Formado em Economia pela Universidade Gama Filho, Marco Cafasso passou praticamente toda a sua carreira trabalhando em tecnologia da informação, sempre em empresas multinacionais de médio e grande porte. A sua guinada à TI se deu depois da sua pós-graduação em Análise de Sistemas pela PUC do Rio de Janeiro, em 1997.
No ano seguinte, ele foi contratado por uma subsidiária brasileira de uma renomada empresa mexicana de tecnologia, que atua com softwares de gestão empresarial da SAP. O início de Marco foi em uma atuação eminentemente técnica, sendo consultor SAP para modelos de recursos humanos, finanças e controladoria.
Aos poucos, contudo, ele foi se direcionando para a área de gestão nos mais de 12 anos que atuou na empresa, galgando posições como gerente de projetos e, depois, gerente de operações. Marco abriu um escritório da companhia em Belo Horizonte e foi diretor executivo de 2005 até 2011. “Sempre tive uma familiaridade muito grande com negócios. Migrei da área técnica para a comercial e para a gestão, e segui um longo período nela. Foi onde eu principalmente me desenvolvi”, lembra.
Marco se lembra de um momento especialmente delicado na sua jornada profissional: durante o “Bug do Milênio”, ele trabalhou para mitigar os problemas tecnológicos que poderiam surgir na virada do século, de 1999 para 2000.
Em paralelo aos cenários catastrofistas, ele conseguiu ver a oportunidade: o grande impulso para a adoção de ferramentas de ERP (sigla em inglês para planejamento de recursos empresariais), que serve para deixar a informação mais confiável e aprofundar a gestão com a integração dos sistemas de cada área de negócio. “Pelo lado das empresas de tecnologia, especialmente as que eram provedoras dessas soluções, foi uma grande oportunidade”, conta.
Nos dois lados do balcão
Em seguida, Marco teve uma breve experiência como empreendedor em uma empresa mineira focada em inteligência e análise de negócios, além de oferecer serviços SAP. Ela foi adquirida por uma multinacional especializada em digitalização industrial em outubro de 2011. Marco passou cerca de dois anos trabalhando em ambas. “Essa oportunidade de empreender foi muito importante para mim em termos de aprendizado e experiência”, conta.
Em 2013, retornou ao Rio de Janeiro para trabalhar como diretor de tecnologia, ou chief information officer, de uma empresa de engenharia e construção. Ficou responsável por toda a área de tecnologia e telecomunicações. “Foi a minha única experiência no lado do cliente e foi bacana ter a oportunidade de tangibilizar tudo aquilo que eu achava que sabia. Fiquei quase três anos por lá, mas tinha decidido que o meu lado do balcão era o outro, era como fornecedor de tecnologia.”
Marco, então, direcionou seu foco para uma oportunidade na TOTVS, considerada a maior empresa de tecnologia do Brasil. Ele já havia chegado perto de trabalhar pela companhia, mas nunca havia dado certo. Isso mudou em 2015, quando ele chegou para ser o diretor executivo para o Rio de Janeiro.
Está nessa corporação até hoje, liderando várias áreas, e não apenas cuidando da parte de vendas. Marco supervisiona toda a gestão de negócios, inclusive as entregas aos clientes e a administração de pessoas.
Do Oiapoque ao Chuí
A TOTVS atua por meio de três unidades de negócio. Uma delas é a unidade TOTVS Gestão, com um portfólio que inclui grandes sistemas de ERP do mercado, além de sistemas de RH e soluções especializadas para diferentes segmentos da economia. “Atuamos em todos os segmentos e em todos os lugares. Estamos realmente presentes do Oiapoque ao Chuí”, brinca.
As outras unidades de negócio são a RD Station, com soluções de marketing, vendas e relacionamento que ajudam os clientes a crescerem dentro do segmento em que atuam, e a TOTVS Techfin, uma JV com o Itaú que oferece soluções de crédito B2B e pagamento para a gama de 70 mil clientes da TOTVS. “Hoje sou responsável por toda a operação no estado de São Paulo, onde fica a matriz, e também pelo mercado internacional, com concentração muito grande na América Latina”, conta.
Depois de tanto tempo de carreira e tendo acumulado muitas experiências, Marco chegou à mentoria por entender que precisava colocar tudo isso a serviço do desenvolvimento de outras pessoas. Para ele, a transmissão de conhecimento gera evolução, não apenas de indivíduos ou empresas, mas até do próprio país. “Não existem empresas ou profissionais perfeitos, mas existem coisas boas em todas as situações, até nos aprendizados ruins”, diz. “Nós criamos um rótulo muito negativo em relação ao erro. Ele traz ensinamentos muito representativos. O que você não pode é persistir no erro ou não aceitá-lo”, arremata.
Mentoria inesquecível
Marco se lembra de uma mentoria com uma pessoa ambiciosa em um cargo de alta gerência. Ela tinha colocado a meta agressiva de chegar a uma posição de diretoria. Seis sessões foram combinadas, mas, na terceira, ela concluiu o seu objetivo: ela havia sido promovida. “O restante do tempo acabou servindo para apoiá-la no desenvolvimento dessa nova cadeira”, conta. A conversa evoluiu para os próximos passos, incluindo a adaptação da nova função à vida pessoal e à gestão de pares que agora se tornaram subordinados. “Foi muito bacana porque conseguimos mudar o plano de voo no meio da mentoria”, diz.



