Top2You | Mentoria de alto impacto

Estamos de cara nova, mas se preferir a versão clássica, clique aqui   |   New interface, click here for classic version

Mentores Fora de Série: Felipe Pontieri 

Por top2you

A trajetória de Felipe Pontieri começou quando ganhou de Natal seu primeiro computador. Curioso, passou a explorar linguagens de programação e queria entender como tudo funcionava por trás da tela.

Foi o interesse em tecnologia que o possibilitou conquistar o primeiro cliente: uma loja de eletroeletrônicos que acumulava cheques sem fundos e não tinha clareza sobre o fluxo de caixa. Felipe fez, então, um acordo: ganharia um computador novo desde que criasse um programa para ajudá-lo com a contabilidade. “Eu tinha três meses para entregar tudo. Caso contrário, o cliente pegaria a máquina de volta. Eu gostei da ideia, e de ter um computador novo, topei”, conta.

Sem perder o prazo, ele criou um software capaz de identificar clientes com pagamentos em atraso. O sistema permitia ao lojista consultar, pelo CPF, todo o histórico de cheques – depositados, devolvidos e os motivos da devolução – além de acompanhar os recebíveis futuros e os valores em compensação no banco.

Mais tarde, Felipe ingressou em Engenharia da Computação na PUC-Rio, mas sua carreira já estava acelerada. Aos 17 anos, tornou-se analista de rede na DSC Tecnologia, três anos depois, aos 20, assumiu o cargo de gerente na Pictet Modal. Entre disciplinas trancadas e reprovações por falta, abandonou o curso após receber um convite para trabalhar em São Paulo no Deutsche Bank como gerente de infraestrutura do projeto Maxblue Investimentos. 

Sem curso, sem bônus

Felipe ocupou o mesmo cargo na Hedging Griffo-Credit Suisse antes de ingressar na GE Money, braço financeiro do grupo General Electric. Essa mudança marcou um ponto importante em sua trajetória, pois, até então, ele não se sentia preparado para liderar pessoas. Era direto demais quando um funcionário não atendia às expectativas ou demorava mais do que o esperado para concluir uma tarefa. “Demorei muito tempo para conseguir entender, como gestor, como lidar com pessoas. Aprendi, aos poucos, que é uma qualidade ter tato e ajuda a gestão”, explica.

Na GE, Felipe foi obrigado a fazer cursos de gestão e matemática financeira para não perder o bônus anual. “Eu achava a exigência absurda, o banco passando por auditoria do Banco Central e eu tendo que fazer cursos”, lembra. No entanto, hoje reconhece o valor da experiência: “Ainda bem que isso aconteceu comigo. Talvez eu não tivesse tanto sucesso se não fosse isso”.

Depois de ser CISO (Chief of Information Security Officer) do Banco ABC, decidiu mudar de setor. Saiu do mercado financeiro e foi para a indústria de programas de fidelidade, como gerente sênior de TI da Multiplus S.A. Movido por desafios e aprendizado constante, sentia que já não evoluía após 14 anos no mesmo mercado. “Acabei descobrindo que fidelidade é uma operação muito mais complexa do que uma conta corrente de banco”, diz.

Difícil, no entanto, não quer dizer impossível. Felipe se encontrou tanto no segmento de fidelidade do cliente que, três anos depois, em 2014, foi co-fundador da Livelo. A empresa promove troca de pontos por recompensas aos clientes participantes. “Sem dúvidas, foi o grande projeto da minha vida. Eu tenho muito orgulho até hoje quando ouço as pessoas falarem da Livelo e principalmente dos atributos que partiram das minhas crenças e valores, entre eles o foco no cliente”, afirma. 

O plano B

Nessa fase, Felipe começou a pensar no futuro e decidiu investir em startups através da aceleradora WOW. Como padrinho de novos negócios, passou a acompanhar empreendedores e oferecer mentorias. “Eu acabo aprendendo muito mais com essa turma do que sou capaz de transmitir. Ver o brilho nos olhos e a vontade de vencer dos empreendedores é o meu maior prazer hoje em dia! Quem sabe eu consiga retornar um pouco do sucesso que eu consegui conquistar para a sociedade de alguma forma!”, diz.

Sem deixar totalmente a vida executiva, foi diretor de estratégia digital do Banco Santander entre 2019 e 2020 e diretor de TI da Dasa de 2020 a 2023. Nesse período, intensificou o trabalho com mentorias, participando de projetos como o do Instituto Primeira Geração, que apoia jovens de origem humilde na busca pelo primeiro emprego.

Também concluiu o curso de Tecnologia da Informação pela Anhembi Morumbi, inspirado a dar exemplo aos filhos. Para ele, a experiência prática vale mais do que o diploma, e o soft skill é hoje mais essencial que o hard skill, especialmente em tempos de inteligência artificial. Atualmente, Felipe vive um ano sabático com a família nos Alpes Franceses, mas segue ativo em consultorias e mentorias – sua atividade preferida da semana. 

Mentoria inesquecível

Felipe viveu uma experiência marcante como investidor em uma startup de serviços de faxina. Durante a pandemia, a demanda despencou de cerca de 100 para apenas uma faxina por semana, e a fundadora resistia a demitir a equipe, acreditando que o lockdown seria curto. “Eu via empresas maiores se antecipando e entregando escritório. Imagina o custo para reabrir? Ela não queria acreditar que a pandemia seria algo longo”, conta. Meses depois, a empreendedora agradeceu o conselho que salvou o negócio. “Naquele momento, eu tive que ser o cara que jogava um balde de água fria no excesso de otimismo dela para trazer um choque de realidade para que ela pudesse salvar o seu negócio”, resume.