papel, ampliarem perspectivas e ganharem confiança para mudar de rota, se necessário”, afirma. O leque de mentorados vai de jovens profissionais a executivos de alto escalão. Muitos o procuram inspirados pela própria história de coragem de recomeçar. “Às vezes, a pessoa está na corrida dos ratos, sem perspectiva. Quando vê que alguém largou tudo e reconstruiu a vida em outro país, ela se motiva”, diz.

Mentoria inesquecível

Rubens destaca uma mentoria com um gerente que trabalhava há 15 anos em uma empresa nacional, sendo os últimos dez anos na mesma função. Dedicado, ele era reconhecido pelo desenvolvimento de pessoas, mas elas acabavam promovidas antes dele. Ao longo da conversa, Rubens viu que a empresa simplesmente não enxergava o mentorado como alguém com potencial de crescimento. “A minha recomendação foi clara: ele precisava olhar para fora e se abrir ao mercado, explorando oportunidades em que pudesse, de fato, realizar todo o seu potencial. E ele aceitou o desafio”, conta. Pouco depois de criarem a estratégia de transição, esse profissional conseguiu ser contratado como diretor em uma multinacional, sendo reconhecido e recebendo uma remuneração três vezes maior do que a anterior.