Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, João Geraldo Ferreira fazia Administração de Empresas na Universidade Candido Mendes quando começou sua carreira na Souza e Cruz como vendedor. Ele chegou a supervisor de vendas e distribuição da empresa tabagista entre 1987 e 1991, enquanto, em paralelo, continuava a sua formação com uma pós-graduação em marketing pela PUC do Rio de Janeiro.
Foi durante esse segundo curso que ouviu falar da Procter & Gamble, companhia norte-americana de bens de consumo, pela primeira vez. E decidiu: “Quero trabalhar nessa empresa de qualquer jeito”. Quando acabou a pós, a P&G estava chegando ao Brasil. João, então, respondeu a um anúncio no jornal para uma vaga de representante de vendas no Rio de Janeiro.
A fascinação pela empresa vinha do que havia aprendido sobre ela na sua formação. “Todos os cases de marketing que eu ouvi na pós-graduação eram da Procter”, explica. Ele conseguiu entrar e ficou dois anos na capital fluminense antes de se mudar para São Paulo.
Na nova cidade, ele foi promovido para gerente de unidade e gerente de distrito. Após quatro anos em São Paulo, surgiu a oportunidade de João trabalhar fora do país. Era o passo dos sonhos dele. “Eu venerava os EUA. Quando surgiu essa oportunidade de trabalho, senti que meus objetivos pessoal e profissional foram atingidos”, diz. Ele foi com a família, a esposa e o filho de sete meses, e ficou dois anos como gerente de categoria no país.
João foi promovido para gerente de marketing para a América Latina para cuidar do setor de cuidados pessoais, com produtos como detergentes, sabonetes, etc.
Depois de nova mudança internacional, desta vez para a Venezuela, ele viveu uma experiência como expatriado completamente diferente. A função exigia inúmeras viagens e a família ficava sozinha, o que não era muito seguro. Ficou mais um ano no cargo e decidiu se demitir.
Etapa Nike no Brasil
Na sequência, recebeu uma proposta para começar a operação da Nike no Brasil. Ele assumiu a diretoria comercial em 2000 e começou o processo de instalação de lojas: onde elas seriam construídas, se seriam franqueadas ou próprias, de rua ou de shopping.
Dois anos depois, recebeu uma proposta para assumir a diretoria comercial da Danone. Na época, uma empresa “cinco vezes maior”, mas sofrendo para ter lucros. “A companhia não pagava imposto de renda porque não tinha lucro no Brasil”, diz.
Após cerca de três anos na Danone, durante os quais ajudou a lançar o Activia, recebeu uma proposta inesperada: a Warner Bros queria ele como presidente do setor de licenciamento. Mudou, mas a nova função não passou de cinco meses. “Não me adaptei muito bem e acho que eles também não. O entretenimento é uma indústria com um ritmo próprio, não fez sentido para mim. Sou um cara mais pragmático”, diz.
Depois dessa experiência, foi contratado pela General Electric. Ocupou a vice-presidência de marketing para a América Latina entre 2007 e 2009. Com o tempo, foi agregando mais funções, como comunicação e vendas, e, em uma época de exportações aquecidas no Brasil, ajudava o presidente brasileiro da GE, que na época supervisionava a América Latina e o Brasil.
Quando esse presidente foi trabalhar na China, João assumiu a cadeira vaga ‒ que ocupou de 2009 e 2011. Em seguida, assumiu a presidência para a América Latina do setor de óleo e gás da GE, posição que ocupou por três anos. “Foi uma experiência fantástica, mas voltei a ter que lidar com viagens o tempo todo e ficar longe da minha família. Então, pensei bem e pedi demissão”, afirma.
Em busca do equilíbrio
Depois da GE, teve uma porção de breves experiências. Foi presidente da FLC Iluminação, trabalhou no mercado financeiro com o fundo de investimentos Victoria Capital Partners, por cerca de dois anos, e foi presidente da Wickbold entre 2018 e 2019.
Em 2021, chegou ao Grupo Bimbo, como presidente da divisão QSR. No Brasil, a sua divisão é responsável por fornecer os pães para restaurantes de fast food como McDonald’s, Bob’s e Burger King. Sobre mentorias, João conta que sempre tentou passar a sua experiência a novos profissionais, até que resolveu enveredar oficialmente para essa atuação oferecendo cursos e criando a Coach Lab em 2021.
Ele tem uma mensagem principal. “Você não pode focar 100% nas pessoas, porque está ali para trazer resultados. Ao mesmo tempo, não pode trazer resultados a qualquer custo, porque deixa sequelas. Precisa manter um equilíbrio”, diz.
Mentoria inesquecível
Uma diretora tinha um problema: precisava voltar a trabalhar como executiva por uma questão financeira, mas a proposta vinha de uma empresa que não tinha nada a ver com ela. Além disso, quando chegou lá, o escopo da sua atuação era diferente do que havia sido combinado. “Isso pode parecer óbvio: estou comprando um produto que você não entregou, então eu vou embora, mas ela não podia fazer isso”, explica. Durante as sessões, João tentou mostrar para ela que o custo de saúde mental e emocional seria muito mais alto do que a perda do salário. “Inclusive, ajudei a prospectar outras organizações e ela saiu da empresa. Encontrou um novo trabalho e está feliz da vida”, conta.



