Com uma trajetória executiva que já soma quase 35 anos, Adriana Coutinho Viali construiu uma carreira sólida e versátil, sem ter medo de mudança, e está acostumada a atuar em projetos de impacto. O seu início de carreira, contudo, foi relativamente tranquilo.
Ela passou dez anos trabalhando no mercado financeiro, como executiva de vendas em grandes instituições, tendo passagens nos bancos ABN e Pan, em período quente no setor durante a década de 1990. Mas ficar na área não era o seu destino.
No início dos anos 2000, Adriana deu uma guinada decisiva: migrou para o setor de telecomunicações, no boom das privatizações, com um mercado que dava sinais de grande crescimento. “Fui trabalhar em ‘telco’ sem saber se era de comer ou passar no cabelo”, brinca.
A mudança veio depois de sua participação no projeto “Computador do Milhão” – uma iniciativa do Banco Pan em parceria com o SBT e a Microsoft para ampliar o acesso a computadores no Brasil. Ela percebeu o potencial transformador da tecnologia, fez contatos com pessoas que já tinham transicionado para telecom e se encantou com as possibilidades de um setor em expansão.
Na Oi, sua primeira experiência na área, encontrou um ambiente vibrante, mas carente de processos estruturados – especialmente no que dizia respeito à cultura de atendimento ao cliente, resquício do tempo em que o setor era fechado para concorrência.
Assumiu a liderança comercial em São Paulo, com foco no mercado B2B, no qual permaneceu por três anos, até receber um convite da Embratel. Durante os 14 anos em que esteve lá, Adriana chegou ao cargo de diretora executiva e teve papel central na expansão de portfólio que impulsionou a marca para além do famoso slogan “faz um 21”.
Em 2018, Adriana foi chamada para enfrentar aquele que considera o maior desafio de sua trajetória: retornar à Oi como vice-presidente, no exato momento em que a empresa estava em processo de recuperação judicial. Ela topou: “Se você me convidar para enxugar gelo, não conte comigo. Mas ali havia um desafio real, com chance de transformação”, conta.
Após cinco anos nessa função, Adriana decidiu recomeçar, abrindo um novo capítulo em sua carreira: ela se tornou sócia da Nava, empresa focada em soluções de tecnologia para negócios. Paralelamente, começou a trilhar um novo caminho como conselheira e membro de conselhos de administração e governança.
Hoje, ela é board member da iniciativa Winning Women, da EY, um programa global de mentoria voltado para empreendedoras. Também atua no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em que é membro em uma das comissões temáticas do instituto. A executiva deixa claro qual é a sua missão: abrir caminhos, transformar cenários e inspirar outras mulheres a ocuparem espaços de liderança.
Coração e escuta na mentoria
“Não sou mentora, sou pitaqueira. Não entro com metodologia, mas com coração e escuta. É a hora mais feliz da minha semana”, resume Adriana sobre seu processo de mentoria. Ela conta que gosta de abrir espaço aos mentorados para ouvi-los, já que essa é a única maneira de ajudá-los a desenvolver a capacidade de tomar decisões.
Outro fator sobre o qual ela tem cuidado é em mostrar as situações sob outros ângulos. “Às vezes, a pessoa está acostumada com um único ângulo e não consegue ver de fora, por outro prisma”, explica. Após as mentorias, Adriana deixa o canal aberto para seguir conversando. E brinca: “Eu digo assim para meus mentorados: ‘Você entrou na minha vida, agora eu quero saber da sequência! Vem me contar como você falou com seu chefe, seus liderados, quero saber se resolveu o conflito’. São mais de 90 mentorias até agora. É muito gratificante acompanhá-los, mesmo que nem sempre tão de perto. Mas o bacana é que o trabalho de mentoria surte tanto efeito que muitos voltam em novos ciclos proporcionados por suas empresas. E eu sempre aprendo muito com eles também”.
Importância do LinkedIn
Nas mentorias, Adriana também gosta de estimular as pessoas a se projetarem no mercado de trabalho. “Estatística de botequim: de cada dez pessoas, nove não têm nenhuma relação no LinkedIn. As pessoas não se projetam como ativos para o mercado. Têm dificuldade enorme de se relacionar, não participam de eventos. As pessoas precisam entender que são donas de suas carreiras”, disse. E acrescenta: “Eu falo para 90% dos meus mentorados que o céu do sapo é do tamanho da boca do poço. Quando você não se relaciona com os pares do seu segmento, você deixa de fazer algo por você e também pela empresa que você representa. É um grande desperdício”.
Adriana é um exemplo disso. Ela conta que, até 2018, quase não participava do LinkedIn. Mas notou que essa poderia ser uma ferramenta interessante para vender soluções, melhorar a comunicação com o mercado e com os clientes e aumentar o awareness da empresa. Começou a desenvolver relações na plataforma e a produzir conteúdo, o que gerou ótimos resultados para a empresa e para ela, pessoalmente.
Mentoria inesquecível
Adriana se lembra de uma história de uma executiva de quase 50 anos. “Ela chegou à mentoria destruída emocionalmente. Ela trabalhava em uma grande empresa e se sentia estagnada na carreira. Mas, rapidamente, entendi que não faltava competência, mas sim confiança”, conta. O segredo da mentoria foi, ao longo das sessões, mostrar para ela que o problema era exclusivamente de confiança, e ela foi entendendo, se reconectando com a sua força. “Ela tirou a venda dos olhos. Hoje atua como VP liderando uma cadeira ainda mais estratégica do que antes”.



