Nascida na pequena Sacramento, uma cidadezinha com 25 mil habitantes no Triângulo Mineiro, Alessandra foi a primogênita de seis irmãos. A sua família, dona de lojas de pão de queijo, aproveitou o sucesso do negócio, que foi pouco a pouco se espalhando por outros estados, chegando a cidades como as paulistas São Carlos, Piracicaba e Bauru.
Foi nesse contexto que Alessandra teve a sua primeira experiência profissional. “A gente tinha se mudado para Campinas e, durante as minhas férias, eu ia ajudar meu pai no trabalho. Acho que foi aí que nasceu meu interesse em administração”, conta.
Primeiros passos no RH
Alessandra decidiu, aos 17 anos, se mudar para a capital paulista para estudar Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo. Inicialmente, achou que o seu caminho estaria na parte financeira empresarial, mas, ao ter contato na faculdade, conta que se apaixonou por recursos humanos. “Fiquei encantada em criar maneiras de ajudar as pessoas a evoluírem, porque isso tem relação direta com o resultado da organização”, diz.
Ela conseguiu o seu primeiro emprego na área, em 1994, como trainee na Credicard, e passou cinco anos na empresa, primeiro em RH e depois na área de negócios. Alessandra volta ao RH no Grupo Pão de Açúcar, em 1999, como parceira de negócios.
Ocorre que uma mudança acionária no GPA alterou a estratégia do próprio grupo e Alessandra passou a ser coordenadora de gestão de mudanças. “As pessoas precisam ser treinadas para entenderem as mudanças. Eu fazia essa ponte entre o que era e o que estava vindo”, explica.
Em seguida, veio o convite para liderar a área de recursos humanos de uma startup de assessoria financeira que o Deutsche Bank estava abrindo no Brasil. Quando ela foi contratada, em 2000, havia 15 pessoas. Quando saiu, em 2002, havia mais de 200. Como é bem típico em startups, tudo de RH passou por ela. “Montei os processos de performance, de avaliação, de remuneração, etc… Eu era muito jovem para liderar, mas aprendi demais”, conta.
Vida estrangeira
Foi ao fim dessa jornada que Alessandra decidiu que era hora da sua experiência se tornar internacional. Ela se inscreveu para o MBA da Escola de Altos Estudos Comerciais de Paris (HEC) e ficou 18 meses na França, onde conheceu o seu marido canadense.
Concluído o curso, decidiram se mudar para Londres. Ele foi para a Shell e ela foi contratada como gerente de recursos humanos da Johnson & Johnson em 2004. Em pouco tempo, ela foi transferida para a área de talentos globais nos Estados Unidos e, por fim, surgiu a oportunidade para voltar ao Brasil. “Eu recebi um convite da Natura para ser diretora de RH em um momento de grandes mudanças, porque tínhamos o primeiro presidente que não era um dos fundadores”, explica. Ficou na Natura por cerca de dois anos, entre 2009 e 2011.
Em 2012, recebeu a oportunidade de dar um salto na carreira, como diretora executiva de recursos humanos (CHRO) na Hering. Passaria a se reportar diretamente ao presidente de uma empresa centenária com 7.700 pessoas. “Eu passei a ocupar o lugar de quem precisa ser exemplo, puxar a agenda da organização como um todo e se manter olhando para o futuro”, diz. Depois de cinco anos de Hering, ela foi contratada para liderar a gestão de pessoas e organização para o Brasil da Kimberly Clark, empresa estadunidense de bens de consumo, onde trabalhou por quatro anos.
Ao fim da experiência, ela decidiu realizar um sonho antigo: morar no Canadá. Para tanto, ela estruturou a sua saída da vida corporativa se preparando para a nova fase ao fazer curso de conselheira no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e tirou o seu segundo certificado de coaching. Passou a maior parte da sua estadia no Canadá como coach executiva na consultoria ExCo Leadership Group e fez parcerias com a Hyper Island.
No entanto, no começo de 2025, apareceu a oportunidade de liderar a área de RH da Votorantim Cimentos para a América do Norte. Alessandra confessa que não era algo que ela estava procurando, mas que decidiu tentar. “Achei inspirador me associar a uma empresa brasileira centenária, ética e com governança estabelecida, e poder contribuir com o Brasil mesmo morando no Canadá”, afirma.
Em paralelo à sua jornada corporativa, Alessandra sempre atuou com as mentorias. Ela conta que se sente honrada quando pessoas que foram suas colegas ligam para pedir conselhos, e ela mesma já fez isso. Essa atuação apareceu com mais força após a mudança para o Canadá e em seu trabalho com a Exco Leadership Group. “É uma realização muito grande poder ter essas conversas que dão aquela faísca que fazem as pessoas falarem: ‘uau, não tinha pensado por esse lado’. Isso gera uma nova perspectiva e um comportamento que aumentam o impacto daquele profissional em seu trabalho”, diz.
Mentoria inesquecível
Uma mentorada queria ser mais estratégica, mas não conseguia sair da sua atuação operacional. Alessandra, contudo, questionou a premissa e perguntou se não haveria benefícios em permanecer onde estava. “Ela teve uma epifania. Nas questões operacionais, ela disse: ‘Eu sou indispensável. Não sei se vou ser tão boa na estratégia, porque seria algo novo para mim'”, conta. Ao pensar assim, ela pôde ver que estaria gerando um problema para si mesma. “E foi legal porque ela falou: ‘Se eu mesma estou gerando o problema, eu também tenho a condição de resolvê-lo’”, conta.



