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Top2You | Mentoria de alto impacto

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Mentores Fora de Série: Marcelo da Silva Leal

Por top2you

Marcelo da Silva Leal, 51 anos, teve destacada carreira profissional em empresas de tecnologia como Locaweb, AWS e Microsoft. Mas a sua trajetória começa no bairro Restinga Nova, na periferia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Desde pequeno, Marcelo sempre entendeu que cursar uma faculdade era a saída para melhorar o seu padrão de vida e, mais do que isso, para garantir que o preconceito não o impedisse de ter sucesso. “Minha vó ensinou a todos que nunca poderíamos ser intimidados por ser negros e morar na periferia”, conta.

A sua avó foi uma mulher corajosa, se mudando para Porto Alegre ainda na primeira metade do século 20, sem ter medo das consequências. Ela trabalhou como copeira em casas de família e em um hospital, servindo sempre de inspiração e sendo a “cabeça” da casa. Além dela, a sua tia foi outra influência importante para Marcelo, a primeira pessoa da família a se formar em uma universidade e construir a sua carreira de assistente social. 

Do Exército à nuvem

Para conseguir terminar o curso, Marcelo foi aconselhado pela tia a escolher uma faculdade particular para poder ter aulas noturnas e trabalhar durante o dia. Foi dessa maneira que ele fez Ciência da Computação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Seguindo a dica de um amigo, após se alistar para o serviço militar obrigatório, Marcelo fez prova para se tornar oficial temporário do Exército. Passou e foi lá que ele trabalhou para se sustentar como estudante. Parte desse período ele teve que trancar a faculdade para trabalhar no Hospital de Guarnição de Alegrete, a 500 quilômetros de Porto Alegre.

Foi sua primeira experiência com uma equipe diversa, formada por civis e militares de diferentes idades e patentes, além de homens e mulheres. “Eu tinha 20 anos na época e foi uma das equipes mais diversas que eu tive, dentro de um ambiente que não era só homens de farda”, afirma. A riqueza da multiplicidade foi um aprendizado que Marcelo levou para o restante da sua vida profissional.

Voltou a Porto Alegre para concluir a faculdade e arrumou emprego em um provedor de internet discada, no final da década de 1990. Passava os dias montando computadores e usando software livre para vender conexões de internet via rádio. Mas procurava por algo a mais.

Foi quando, mais uma vez aconselhado pela tia, prestou concurso público. Foi aprovado e começou a trabalhar no Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs). “Ali a minha vida começou a mudar, porque o salário e a estrutura eram melhores. E tive acesso a toda a tecnologia de ponta que eu não tinha nas outras empresas”, lembra.

Marcelo até se aventurou a escrever um blog de tecnologia que fez sucesso na época. E, para sua sorte, um dos leitores era o CEO da Locaweb, Gilberto Mautner, que entrou em contato com o autor. Marcelo mudou-se para São Paulo e viu a sua carreira deslanchar.

Depois de seis anos na empresa, recebeu um convite para ser arquiteto de soluções empresariais da AWS na América Latina. Pouco mais de um ano depois, recebeu outro convite, desta vez da Microsoft, para trabalhar também com o produto de nuvem.

Ao longo de seis anos na empresa, saiu como diretor. Foi esse o cargo que deixou para liderar os serviços de nuvem híbrida e multicloud da Accenture na América Latina. Depois da Accenture, Marcelo assumiu a vice-presidência de produto na skie.io, empresa especializada em software de redução de custos.

Mais recentemente, deixou o cargo de VP para criar sua própria startup, a IFÁ Insights, onde trouxe para o mercado a Ilumia, uma IA que gera respostas e fornece insights com base na biblioteca de documentos e áudios privada do usuário. 

Inclusão e aconselhamento

A conexão de Marcelo com as mentorias surgiu no seu período na Microsoft. Na época em que começou a trabalhar lá, ele conheceu um vice-presidente negro que havia chegado dos Estados Unidos. O executivo queria ajuda para criar no Brasil o grupo Blacks at Microsoft. “Ele foi um mentor para mim e eu comecei a atuar da mesma forma para os jovens que entravam na empresa”, diz.

O objetivo do grupo era ser um porto seguro para ajudar funcionários negros que estivessem com dificuldades a superar os problemas e crescer na carreira. Marcelo gostou tanto da experiência que não parou mais.

Seu estilo consiste em mostrar os caminhos que seguiu em determinadas situações e a relatar os erros que cometeu na sua própria carreira, para criar um clima de compartilhamento. Nessa troca, ele dá amparo e serve como uma referência de liderança afrodescendente – algo que não teve quando começou a trabalhar –, ajudando os seus mentorados a ocuparem espaços de destaque e a melhorarem de vida. 

Mentoria inesquecível

Uma das mentorias mais marcantes de Marcelo ocorreu com uma supervisora de 35 anos, que trabalhava em uma mineradora. Ela estava em uma posição de liderança mais operacional, mas sentia que devia assumir um cargo mais alto. Os dois conversaram em profundidade sobre os dilemas do mundo corporativo e sobre a importância de agir com propósito para conquistar mais espaços. Logo após a mentoria, com os objetivos mais claros, ela foi promovida a coordenadora na empresa.