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Mentores Fora de Série: Thais Modena

Por top2you

Thais Modena estudou Psicologia, mas percebeu, após os primeiros anos de faculdade, que não queria que sua carreira estivesse relacionada à prática clínica ‒ plano de boa parte dos seus colegas. Ela decidiu que seus talentos seriam melhor aproveitados dentro das empresas na área de recursos humanos e direcionou a sua carreira para isso.

Ainda na graduação, que começou no Mackenzie em 2003 e terminou na Unip em 2007, tornou-se parceira de negócios e especialista em recrutamento e seleção no escritório de advocacia TozziniFreire. Thais ainda não tinha como saber, mas o cargo de parceira de negócios de RH, ou seja, o profissional que busca desenvolver pessoas e organizações, seria o cargo mais recorrente de toda a sua carreira.

Hoje, vendo a sua trajetória no retrovisor, ela acredita que essa função foi fundamental na sua prática profissional, em que ela pôde ter contribuições significativas.

Mais generalista que especialista

Depois de quatro anos na TozziniFrreire, Thais é contratada para exercer a mesma função, além de desenvolvimento de talentos, no Grupo Arcor. Ficou um ano e, depois, teve a oportunidade que definiu como um dos seus maiores desafios profissionais.

Thais foi contratada, em 2012, para ser parceira de negócios de RH para a Novartis da América Latina. Para ela, a mudança para o setor foi impactante. “Tudo era muito específico. Ter conhecimento e experiência prévia na indústria farmacêutica era muito valorizado”, afirma. Ela se considera uma profissional mais generalista do que especialista, o que a levou a trabalhar com vários tópicos dentro do universo de RH.

Em determinado momento de sua carreira, por conta de um projeto que liderava, ela foi acumulando mais responsabilidades até se encontrar no meio de uma ação de desenvolvimento direto de negócios, mas decidiu voltar para casa. “Não é que eu não gostasse de atuar diretamente nas áreas de negócios, mas o meu coração está em recursos humanos”, explica.

Depois de dois anos de Novartis, Thais teve outra experiência na indústria farmacêutica como gestora de desenvolvimento de talentos da Mundipharma International, agora em uma posição sênior. Seguiu com esse cargo na Beckton Dickinson, uma empresa de produtos e equipamentos de saúde, onde ficou por mais de dois anos.

Em maio de 2017, veio uma grande mudança: a oportunidade de se mudar para a Alemanha para ser parceira de negócios globais da Adidas. No país europeu, ela se tornou chefe global de desenvolvimento de liderança e de aprendizado e eficácia da Amazon, antes de chegar à vice-presidência de RH da Siemens, seu cargo atual.

Uma amiga mentora

Durante a sua jornada, Thais precisou aprender a lidar com a frustração de não estar seguindo o roteiro considerado normal para uma carreira de sucesso: “No começo, eu achava que deveria ter uma carreira mais tradicional e linear, mas, para mim, não foi bem assim que aconteceu”, conta.

Quem a ajudou como mentora foi uma amiga que ouviu as suas dificuldades e compartilhou a sua experiência de ter passado por situações similares. Não era uma sessão formal de mentoria, apenas uma conversa. Ainda assim, foi algo fundamental para ela. “Foi uma epifania. Eu passei a tentar entender as coisas de um jeito diferente”, diz.

Ainda assim, nem todas as mentorias que recebeu foram tão bem-sucedidas. Às vezes, encontrou mentores que, apesar de muito inteligentes, soavam um pouco arrogantes ou não entravam em assuntos que ela queria abordar. “Tudo isso me ensinou a ser melhor mentora. O fundamental é estabelecermos relações verdadeiras e, para isso, precisamos ter confiança”, afirma.

Como profissional de RH, Tais sempre organizou, desenvolveu, criou e participou de programas de mentoria. Sua formação em Psicologia a ajuda a perceber a natureza de algumas situações, mas, para ela, é preciso ter cuidado para não cruzar a linha. “Há momentos nas sessões em que construímos uma relação tão forte que o mentorado chega a chorar. Mas o meu papel não é ser psicóloga da pessoa naquele momento. Nessas situações, temos que acolher e escutar, mas sem esquecer que, no processo de mentoria, o foco é a carreira”, explica. 

Mentoria inesquecível

Sua mentoria inesquecível é de um profissional que chegou com um ponto de vista muito enviesado, principalmente sobre as mulheres. “Primeiro, tive que respirar fundo e exercitar uma escuta sem julgamentos”, conta. Aos poucos, eles foram refletindo sobre os motivos de ele colocar as mulheres da equipe em contraste negativo com os homens e se aquilo era realmente relacionado à performance. Thais contou a sua própria experiência dentro das organizações, as dificuldades e os julgamentos que enfrentou simplesmente por ser mulher. “Em alguns momentos, a forma como ele tratava as mulheres da equipe dele foi similar a como eu fui tratada e, para mim, foi algo muito ruim”, afirma. No fim, a sessão acabou sendo bastante proveitosa para ambos. “Serviu para que ele refletisse sobre seus vieses inconscientes e para eu reforçar a importância do meu papel como mulher numa posição de liderança”, conclui.