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Mentores Fora de Série: Marcos Semola

Por top2you

Marcos Semola tem uma carreira, e uma vida, bem diferentes da média. Nos últimos 35 anos, ele construiu uma jornada profissional internacional em segurança de informação ao mesmo tempo em que criou dois filhos, lecionou em turmas de MBA, escreveu oito livros, participou de competições de Ironman e ainda manteve o seu hobby vivo: a fotografia.

Para dar conta de tudo, Marcos gosta de dizer que ele sempre se dedicou ao planejamento e se esforçou para ter consistência.

Da garagem ao mundo

Marcos teve contato com computadores ainda no colégio, nos anos 1980. Antes de cursar Ciência da Computação, na Universidade Católica de Petrópolis, fundou sua primeira empresa, em 1990, focada em desenvolvimento de software e soluções de automação comercial. Dez anos depois, ele se tornaria consultor na Módulo Security.

Nesse mesmo período, o interesse por difundir conhecimento o levou à sala de aula: desde 2000, Marcos leciona segurança da informação em MBAs da FGV. Veio, então, o ciclo internacional. Entrou em 2003 na subsidiária de tecnologia da Schlumberger, empresa do setor de energia, como consultor líder de segurança.

Por lá, Marcos foi líder de operações de risco de segurança da informação em Londres por quase três anos. Mudou para a Shell em 2008, na Holanda, assumindo como gerente global de Governança, Risco e Conformidade (GRC). Ficou dez anos na empresa, atuando também como CIO para Downstream para a América Latina.

Quando saiu, em 2017, Marcos decidiu trazer do Vale do Silício a Founder Institute, maior aceleradora de startups em fase inicial do mundo. Lá, estruturou uma rede de mentores, orientou e apoiou dezenas de empreendedores e se tornou investidor anjo.

Depois dessa jornada, optou por retornar à consultoria, desta vez como sócio líder de cybersegurança para o setor de energia LATAM da big4, EY. Após cinco anos na EY, Marcos se planejou para realizar uma nova transição internacional, desta vez para os Estados Unidos. Iniciou, então, sua trajetória em Houston como líder de cybersecurity para o mercado de energia nos EUA, na Accenture.

Hoje, ele e sua equipe atendem boa parte dos clientes fortune 500 na região. Nesse mesmo período, ele também se tornou mentor steam da Rice University. 

As quatro alavancas

Marcos afirma que as suas conquistas profissionais, e o seu modelo de mentoria, têm um método. Segundo ele, o primeiro pilar é o sentido de urgência “para escapar da armadilha de viver uma vida ordinária”; depois, autoconfiança para não travar diante de oportunidades; em terceiro lugar, assumir o risco como prática habitual; e, por fim, o planejamento – não como desejo vago, mas como rotina “visual e tangível”.

Quando esses quatro aspectos estão organizados no papel, na carreira profissional ou para qualquer parte da vida, surge o conceito que faz um amálgama de todos os elementos: a consistência. O executivo dá um exemplo: “Eu percebi cedo que poderia ser mais valioso se desenvolvesse opiniões profundas sobre poucos temas”, conta, justificando o foco absoluto em segurança nos seus artigos, posts, entrevistas e aulas.

O efeito prático desse hiperfoco apareceu incontáveis vezes: clientes que o procuraram porque leram o livro, assistiram a uma palestra ou foram seus alunos. “O mundo é circular. Você nunca pode subestimar o poder que as pessoas ao seu redor têm de influenciar o seu futuro”, completa.

Mentoria em prática: a pirâmide de Maslow

Existe uma teoria psicológica que organiza as necessidades humanas em níveis hierárquicos: fisiológicos, de segurança, sociais, autoestima e autorrealização. Quem a propôs foi o estadunidense Abraham Maslow, em 1943. E Marcos é um seguidor desse método para a vida e as mentorias. O exercício convida o mentorado a listar o que é essencial ou apenas desejável. Em termos de carreira, é preciso considerar a geografia, o modelo de trabalho, o tamanho do time, o nível de responsabilidade e a faixa salarial, entre outras dimensões. A mágica está em tornar visíveis os conflitos que não aparecem. “A pirâmide é um exercício de autocompreensão que nos ajuda a focar no essencial”, explica.

Mentoria inesquecível

Para exemplificar a aplicação da pirâmide, Marcos conta a história de um diretor de compliance que o procurou recentemente. Ele já estava em um momento avançado da carreira e tinha dúvidas sobre os próximos passos. Sentia-se pressionado por não se enquadrar plenamente nos estereótipos comuns nesse estágio ‒ como ter equipes grandes e assumir escopo global. O primeiro passo da mentoria foi entender os interesses do mentorado. Na conversa, Marcos percebeu que ele queria crescer, mas sem se afastar do lado técnico. “Nem todo profissional aos 40 precisa abandonar o que gosta para ser gestor. É possível encontrar um lugar no qual você usa essa bagagem para conduzir equipes técnicas”, opina. Com a pirâmide montada, o mentorado ganhou clareza e definiu como gostaria de ser percebido pela liderança, libertando-se de “pressões invisíveis”, como a necessidade de liderar mais de 100 pessoas. Na sequência, Marcos o ajudou a detalhar o “como”: ações para reconhecimento na indústria e estratégia para escrever no Linkedin, por exemplo. O resultado: clareza dos próximos passos, mais leveza e direcionamento para o longo prazo.