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Mentores Fora de Série: Gustavo Gelli 

Por top2you

A carreira de Gustavo Gelli começou aos 16 anos – e de forma bem diferente daquela em que se especializaria: branding.

Na época, ele era um adolescente encantado por tecnologia que se mudou para Petrópolis, no Rio de Janeiro, para trabalhar na Huyck do Brasil. Conseguiu uma vaga no setor de eletrônica e criou um sistema digital para substituir os cartões perfurados que controlavam o funcionamento de um grande tear.

Eram os primórdios da tecnologia nas fábricas, no começo dos anos 1980, e ele pôde usar um dos primeiros computadores pessoais disponíveis, o CP-500, para controlar a temperatura e a velocidade do motor da máquina. “Foi o primeiro projeto que me encantou na vida”, conta. Depois de três anos nessa fábrica, decidiu cursar Engenharia Elétrica, com especialização em Eletrônica, na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

Pouco tempo depois, Gustavo foi estagiar em uma gravadora de comerciais de televisão. Qualquer uma dessas áreas poderia ter sido sua carreira, mas um acontecimento mudou tudo: seu irmão, Frederico, que cursava Design na PUC-Rio, propôs abrir uma empresa para criar embalagens de papelão e vendê-las. Gustavo topou o desafio, e os dois passaram a fabricar as peças para os clientes. 

Sucesso rápido

Em 1989, nascia a Tátil Design. Os sócios eram Gustavo, 22 anos; Fred, 23; e Patrícia, também de 22 (namorada de Fred). Gustavo desistiu do estágio e ficou responsável pela parte jurídica, financeira, produção e de tecnologia da informação da nova empresa, enquanto Fred e Patrícia cuidavam da criação.

Em pouco tempo, surgiu – quase por acaso – um dos grandes clientes. Fred recebeu elogios na faculdade por uma embalagem de papelão ondulado que havia feito para acondicionar um trabalho, e o professor, surpreso pelo acabamento primoroso da peça feita com um material inusitado, até então utilizado somente para embalar móveis, resolveu enviar o trabalho para a fabricante de papel/papelão Klabin.

O resultado foi o apadrinhamento da Klabin, fornecendo de forma exclusiva para a Tátil o papelão ondulado em bobinas. Com isso, seguiram-se várias encomendas de embalagens promocionais com essa matéria-prima. Sempre atentos à sustentabilidade, eles aproveitaram o movimento do setor em busca de materiais reciclados impulsionado pela Rio-92, e a empresa se solidificou. “As coisas andaram numa velocidade surpreendente”, conta Gustavo. 

De fábrica a agência

De 1992 a 1998, a Tátil produziu uma grande quantidade de kits para gravadoras distribuírem em lançamentos de CDs e LPs para a imprensa. Mas foi em 1998 que a empresa alcançou outro patamar ao conquistar a Natura, seu maior cliente até então, que pedia brindes específicos para kits de datas comemorativas. “As quantidades começaram a aumentar de forma exponencial”, lembra Gustavo.

Nesses períodos, a Tátil chegava a vender 4,5 milhões de itens. A demanda levou a companhia a se profissionalizar e buscar certificações. No entanto, Gustavo percebeu que a Tátil precisava se reposicionar. “As empresas já tinham entendido que o design feito por uma agência como a Tátil era muito superior àquele feito por uma agência de propaganda”, afirma. Era hora de deixar de ser fábrica e tornar-se agência de design de fato.

Veio a mudança para o novo escritório, em São Conrado, e o mergulho em branding: estratégia de marca, objetivos, linguagem, público e representação gráfica. Nessa fase, surgiram contratos com Coca-Cola e TIM. Em 2016, a Tátil criou o logo e a identidade visual dos Jogos Olímpicos do Rio. 

Crescendo junto (e depois, separado) da empresa

Além de transformar a Tátil em uma gigante do setor, Gustavo buscou se desenvolver junto com o negócio: formou-se em Administração de Empresas, fez pós-graduação em Finanças e uma série de especializações. Depois de muitos anos dedicados ao negócio, entendeu que aquele ciclo havia se cumprido. “Foi o momento de dizer ‘chega’”, conta. Ele e Patrícia deixaram a empresa em 2023 e venderam sua participação.

Hoje, Gustavo escolheu se dedicar a compartilhar sua experiência como mentor de profissionais e startups, além de atuar como investidor-anjo, consultor e conselheiro. Esse caso ajuda a entender o método que percorre toda a sua história: curiosidade aplicada, pensamento sistêmico e disciplina para executar. Da automação de um tear ao pensamento estratégico em branding, a constante foi transformar problemas em processos repetíveis.

Hoje, nas mentorias, Gustavo reforça clareza de objetivos, métricas simples e compromisso com prazos. Ideias movem, mas processos sustentam reputação e resultados no longo prazo. 

Mentoria inesquecível

Gustavo se lembra de uma mentoria marcante com um jovem de 23 anos, analista de marketing no setor de calçados. Ele queria migrar para o design com a meta de se tornar executivo sênior. Ao conversarem, Gustavo explicou como era trabalhar na área e percebeu o desconhecimento do rapaz. O mentorado então entendeu que não era aquilo que desejava. Com a ajuda de Gustavo, identificou que, na verdade, queria ter o próprio negócio. O mentor o ajudou a traçar um plano de dez anos para alcançar esse objetivo, aproveitando ao máximo as experiências que pudesse ter na empresa onde estava.