Henrique Pistilli está na improvável intersecção de mar, esporte e mundo corporativo. Carioca, ele é filho de um executivo da Souza Cruz e de uma especialista em RH com longa carreira em empresas.
O pai o levava para andar de barco todo fim de semana, enquanto a mãe foi atleta de nado sincronizado na juventude. Não deu outra. Crescendo, ele uniu as duas tendências e se apaixonou pelo bodysurf a ponto de se tornar um dos dez melhores atletas do mundo nessa modalidade – uma espécie de surfe sem prancha, que usa somente o corpo e nadadeiras, imitando um golfinho.
Aprendeu lições valiosas da natureza pegando ondas de até sete metros no Havaí, na Indonésia e em vários outros países. Até que juntou paixão e necessidade, inventando uma profissão: sea coach.
Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2000, Henrique vive de ministrar cursos de autoconhecimento para pequenos grupos, geralmente à beira do mar de Fernando de Noronha, além de também atuar como palestrante motivacional em empresas e como mentor.
O Homem Peixe
Henrique Pistilli e o bodysurf ficaram conhecidos pelo programa Homem Peixe, que foi ao ar no canal a cabo Off, da Globo, entre 2013 e 2020, com duas temporadas e três documentários produzidos.
Muito antes da sua fase de celebridade televisiva, ele já estava envolvido com mentorias e workshops, desde quando fez faculdade na UFRJ. Lá ele conheceu a Aiesec (organização que promove intercâmbios e capacita universitários para serem líderes) e gostou de atuar na área de treinamentos e desenvolvimento humano, entre 1996 e 2003.
Após a sua graduação, Henrique conheceu o Instituto EcoSocial, onde passaria 11 anos como consultor de liderança e cultura, mergulhando na antroposofia, fenomenologia e goetheanismo, abordagens que servem como base para suas mentorias até hoje.
“Goethe identificou arquétipos observando o comportamento da natureza. A partir deles, nós conseguimos compreender como o ser humano tende a funcionar nas diferentes fases da vida”, explica. Por exemplo: aos 21 anos, o homem busca identidade. Aos 28, passa por uma crise de talentos. Até os 35, está tentando conquistar seu lugar no mundo. E, depois, vem uma crise de autenticidade.
Com base nessas leituras, Henrique tenta ajudar profissionais e empresas a se conhecerem melhor e trabalharem seus impulsos, de acordo com a fase de desenvolvimento pessoal ou do negócio.
O empreendedor
Em 2012, Henrique transformou o método em dois empreendimentos. Primeiro, o Impulso Emerge, que durou até 2019 e firmou parcerias com entidades como a B3, levando essa leitura das ciências da natureza para o mundo dos negócios. Já a IMUA Escola do Mar, da Natureza e da Vida, que existe até hoje em Fernando de Noronha, oferece programas de educação executiva – geralmente na praia. Lá, o mentor ensina “cultura de cardume” e como fortalecer organizações com base nos ensinamentos da natureza.
O mentor
Para além de seus programas de consultoria, Henrique Pistilli oferece também mentorias individuais, inclusive na Top2You. Nas conversas, os temas mais comuns são bem-estar e estabelecimento de limites, estilo de liderança, desenvolvimento de marca pessoal e transições de carreira.
Para Henrique, o cenário de saúde mental corporativo é desalentador. “Está todo mundo doente no mundo corporativo e ainda não percebeu. O quanto antes notarem e trabalharem nisso, melhor”, afirma. Uma de suas técnicas é trabalhar a respiração para converter sensações difíceis (como medo, aceleração do coração e confusão mental) em presença, imaginação e intuição.
Importante: tudo precisa funcionar como os ciclos da natureza. Fases da lua, hora de plantar e colher – metáforas que, segundo ele, servem para determinar os ritmos de cada projeto na empresa, sazonalidades do negócio ou caminhada individual na carreira. “Não é todo mês que a gente chega ao resultado máximo. A gente precisa entender quando está plantando, qual é o clima do momento, quando vai colher. A vida e os negócios são feitos de ciclos”, argumenta.
Mentoria inesquecível
Henrique se lembra de uma sessão com um diretor do setor de energia que tinha acabado de assumir uma nova posição. Ele tinha multiplicado por dez o número de subordinados, mas como estava acostumado a ser um líder impositivo e centralizador, estava sofrendo na nova função. Para o mentor, a sessão foi muito valiosa pelo foco na troca e no entendimento do novo cenário. “Ele reconheceu que precisava trocar a agenda de cobranças e choque para outra mais amigável, de conversas e acordos bem firmados”, lembra. Mas esse não foi o fim da história. “Cerca de três meses depois, ele voltou para uma nova conversa e me contou que a rotina tinha melhorado muito. Estava mais feliz, conseguiu organizar a vida e ter mais tempo para a família”, completa.



