Rodolpho Athayde tem mais de 25 anos de carreira executiva. Ele passou por diversos segmentos: de óleo e gás a bens de consumo de massa, de energia ao setor de alimentos.
Por coincidência, uma grande parte dessa trajetória foi construída em empresas internacionais, fato que o acompanhou, inclusive, quando decidiu empreender. Rodolpho criou uma empresa de importação e, tempos depois, abriu uma consultoria para aconselhar empresas estrangeiras a entrarem no Brasil.
A sua carreira profissional começa com a vaga de analista de marketing na Exxon Mobil, entre 1996 e 1997. Era o período em que ele terminou o curso de marketing pela PUC do Rio de Janeiro. Rodolpho, então, decidiu ir para Londres para fazer MBA pela Middlesex University.
No exterior, ele aproveitou e trabalhou como supervisor de vendas da Cachão Foods. O seu período de estudante internacional acaba, em 1999, quando retorna da Inglaterra com o objetivo de diversificar a sua atuação e empreender.
Vida de empreendedor
Rodolpho funda a BRT International Trade, uma empresa de importação, com a meta de trazer produtos que nunca tinham chegado no mercado brasileiro. Inicialmente focada no atacado, a empresa foi, aos poucos, adentrando o mercado de varejo e vendendo diretamente ao consumidor final. A BRT também passou a expandir o seu portfólio: além de produtos da Europa, passou a abrir mercado para itens de países da África e da Ásia.
O mais curioso é que Rodolpho construía a sua empresa ao mesmo tempo em que investia na sua carreira corporativa. Em paralelo com a BRT, ele foi diretor de marketing e vendas da consultoria Strategy em 1999, antes de entrar na Kraft Foods, na qual passou quase uma década.
Em sua jornada na Kraft, Rodolpho passou pela gerência de trade marketing, desenvolvimento de categoria e novos canais, gerência de serviços a clientes e pela diretoria de supply chain. O período na Kraft terminou em 2007, quando ele ingressou na FMC Technologies, empresa norte-americana de equipamentos e serviços para o setor de óleo e gás. Foi gerente de planejamento estratégico por dois anos e meio e, depois, gerente geral comercial e de marketing.
Em 2011, assumiu a diretoria de contas de clientes internacionais que atuavam na América do Sul, como Shell, Chevron e BP. Três anos mais tarde, Rodolpho acrescentou a gestão de projetos às suas responsabilidades. Com a fusão da FMC e Technip em 2017, ele passou a ser responsável por todas as empresas internacionais de petróleo da nova empresa combinada, chamada TechnipFMC.
Após o desmembramento da TechnipFMC em duas companhias, ele permaneceu na Technip Energies, especializada em engenharia e tecnologia, atuando como diretor geral para a América do Sul. Em 2022, retornou ao mid-downstream como diretor B2B da Ipiranga, grupo Ultra, dois anos antes de abrir sua segunda empresa, a ROWA Advisors.
Consultoria, não: advisory
Rodolpho conta que não gosta de chamar a ROWA de consultoria porque “virou clichê” e prefere esclarecer que se trata de uma empresa de advisory que ajuda companhias estrangeiras a fazerem negócios no Brasil. “Meu interesse é tirar a complexidade que existe para negócios em determinados setores no Brasil”, explica.
Embora a maior parte do seu portfólio seja de empresas de fora, ele também é procurado por companhias brasileiras para alavancar negócios em setores com que tem mais afinidade, como óleo, gás, mineração e energia.
A decisão de abrir a ROWA tem pontos em comum com a sua atuação como mentor. Ele afirma que quer passar a sua experiência em corporações, e também a sua rede de relacionamentos, para empresas-clientes ou para as pessoas físicas na mentoria. O desafio, ele afirma, tem traços semelhantes. “Quero apresentar tanto as boas práticas quanto os erros que cometi. Quero poder contribuir”, explica.
Durante a carreira, Rodolpho identifica algumas “pessoas-chave” que lhe trouxeram boas informações ou insights para as decisões que precisou tomar, além de bons exemplos a seguir. Quando ganhou casca executiva, sentiu a responsabilidade de fazer a mesma coisa pelos seus liderados, mas entende que a mentoria externa é um mecanismo que oferece outras possibilidades. “Ser mentor dentro da sua própria empresa, querendo ou não, obviamente tem restrições. O oxigênio não circula. Ter mentores externos é um benefício enorme que as companhias podem ter e os ganhos são impressionantes”, diz.
Mentoria inesquecível
Rodolpho fez mentoria para um gerente sênior que tinha uma meta clara: virar CEO. Ele procurava entender como seria esse caminho e quais variáveis estariam envolvidas. “Quais competências, qual musculatura executiva e foco no que ele deveria ter para se desenvolver como um futuro CEO”, explica. Foi um processo intenso, conta Rodolpho, em que mentor e mentorado não só discutiram estratégias, como ele indicou conexões e fez atividades complementares. No fim, eles acabaram ficando muito próximos. “Um benefício que você também tem como mentor é poder ver os resultados acontecendo de fato”, afirma.



