Quantas abas estão abertas no seu computador ou celular agora?
Uma para aquele artigo que você queria ler. Outra para um curso que começou. A terceira para um vídeo que ficou pausado. O LinkedIn provavelmente está aberto em outra janela. Outra para o WhatsApp. Uma para seu e-mail. E, claro, pelo menos uma para conversar com sua IA favorita
Hoje, nosso desafio não é encontrar informação. Ela chega até nós o tempo todo, muitas vezes antes mesmo de decidirmos procurá-la.
Mas estamos absorvendo tudo isso? Sabemos o que merece nossa atenção? Temos tempo para processar? E, principalmente, quanto do que consumimos realmente se transforma em aprendizado?
Quando informação demais começa a atrapalhar
“É como viajar a 200 quilômetros por hora olhando pela janela: vemos muitas paisagens, mas conhecemos poucos lugares.”
A comparação de Ruy Marra, neurocientista comportamental, doutorando em Biociências e Saúde e mentor Top2You, ajuda a explicar uma experiência cada vez mais comum.
Consumimos uma quantidade enorme de informações. Passamos por assuntos, opiniões, pesquisas, notícias, ferramentas e tendências. Mas isso não significa que o conteúdo permaneça conosco.
“Ganhamos velocidade, acesso e possibilidades. O problema é que nosso cérebro não evoluiu na mesma velocidade da tecnologia”, detalha Ruy.
E as consequências não ficam restritas à sensação de estar distraído ou de não conseguir terminar tudo o que começamos.
Um artigo publicado em 2024 apontou que, quando a quantidade, a complexidade ou a velocidade das informações recebidas ultrapassa nossa capacidade cognitiva, os efeitos podem aparecer na redução de produtividade, piora na qualidade das decisões, confusão e estresse.
Se só a informação não é aprendizado, então o que é?
Imagine alguém que queira se desenvolver em liderança.
Essa pessoa pode fazer um curso, ler livros, assistir a palestras e consumir dezenas de conteúdos sobre o assunto.
Mas isso significa que ela está liderando melhor? Não necessariamente.
Ela pode saber explicar diferentes modelos de liderança e ainda ter dificuldade para conduzir uma conversa difícil. Pode conhecer abordagens sobre feedback e continuar evitando uma conversa necessária com alguém da equipe. Pode ter lido sobre tomada de decisão e continuar recorrendo aos mesmos padrões quando está sob pressão.
O contato com a informação aconteceu. A transformação ainda não.
“A gente tem acesso a muita informação, mas o fato de uma coisa estar fluindo rapidamente não quer dizer que estamos nos atualizando. Acho ilusório pensar que essa velocidade da informação seja, por si só, um aperfeiçoamento. Não é”, defende Thais Ferrara, educadora, gestora cultural, parceira da Organização Social Doutores da Alegria e mentora Top2You.
Para entender por que isso acontece, Ruy cita a Teoria da Aprendizagem Significativa, de David Ausubel.
A ideia central é que uma nova informação não se transforma automaticamente em conhecimento. Para que isso aconteça, ela precisa encontrar algo que já existe em nós. Conhecimentos, conceitos e experiências anteriores formam uma estrutura na qual o novo pode fazer sentido.
“Só aprofundamos aquilo que realmente nos toca, que é a nossa demanda interior”, concorda Thais.
O desafio é que essa conexão nem sempre é imediata. Muitas vezes, ela depende de algo cada vez mais raro: tempo.
“Nosso cérebro precisa de tempo para transformar aquilo que recebemos em algo que realmente faça parte de nós”, explica Ruy. “Por isso, no desenvolvimento profissional, precisamos recuperar uma competência que parece simples, mas se tornou sofisticada: parar, selecionar, aprofundar e refletir”.
Tempo, foco e elaboração
Para que uma informação realmente se transforme em aprendizado, precisamos de tempo para processá-la, foco para decidir no que vale a pena prestar atenção e espaço para elaborar como aplicá-la.
A mentoria cria esse espaço.
Durante uma hora de sessão, a atenção está voltada para o mentee, para seus desafios e para o que ele precisa compreender ou desenvolver naquele momento.
O mentor escuta, usa sua experiência para inspirar, faz perguntas e ajuda o mentorado a organizar o que está pensando. O motivo da dinâmica é simples: muitas vezes, a pessoa mentorada não precisa de mais uma informação. Precisa de ajuda para organizar as informações que já tem.
Thais percebe isso em sua experiência: “o momento da mentoria é para parar, respirar, ouvir outro ponto de vista, anotar, escrever e pensar. É um momento de criação e de identificar caminhos novos”.
Em muitos casos, a resposta só dependia de tempo, foco e alguém com quem elaborar. E uma mentoria pode entregar exatamente isso.
Se a rotina cobra que nossa atenção esteja permanentemente dividida entre abas, mensagens, reuniões, conteúdos e decisões, uma hora de mentoria interrompe esse fluxo.
E essa pausa não tira tempo do desenvolvimento. Ela cria as condições para que ele aconteça.
Se a sua empresa quer criar essas experiências para desenvolver seus líderes e talentos, a Top2You conecta profissionais a uma rede de mais de 150 especialistas, como Ruy Marra e Thais Ferrara, preparados para compartilhar experiências, provocar reflexões e apoiar decisões reais.



