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Top2You | Mentoria de alto impacto

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Mentores Fora de Série: Lara Bezerra 

Por top2you

Lara Bezerra sempre achou que faria Medicina. O caminho foi dado por influência dos pais, ambos profissionais da saúde, que ela admirava. Esse seria o seu destino se, ao preencher o formulário para o vestibular, ela não tivesse mudado de ideia na última hora. Em vez de tentar ser médica, Lara optou por Administração de Empresas e fez o curso na Fundação Getulio Vargas em 1990.

Mesmo chateada por ter quebrado a expectativa da família, ela mudou de ideia com a prática da sua carreira e com o seu sucesso nela. O conhecimento médico que teve em casa foi útil em uma entrevista para ser trainee da Janssen, já que Lara conhecia todos os produtos. E esse foi o primeiro passo de uma carreira de 27 anos na indústria farmacêutica.

Depois de começar na Janssen, ela foi assistente de marketing e gerente de produtos na Wyeth Whitehall por dois anos para, logo depois, começar a sua longa trajetória dentro da Bayer. Lara passou por diversos cargos enquanto esteve na filial brasileira. Começou trabalhando com marketing, mas, depois de um ano e meio, recebeu a oferta para ser gerente do departamento de administração de marketing e vendas.

Foi nesse momento em que viu uma possibilidade de otimizar a distribuição de brindes e materiais promocionais. Montou uma equipe e conseguiu aumentar a eficiência da força de vendas. Quando o CEO global veio ao Brasil para fazer uma revisão orçamentária, ela apresentou o projeto e foi convidada a se mudar para a Europa para iniciar uma carreira internacional. 

Rodando o mundo

A ideia era que fosse para a Alemanha, mas acabou fazendo uma parada em Portugal por cerca de dois anos. Chegou a Leverkusen em 2001, como gerente comercial, com a responsabilidade de fazer a intermediação com as filiais da Bélgica, da Holanda e da Grécia.

Um ano e meio depois, seu chefe perguntou se ela queria ser gerente-geral da operação farmacêutica da Hungria. Lara se surpreendeu, considerava-se muito nova para a posição e nunca tinha liderado uma equipe grande. “A resposta dele foi engraçada: ‘Então você acha que eu estou tomando a decisão errada?’”, conta. Ela topou.

Alocada na Hungria, além das suas funções locais, também estudou a retomada de operações da Bayer na República Tcheca e na Eslováquia, onde acabou reabrindo o negócio.

Em 2006, a Bayer adquiriu a farmacêutica Schering, também alemã. A nova missão era consolidar as duas empresas nos dois países de que cuidava. Em um momento difícil da sua vida pessoal, e já com uma pessoa da Schering na Eslováquia, chegou a oferecer o seu cargo na Hungria, mas foi convencida a continuar.

Lara era, também, vice-presidente da Associação Farmacêutica local e tinha outros cargos dentro da indústria. Ficou mais dois anos por lá, mas a sua jornada internacional estava longe de acabar.

Ela havia sido convidada para trabalhar na Cidade do México, onde trabalhou na regional da Bayer como vice-presidente de operações, vendas e marketing, e teve a oportunidade de conhecer toda a América Latina. Após aproximadamente quatro anos, no fim de 2011, seria realocada para um desses países: CEO da Bayer na Venezuela. Foi também o seu último cargo dentro da empresa alemã. Após uma mudança de chefia, não estava de acordo com algumas decisões que seriam tomadas para a Venezuela e, por meio de um headhunter, aceitou a presidência da Roche naquele país. 

Nova fase

Nessa época, junto com o marido, um ex-namorado que havia reencontrado no México, adotou três irmãos de 8, 7 e 6 anos. Em 2017, todos eles foram juntos para a Índia, uma das experiências mais especiais da sua carreira. Lara teve a oportunidade de aplicar muitas coisas que estava estudando, como liderança quântica, hinduísmo e ioga. “Eu tinha certeza de que se a liderança fosse focada e baseada em preceitos de filosofias ancestrais seria muito mais forte”, afirma.

O nome do seu cargo até mudou. Em vez de CEO, ou diretora executiva, virou CPO, diretora de propósito. Nos primeiros dois anos na Índia, teve uma liderança que lhe permitiu fazer exatamente tudo o que acreditava. Isso mudou, porém. A nova chefia chegou com um jeito diferente de pensar e ela acabou saindo em 2020 para abrir uma empresa chamada WorkCoherence, que oferece soluções estratégicas ancoradas em propósito e em coerência para líderes de negócios.

Além disso, Lara escreveu um livro e passou a fazer mentorias para transmitir a experiência de quem ocupou cargos de liderança e rodou por quase uma dezena de países. “Eu aprendi que o ser humano é igual em todos os lugares. A cultura e o background podem ser diferentes, mas todos querem sentir que o que fazem tem um significado”, diz. 

Mentoria inesquecível

Lara fez mentoria a um gerente executivo que estava em uma fase complicada da carreira, com problemas na sua área e perto do burnout. Eles fizeram quatro sessões, sempre explorando caminhos possíveis. Depois de aproximadamente um ano, ela recebeu uma mensagem contando que ele havia subido de cargo. As decisões que passou a tomar com base em seu propósito e em coerência com a sua vida pessoal mudaram completamente o jeito que ele liderava as pessoas. “A sua equipe estava muito mais feliz, a produtividade aumentou e ele estava mais tranquilo”, diz.